Energia
Valor Econômico
26/10/2010 11h47
Cinco meses depois de ter anunciado a aquisição bilionária da Plena Transmissoras que marcaria sua entrada no setor de energia do Brasil, a estatal chinesa State Grid ainda esbarra no BNDES para poder concluir a operação. O negócio já foi aprovado pelo órgão de concorrência e pela agência de energia elétrica, mas é na transferência da titularidade de empréstimos que somam cerca de R$ 1,5 bilhão que reside a principal condicionante para o fechamento do negócio, estabelecido entre chineses e espanhóis.
Segundo o Valor apurou, os chineses acreditavam que tomariam facilmente a titularidade dos empréstimos. Mas o BNDES abriu um processo de análise de crédito da estatal chinesa, até então desconhecida do banco. Quando há transferê
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Cinco meses depois de ter anunciado a aquisição bilionária da Plena Transmissoras que marcaria sua entrada no setor de energia do Brasil, a estatal chinesa State Grid ainda esbarra no BNDES para poder concluir a operação. O negócio já foi aprovado pelo órgão de concorrência e pela agência de energia elétrica, mas é na transferência da titularidade de empréstimos que somam cerca de R$ 1,5 bilhão que reside a principal condicionante para o fechamento do negócio, estabelecido entre chineses e espanhóis.
Segundo o Valor apurou, os chineses acreditavam que tomariam facilmente a titularidade dos empréstimos. Mas o BNDES abriu um processo de análise de crédito da estatal chinesa, até então desconhecida do banco. Quando há transferência de controle em uma aquisição, os empréstimos do banco são todos reavaliados. Cada caso é revisado e para aprovar a operação o banco faz algumas mudanças no contrato de financiamento como a exigência de substituição de garantias e de fianças bancárias.
O poder de fogo dos chineses para comprar ativos no Brasil preocupa o governo federal, principalmente em setor sensível como o de transmissão que tem registrado apagões significativos. No negócio da Plena, por exemplo, os chineses deixaram para trás interessados brasileiros. A Cemig também analisava o negócio, mas os mineiros desistiram em função do preço cobrado pelos sócios espanhóis donos dos ativos da Plena Transmissora. O mercado em geral entendia que os mais de R$ 3 bilhões pelos ativos era um preço alto a pagar. Um ano antes a própria Cemig havia adquirido a Terna Participações, um negócio muito parecido com o da Plena, por R$ 2,3 bilhões.
Os chineses, entretanto, fecharam negócio, mas condicionaram a assunção da dívida somente se o BNDES aprovasse a transferência. Em maio, quando o negócio foi anunciado, a State Grid assumiu o controle de sete empresas da Plena, mas não sua totalidade. As espanholas Cobra - da construtora ACS, que controla a Iberdrola na Espanha -, Elecnor e Isolux venderam suas participações. A Abengoa, entretanto, não queria se desfazer de 25% que detinha em duas das principais empresas, a Expansion Transmissão de Energia Elétrica e a Expansion Itumbiara, dois dos principais negócios da Plena. Alguns meses depois, a Abengoa acabou aceitando se desfazer do negócio.
Estas empresas espanholas chegaram ao país em meados dos anos 2000 com propostas agressivas nos diversos leilões de transmissão do governo federal. As empresas contavam com subsídios do governo da Espanha e conseguiam comprar torres de transmissão a custos competitivos para erguer os projetos. Por isso foram arrematando tantos lotes. Juntas, chegaram a ter na Plena Transmissoras cerca de quatro mi mil quilômetros de transmissão, distribuídos em 12 diferentes sociedades de propósito específico. Metade da empresa foi vendida para os chineses, assim como metade dos sócios espanhóis está reduzindo o volume de negócios no país.
Quando a venda à State Grid se concretizar, Isolux e Cobra vão reduzir significativamente sua participação no mercado brasileiro. Por outro lado, Elecnor e Abengoa ainda possuem muitos ativos no Brasil e têm sido participantes ativos em novos negócios. A Abengoa, por exemplo, barrou no mês passado a compra do controle da Sul Transmissora de Energia Elétrica pela Taesa (ex-Terna) ao exercer seu direito de preferência na compra da participação da Cimy Holding, outra espanhola de saída do país. Além disso, a Abengoa é dona de concessões importantes de transmissão no Norte do país e de ativos de bioenergia.
Já a Elecnor aproveitou o negócio da venda de parte da Plena para a estatal chinesa para adquirir a participação da Isolux e da Cobra na LT Triângulo, empresa que também fazia parte da Plena Transmissora e onde as três eram sócias. Além disso, a Elecnor foi vencedora nos dois leilões de energia eólica promovidos pelo governo federal e está comprometida com um investimento da ordem de R$ 1 bilhão para erguer parques eólicos com capacidade de gerar até 300 megawatts.
Enquanto isso, os chineses da State Grid, donos de uma das maiores empresas do setor na China, continuam fazendo planos para o Brasil. Recentemente, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, esteve na China e em visita à empresa voltou com a notícia de que a estatal tem planos de associar à Eletrobras para participar de leilões de energia no Brasil.
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