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Brasil precisa de R$ 2,03 trilhões para superar desafios de infraestrutura e transporte

É diante desse cenário que a CNT lançou o “Plano CNT de Transporte e Logística 2026”, estudo que reúne 2.837 projetos prioritários e estima em R$ 2,03 trilhões o investimento necessário para superar os principais gargalos da infraestrutura de transporte e logística do país

Mundo Logística

04/08/2026 14h14


Os custos logísticos no Brasil saltaram de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025. É diante desse cenário que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou o “Plano CNT de Transporte e Logística 2026”, estudo que reúne 2.837 projetos prioritários e estima em R$ 2,03 trilhões o investimento necessário para superar os principais gargalos da infraestrutura de transporte e logística do país.

O documento será apresentado nos dias 18 e 19 de agosto, em Brasília, durante o Fórum CNT de Debates. Esse plano foi lançado junto com a publicação “O Transporte Move o Brasil – Propo

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Os custos logísticos no Brasil saltaram de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025. É diante desse cenário que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou o “Plano CNT de Transporte e Logística 2026”, estudo que reúne 2.837 projetos prioritários e estima em R$ 2,03 trilhões o investimento necessário para superar os principais gargalos da infraestrutura de transporte e logística do país.

O documento será apresentado nos dias 18 e 19 de agosto, em Brasília, durante o Fórum CNT de Debates. Esse plano foi lançado junto com a publicação “O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao país” — que será entregue aos candidatos à Presidência da República no mesmo evento.

A carteira de projetos do Plano CNT 2026 está distribuída em 2.509 projetos de Integração Nacional - envolvendo as grandes rotas que conectam regiões do país e países vizinhos, essenciais para o escoamento de cargas e movimentação de pessoas - e 328 projetos de mobilidade urbana, voltados ao transporte de passageiros.

Do total de R$ 2,03 trilhões estimados, o estudo explica a divisão por modal: R$ 1,1 trilhão será destinado para o ferroviário, R$ 511,5 bilhões para o rodoviário, R$ 173,1 bilhões para o hidroviário, R$ 125,1 bilhões para a infraestrutura portuária, R$ 36,9 bilhões para terminais, R$ 28,3 bilhões para aeroportos e R$ 7,5 bilhões para o aquaviário.

A metodologia do documento combina a atualização dos projetos de edições anteriores com a análise de programas estratégicos do Governo Federal e as demandas apresentadas por entidades do setor transportador.

Nesta edição, foram incorporadas iniciativas do Novo PAC, do Plano Nacional de Logística (PNL 2035) e de planos setoriais específicos, além de intervenções voltadas a resolver problemas identificados pela Pesquisa CNT de Rodovias.

Entre os projetos previstos, estão 152 obras de duplicação de rodovias, que somam quase 10,3 mil km e investimentos de aproximadamente R$ 163,4 bilhões. O estudo também aponta 90 projetos em áreas portuárias, envolvendo 137 unidades e cerca de R$ 22,7 bilhões em aportes.

De acordo com o documento, o custo logístico é historicamente elevado, mas aumentou significativamente na última década. Em 2014, as despesas logísticas no país representavam 10,4% do PIB; já em 2024, esses valores alcançaram 15,6% desse indicador. O número se manteve estável em 2025 (15,5%).

Para a CNT, “tal cenário possui relação direta com a qualidade e a oferta da infraestrutura de transporte, além de evidenciar ineficiências sistêmicas e contribuir para a diminuição da competitividade do setor produtivo nacional.”

Além disso, o cálculo do custo logístico brasileiro traz outro problema já conhecido por quem opera transportes no país: um desequilíbrio modal. O transporte rodoviário responde por 65,8% da matriz brasileira - uma concentração muito acima da observada em outras economias de dimensão territorial semelhante, como a União Europeia (50%), os Estados Unidos (43%), a China (35%) e a Austrália (27%).

De acordo com a entidade, esses países distribuem melhor a movimentação de cargas entre ferrovias, hidrovias e cabotagem. “Esse equilíbrio induz a redução de custos por unidade movimentada e favorece a geração de emprego, renda e excedentes para o reinvestimento na própria cadeia logística”, apontou a CNT.

Dessa forma, a entidade revelou a necessidade de ampliar o nível de investimentos em infraestrutura, que, historicamente, situa-se em patamar muito inferior ao necessário, para promover a adequada expansão e modernização do sistema de transporte.

De acordo com estimativa do Banco Mundial, o Brasil deveria investir cerca de 3,7% do PIB, anualmente, em infraestrutura de transporte para suprir suas lacunas estruturais. Porém, na média dos últimos 10 anos (2015 a 2025), esse percentual, considerando os aportes do Governo Federal, foi de apenas 0,15% ao ano.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, planejar é condição indispensável para transformar a infraestrutura do país. “O estudo prioriza intervenções capazes de promover maior integração entre os modos de transporte, reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia e tornar a infraestrutura mais resiliente e sustentável”, completou.

A entidade também defendeu que uma rede logística mais eficiente reduz custos operacionais, amplia a produtividade das empresas, melhora o acesso aos mercados consumidores e fortalece a inserção do Brasil no comércio internacional.

