Energia
Valor Online
24/08/2011 15h27 | Atualizada em 24/08/2011 18h27
A Cemig criticou hoje a proposta para que o governo federal realize novas licitações no setor de energia elétrica, como forma de baixar o preço das tarifas, em vez de conceder uma extensão automática dos atuais contratos.
“Eu não acho que baixaria a tarifa. Eu acho que iria comprometer a qualidade dos ativos”, disse na tarde desta terça-feira o diretor de Finanças e Relações com Investidores da estatal mineira, Luiz Fernando Rolla.
“O volume de investimentos que nós fazemos para manter a qualidade de geração é significativo. Numa usina que rodou 50 anos, o desgaste do equipamento é muito alto. Ela vai demandar um investimento muito forte para continuar gerando aquela energia que produziu nos últimos 50 anos. Ent
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A Cemig criticou hoje a proposta para que o governo federal realize novas licitações no setor de energia elétrica, como forma de baixar o preço das tarifas, em vez de conceder uma extensão automática dos atuais contratos.
“Eu não acho que baixaria a tarifa. Eu acho que iria comprometer a qualidade dos ativos”, disse na tarde desta terça-feira o diretor de Finanças e Relações com Investidores da estatal mineira, Luiz Fernando Rolla.
“O volume de investimentos que nós fazemos para manter a qualidade de geração é significativo. Numa usina que rodou 50 anos, o desgaste do equipamento é muito alto. Ela vai demandar um investimento muito forte para continuar gerando aquela energia que produziu nos últimos 50 anos. Então é ilusão achar que você vai fazer uma licitação e o preço vai ficar muito pequeno e [ao mesmo tempo] ter essas usinas gerando por mais 50 anos. É ilusão.”
Rolla insistiu que o preço de geração está estritamente vinculado aos investimentos que são feitos para manter uma usina em funcionamento e que esses custos são altos.
A ideia de uma nova rodada de licitações a partir de 2015 – quando contratos atuais começam a vencer -- tem sido uma bandeira defendida principalmente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A Cemig, que é hoje a maior empresa integrada do setor elétrico do país, com atuação em 22 Estados brasileiros e no Chile, está acompanhando com preocupação essa discussão. “Nós conversamos com o ministério [de Minas e Energia] diariamente sobre esse assunto. Se pudéssemos, 24 horas, sete dias por semana, nós estaríamos lá”, disse Rolla. “Qualquer que seja o cenário, temos de fazer uma avaliação sobre qual será a nossa atitude. E nós temos que acompanhar isso de perto.”
As declarações do executivo foram feitas durante entrevista coletiva em Belo Horizonte para detalhar os resultados da empresa no segundo trimestre. No período, a empresa registrou um aumento de 29% em seu lucro líquido consolidado, que saltou para R$ 523 milhões em relação ao segundo trimestre de 2010. A receita operacional líquida da empresa teve alta de 11% indo a R$ 3,8 bilhões.
Na opinião do executivo, para atender o objetivo dos empresários de energia mais barata, o caminho deveria ser aumentar a oferta de energia no país, o que levaria, na avaliação dele, uma queda natural das tarifas.
“O componente maior do preço de energia é a disponibilidade de energia no mercado. Os preços hoje estão praticamente o preço de 2006. Se você for vender um megawatt no mercado hoje é praticamente o preço de 2006. Já esteve 60% maior e caiu. O que fez cair? O excesso de capacidade de geração no mercado. Então é preferível atuar no lado da oferta do que restringir o custo. É preferível aumentar a oferta.”
Caso o governo encampe a ideia dos empresários e realize novos leilões, a Cemig, disse Rolla, participará das disputas e das novas licitações. “Qualquer que seja a decisão, a Cemig está muito bem posicionada, porque mais de 90% de nossa capacidade é de longo prazo”, disse ele. “O que não significa que vamos defender essa posição, de maneira nenhuma. Nós entendemos que o justo seria prorrogar as concessões.”
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