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Eldorado faz megaencomenda de R$ 2,5 bi

Valor Econômico

24/11/2010 14h25 | Atualizada em 24/11/2010 16h26


 

A Eldorado Brasil, produtora de celulose que está se instalando em Mato Grosso do Sul e tem como acionistas a holding J&F, controladora da JBS Friboi, e a MCL Empreendimentos, do empresário Mário Celso Lopes, acaba de fechar um dos maiores contratos de compra de equipamentos para produção da matéria-prima já firmados pela indústria brasileira. São quase R$ 2,5 bilhões, equivalentes a mais de 50% do orçamento previsto para implantação da nova fábrica, contratados junto à Andritz Brasil e à Metso Paper, duas das maiores fornecedoras mundiais do setor.

Com a compra dos equipamentos neste mês, a Eldorado confirmou a previsão de início das operações no município de Três Lagoas para o segundo semestre de 2012 e deve coloc

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A Eldorado Brasil, produtora de celulose que está se instalando em Mato Grosso do Sul e tem como acionistas a holding J&F, controladora da JBS Friboi, e a MCL Empreendimentos, do empresário Mário Celso Lopes, acaba de fechar um dos maiores contratos de compra de equipamentos para produção da matéria-prima já firmados pela indústria brasileira. São quase R$ 2,5 bilhões, equivalentes a mais de 50% do orçamento previsto para implantação da nova fábrica, contratados junto à Andritz Brasil e à Metso Paper, duas das maiores fornecedoras mundiais do setor.

Com a compra dos equipamentos neste mês, a Eldorado confirmou a previsão de início das operações no município de Três Lagoas para o segundo semestre de 2012 e deve colocar fim aos rumores de que o projeto poderia não sair do papel, que vêm circulando desde o início do ano. Segundo fonte próxima à companhia, os acionistas já teriam estabelecido novembro como mês de partida da unidade.

A Eldorado, cujos sócios estão avaliando uma fusão com a Florestal Brasil, o que daria origem a uma companhia de R$ 5,8 bilhões, informou que os contratos englobam sete ilhas de processos, correspondentes a 80% das necessidades em equipamentos para o funcionamento da fábrica. A unidade terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto, volume que, neste momento, garante o título de maior linha única de produção de fibra do mundo.

Encomendas restantes serão efetivadas nos próximos dois meses e obra de fundação começa no primeiro trimestre
O pedido encaminhado à subsidiária brasileira do grupo Andritz, que tem sede em Graz, na Áustria, prevê a entrega do pátio de madeira, linha de fibra, duas secadoras e uma unidade de licor branco, ou cerca de 70% dos equipamentos encomendados pela Eldorado na segunda quinzena deste mês. Já a finlandesa Metso será responsável pelo fornecimento da caldeira de recuperação e da linha de evaporação. O projeto de engenharia, de acordo com a companhia, foi desenvolvido em conjunto com a Pöyry.

Em maio, a Eldorado já havia assinado um primeiro contrato na área industrial, para compra de outros dois equipamentos com Siemens. Agora, restarão os pedidos para as linhas de águas e interligações e para a caldeira de biomassa, que devem ser concretizados nos próximos dois meses. Os trabalhos de terraplenagem, que tiveram início em junho, mês em que foi lançada a pedra fundamental do empreendimento, estão em "estágio avançado", segundo a empresa, e a obras de fundação começam no primeiro trimestre.

O ritmo de andamento do projeto, contudo, não foi suficiente para evitar rumores de que o empreendimento da entrante na indústria de celulose corria o risco de não sair do papel. Esses comentários ganharam força quando os sócios da Eldorado Brasil divergiram acerca da nova estrutura societária da companhia, em razão da necessidade de nova capitalização. À época, chegou-se a especular que um dos acionistas poderia deixar o empreendimento. Superado o desencontro e sacramentado o aporte, a J&F passou a deter 75% do capital da companhia e a MCL, 25%. A previsão é a de que os investimentos totais no projeto alcancem R$ 4,8 bilhões, R$ 3 bilhões dos quais financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A fábrica da Eldorado será a primeira a ser inaugurada no país desde o início das operações da linha da Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto originada da fusão entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), também em terra sul-mato-grossense, no primeiro semestre do ano passado. A inexistência de nova oferta de celulose de mercado até a segunda metade de 2012 e a manutenção da demanda mundial por fibra aquecida deverão desenhar, conforme analistas, ambiente de negócio bastante positivo para a nova "player" no setor.

Além do cenário favorável para a indústria, a Eldorado Brasil poderá se beneficiar de uma possível fusão com a Florestal Brasil, que também tem como sócios a J&F e a MCL. Os demais acionistas da companhia, que tem capital de R$ 1 bilhão e investe em áreas de reflorestamento, são os fundos de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal - CEF) e Petros (da Petrobras), e o fundo Vitória Asset Management.

A união das empresas, que pode ser definida até o fim do ano, originaria uma companhia verticalizada e traria sinergias, uma vez que a Florestal será responsável pelo fornecimento da madeira que alimentará a unidade fabril da Eldorado. Dedicada ao plantio de florestas de eucalipto, a Florestal tem como meta agregar a seu portfólio 30 mil hectares plantados por ano, totalizando 210 mil hectares em sete anos, o que garantirá autossuficiência de matéria-prima à Eldorado. As negociações, contudo, podem esbarrar na eventual diluição dos sócios, especialmente Funcef e Petros, na nova companhia.

 

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