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21/06/2011 11h13 | Atualizada em 21/06/2011 14h35


Meta para os próximos dez anos é triplicar a produção anual de óleo e gás, um salto que levará o setor a responder por 67% dos investimentos na área de energia do país.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério das Minas e Energia, divulgados este mês revelam que a meta do Brasil para os próximos dez anos é triplicar a produção anual de petróleo e gás. Esse salto fará o setor responder por 67% do investimento previsto de R$ 1 trilhão para todo setor energético do país. Segundo o estudo, a produção brasileira de petróleo deve passar dos atuais 2,1 milhões de barris diários para 6,1 milhões em 2020, por conta da exploração da camada do pré-sal.

O levantamento inclui tanto a produção da Petrobras como de o

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Meta para os próximos dez anos é triplicar a produção anual de óleo e gás, um salto que levará o setor a responder por 67% dos investimentos na área de energia do país.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério das Minas e Energia, divulgados este mês revelam que a meta do Brasil para os próximos dez anos é triplicar a produção anual de petróleo e gás. Esse salto fará o setor responder por 67% do investimento previsto de R$ 1 trilhão para todo setor energético do país. Segundo o estudo, a produção brasileira de petróleo deve passar dos atuais 2,1 milhões de barris diários para 6,1 milhões em 2020, por conta da exploração da camada do pré-sal.

O levantamento inclui tanto a produção da Petrobras como de outras empresas do setor. Hoje, a estatal responde por mais de 90% do petróleo produzido no país. E quer transformar em realidade a promessa do pré-sal. Há alguns meses, a Petrobras revisou para cima seus planos de investimento no pré-sal da Bacia de Santos, o Plansal, parte da programação mais ampla de aportes da empresa. Especialmente para o pré-sal da Bacia de Santos, a estatal vai investir, entre 2011 e 2015, US$ 73 bilhões em conjunto com seus parceiros como BG, Repsol e Galp.

Desse montante, US$ 54 bilhões - ou 74% - virão da estatal. É um valor 63,6% maior que os US$ 33 bilhões estimados anteriormente, até 2014, que levava em conta uma produção de 241 mil barris por dia. No novo cenário, a estimativa é alcançar 613 mil barris em 2015 em áreas operadas pela empresa.

A meta de produção antes anunciada, de um milhão de barris diários de petróleo em 2017, vai ser superada. Segundo a empresa, ainda que tenha havido um incremento no volume total dos investimentos, a revisão do Plansal revela uma curva descendente dos custos de desenvolvimento da área em relação ao primeiro plano, de 2008. "A Petrobras será capaz de reduzir em até 45% seus custos com o desenvolvimento da área do pré-sal da Bacia de Santos, em relação ao que estava programado inicialmente", diz o gerente executivo do pré-sal, José Formigli. Para ele, isso é possível graças às melhorias de logística obtidas com a utilização de estações intermediárias entre as plataformas de produção e o litoral para receber os trabalhadores que vão atuar nas instalações de produção, além de suprimentos para as plataformas.

Outro fator que ajuda nessa diminuição dos gastos é o melhor conhecimento geológico da região, o que permite baixar custos de perfuração de poços. A produtividade dos poços também passou de 15 mil para 20 mil barris por dia. Na revisão do Plansal, a Petrobras também ampliou a expectativa de volume recuperável potencial das áreas de Lula (novo nome do campo de Tupi) e Cernambi, para além dos oito bilhões de barris. O plano de negócios 2010-2014 prevê ainda outros US$ 75,2 bilhões de aportes nas áreas pós-sal e no global, os investimentos da Petrobras alcançam US$ 224 bilhões.

"O pré-sal pode colocar a Petrobras entre as dez maiores petroleiras do mundo", observa a diretora da consultoria MB Associados Tereza Fernandez, que acompanha o setor. "Mas ainda demora uns dez anos para essa nova fronteira petrolífera se consolidar." Segundo ela, ainda há vários pontos importantes a serem definidos. Um deles, por exemplo, é como escoar e aproveitar economicamente o gás associado ao petróleo na produção do pré-sal, que fica a centenas de quilômetros da costa. "É uma logística cara. A Petrobras tem competência técnica para resolver, mas deve precisar de sócios para ajudar com recursos financeiros."

O novo plano de negócios para 2011-2015 era aguardado para sexta-feira, após reunião do Conselho de Administração. Mas seu anúncio foi adiado de novo - a primeira versão, apresentada em maio, também foi rejeitada - porque os conselheiros pediram mais uma vez à diretoria detalhes e estudos sobre o programa de investimentos proposto.

Analistas que acompanham de perto a empresa comentaram que a nova proposta manteria o valor total na mesma faixa do plano em vigor de 2010-2014 - investimentos totais de US$ 224 bilhões - e haveria cortes ou redução no ritmo principalmente nos investimentos em refino e em aportes externos. O foco dos negócios seria mantido em exploração, desenvolvimento de achados e produção no Brasil. A estatal tem alguns grandes empreendimentos em curso na área de refino que devem ter seu orçamento reduzido, como Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a refinaria Premium II no Ceará.

"O país tem carência de refino e está importando cada vez mais derivados e exportando óleo bruto. Além da produção do pré-sal que vem aí, há o pós-sal, que continua", lembra Tereza, da MB Associados. Para ela, dificilmente o preço do petróleo cairá abaixo dos U$ 80 o barril, a não ser que ocorra uma forte recessão.

Para a Agência Internacional de Energia, até 2030 os combustíveis fósseis ainda responderão pelo atendimento de 70% a 75% da matriz energética global. E como a produção dos campos de petróleo se reduz em cerca de 10% anualmente, a necessidade extra para abastecer a demanda mundial em 2030 será de 55 milhões de barris por dia, levando-se em conta um crescimento econômico estacionado.

 

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