Assessoria de Imprensa
24/02/2026 11h00
Por Thiago Holanda*
Durante muitos anos, a automação foi tratada como um projeto distante e algo visto somente em feiras internacionais, vídeos de fábricas em sua maioria, asiáticas ou em relatórios futuristas, mas pouco acessível à realidade da maioria das empresas brasileiras. Robôs eram sinônimo de alto investimento, longo prazo de retorno e decisões difíceis de justificar.
Esse cenário começou a mudar e a Reforma Tributária é um dos principais motores dessa transformação.
A partir de 2026, o Brasil passa a operar sob um novo modelo de tributação do consumo, ba
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Por Thiago Holanda*
Durante muitos anos, a automação foi tratada como um projeto distante e algo visto somente em feiras internacionais, vídeos de fábricas em sua maioria, asiáticas ou em relatórios futuristas, mas pouco acessível à realidade da maioria das empresas brasileiras. Robôs eram sinônimo de alto investimento, longo prazo de retorno e decisões difíceis de justificar.
Esse cenário começou a mudar e a Reforma Tributária é um dos principais motores dessa transformação.
A partir de 2026, o Brasil passa a operar sob um novo modelo de tributação do consumo, baseado na lógica do crédito financeiro. Na prática, isso significa que investimentos produtivos, como sistemas de automação e robótica, deixam de carregar o peso de impostos cumulativos ao longo da cadeia e o imposto pago passa a ser recuperável, o custo efetivo do investimento diminui e o payback encurta.
A automação, que antes parecia “cara”, passa a ser economicamente viável.
Essa mudança acontece justamente em um momento em que o consumo segue em alta. O e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025, com crescimento superior a 10%, impulsionado por personalização via Inteligência Artificial, Machine Learning e Big Data e para 2026, a ABIACom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-Commerce) projeta faturamento acima de R$ 258 bilhões, com ticket médio de R$ 564,96 e a entrada de dois milhões de novos compradores.
Mais consumo, porém, não significa mais eficiência, ao contrário, os custos logísticos costumam explodir, pressionando as margens. Segundo o ILOS, os custos logísticos no Brasil já representam cerca de 15,5% do PIB e continuam em trajetória de alta.
Armazenagem e área para locação de galpões logísticos mais caras e cada vez mais indisponíveis em grandes centros, estoques maiores e um last mile cada vez mais oneroso criam um paradoxo: as empresas vendem mais, mas ganham menos por unidade entregue.
É nesse ponto que muitos gestores se equivocam e tentam responder ao aumento da demanda ampliando área, contratando mais pessoas ou esticando processos já saturados, onde o resultado costuma ser o oposto do esperado: mais complexidade, mais erros e menos controle.
A Reforma Tributária muda essa equação ao tornar a automação uma decisão estratégica, não apenas operacional, já que robôs móveis e sistemas flexíveis de automação permitem aumentar a produtividade sem ampliar, proporcionalmente, custos fixos, que por sua vez, geralmente costumam reduzir após a implementação de sistemas autônomos.
Além disso, a automação robótica na logística quase mitiga os erros na separação de pedidos, otimiza o uso do espaço sem a necessidade de expansão de área utilizando também o espaço vertical disponível e, ainda, diminui o consumo de energia e torna a operação mais previsível — algo essencial em um ambiente regulatório mais rigoroso.
Diferentemente dos sistemas fixos tradicionais, a automação moderna não exige que a empresa já esteja “pronta” e pode ser implantada de forma gradual, adaptada ao crescimento do negócio e ajustada conforme a demanda. O robô não chega para substituir a operação, mas para destravar eficiência.
E agora, com a nova lógica tributária brasileira, esse investimento passa a fazer ainda mais sentido financeiro, sem falar da possiblidade de enquadramento de soluções de alta tecnologia, no regime ex-tarifário que nada mais é que uma redução temporária da alíquota do imposto de importação - geralmente para 0% - sobre bens que não possuem produção nacional equivalente.
O objetivo principal é reduzir o custo de aquisição de máquinas e equipamentos modernos, permitindo que as empresas brasileiras aumentem sua produtividade e competitividade sem prejudicar a indústria nacional, já que o benefício só é concedido se ninguém fabricar algo igual no Brasil.
A pergunta que muitos executivos continuam adiando responder não é se a automação é necessária. Isso já está claro. A pergunta real é: quanto custa não decidir agora?
Um caminho para se calcular estas perdas são as estatísticas do e-commerce brasileiro. O abandono de carrinho no Brasil atinge taxas críticas, frequentemente superando 70% a 80%, e em setores como moda e eletrônicos pode superar 80%, segundo pesquisa da E-Commerce Radar - a média global está em torno de 70-79%.
Embora o custo do frete seja o fator número um, o maior prazo de entrega é um dos principais determinantes da desistência final, alcançando 36,5% dos consumidores (especialmente na etapa de checkout) em levantamento feito pela Yampi. Consumidores atuais, influenciados por entregas rápidas (same-day/next-day), tendem a abandonar a compra se o prazo for considerado inaceitável.
Outros dados do período 2024-2025 ajudam a dar base para entender a dinâmica de perdas decorrentes de uma demora na decisão pela automação de processos: 29% dos consumidores abandonam o carrinho de compras quando a data de entrega é pouco clara. Quase 70% dos carrinhos são abandonados na etapa de preenchimento de dados, onde frete e prazo são revelados.
Em um cenário de consumo crescente, custos logísticos elevados e uma Reforma Tributária que favorece investimentos produtivos, a vantagem competitiva não estará somente em quem vende mais ou quem oferece preços competitivos, visto que há casos de consumidores pagarem mais para uma disponibilidade imediata do produto – mas sim em quem opera melhor.
O robô que antes parecia distante está cada vez mais próximo e, desta vez, ele chega com incentivo tributário, viabilidade econômica e um papel central na estratégia das empresas que querem crescer sem perder margem.
*Thiago Holanda, especialista em automação e robótica e gerente da LIBIAO Robotics para América Latina
24 de fevereiro 2026
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