De acordo com a CNT, a combinação entre planejamento técnico, ambiente regulatório estável e ampliação das fontes de financiamento é fundamental para acelerar a execução das obras e garantir maior eficiência ao sistema de transporte.

A entidade representa um setor de mais de 198 mil empresas, presente em 98,1% dos municípios brasileiros e responsável por mais de 2,9 milhões de empregos formais.

Ao lado do Plano CNT 2026, a CNT lançou também a publicação “O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao país” — que será entregue aos presidenciáveis. No documento, a entidade argumenta que o transporte é um dos pilares para o crescimento e desenvolvimento econômico e social de uma região ou país.

Elaborado em conjunto com as entidades representativas do setor, a publicação reúne recomendações em diferentes eixos que buscam fortalecer todos os modos de transporte, aprimorar a logística nacional e ampliar a competitividade da economia.

Entre as propostas para a cadeia logística brasileira, o documento defende a recomposição dos investimentos públicos, a aprovação da PEC da Infraestrutura (PEC nº 1/2021), a destinação integral dos recursos da Cide-combustíveis para obras de transporte e a ampliação das fontes de financiamento via mercado de capitais e organismos multilaterais.

A entidade também propõe o fortalecimento da segurança pública para o setor, com endurecimento das penas para roubo de cargas e crimes contra profissionais do transporte, e reforço do policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias.

Escala 6X1 - O documento ainda analisou a redução da jornada e o fim da escala 6×1, que estão em tramitação no Congresso Nacional. De acordo com a CNT, o debate vai além da jornada e envolve a capacidade do país de manter mobilidade e abastecimento com previsibilidade.

“A CNT sustenta que discutir o fim da escala 6×1 no setor significa discutir como o Brasil garante mobilidade, abastecimento e serviços essenciais e que qualquer mudança abrupta impacta não apenas as empresas e os empregados, mas também o funcionamento cotidiano da sociedade”, afirmou a entidade.

Segundo o estudo técnico “Redução de jornada, mudança de escalas e bem-estar social no setor de transportes”, divulgado recentemente pela CNT, aponta que o fim da escala 6×1 pode provocar, no longo prazo, um impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte.

Coordenado pelo sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Pastore e pelo economista Paulo Rabello de Castro, o levantamento indica que a mudança, sem ajuste proporcional de salários, provocaria um aumento imediato de 10% no valor da hora trabalhada. No setor de transporte, onde 92,5% dos profissionais atuam dentro do limite atual, o impacto seria uma alta de 8,6% nos custos com pessoal.

Nesse cenário, a entidade defende que as mudanças precisam ser setorialmente calibradas, acompanhadas de medidas de produtividade, qualificação e segurança e ancoradas na negociação coletiva, preservando a adequação das escalas à realidade de cada operação.

Transição energética - Em relação aos combustíveis, a CNT ressaltou que o alto custo e a volatilidade dos combustíveis configuram entraves relevantes à previsibilidade e à competitividade do setor de transporte.

“No campo logístico, persistem vulnerabilidades estruturais e regionais no abastecimento de combustíveis que impactam diretamente a eficiência e a segurança do fornecimento no território brasileiro.”

De acordo com o órgão, a superação desses gargalos requer investimentos na criação e modernização de estruturas de armazenamento e distribuição, visando à redução de custos operacionais e ao aumento da confiabilidade logística, especialmente em regiões mais afastadas dos principais centros produtores e consumidores.

Dessa forma, se tornou essencial, segundo a entidade, ampliar a transparência na formação de preços e fortalecer os mecanismos de fiscalização ao longo da cadeia de refino e distribuição, com o intuito de preservar a concorrência e coibir práticas distorcivas. “A expansão da capacidade nacional de refino constitui elemento importante para reduzir a dependência externa e mitigar as oscilações de preços no mercado interno”, defendeu o órgão.

A CNT também destacou que a adoção de estoques estratégicos de combustíveis, especialmente de óleo diesel, contribui para aumentar a adaptabilidade do país frente a choques de oferta e eventos geopolíticos. Além das fontes fósseis, a entidade defende a pluralidade energética como uma medida importante que permite a ampliação de alternativas que podem ser utilizadas pelo setor.

Na transição energética, a entidade propõe um processo planejado em etapas de curto, médio e longo prazos. No curto prazo, o órgão aposta no óleo vegetal hidrotratado (HVO) e no biometano.

No médio prazo, a eletromobilidade é vista como “promissora” para o transporte urbano de menor distância do que para as longas rotas do transporte de cargas, dada a autonomia limitada, o tempo de recarga e a perda de capacidade útil dos veículos elétricos.

Para ampliar a adesão da tecnologia, são necessários avanços em duas frentes: na infraestrutura de carregamento e na disponibilização de recursos e estímulos financeiros para a aquisição de veículos elétricos.

Já no longo prazo, a CNT aposta no hidrogênio renovável como opção para a matriz energética do setor, dependendo de avanços tecnológicos e da construção de infraestrutura de produção, distribuição e abastecimento.

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