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Acredite: Afeganistão tem US$ 1 trilhão

Descoberta no Afeganistão de uma das maiores reservas minerais do mundo pode significar uma era de prosperidade para um país destruído por uma guerra sem fim

IstoÉ

22/06/2010 13h38 | Atualizada em 22/06/2010 18h50


Nas últimas décadas, o Afeganistão sempre apareceu com destaque no noticiário internacional. Mas nunca foi por um bom motivo. Atentados terroristas perpetrados por integrantes do talibã, a procura por Osama Bin Laden, a ocupação americana e as discussões acaloradas que o fato acarretou, tudo isso fez do país um rosário de tragédias.

Na semana passada, o Afeganistão, enfim, trouxe algo que merece comemoração. Um estudo do Pentágono,  que vazou para a imprensa americana, apresentou um dado impressionante: debaixo das geladas montanhas afegãs (montanhas essas que servem de esconderijo para terroristas e, especula-se, até para Bin Laden) escondem-se re

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Nas últimas décadas, o Afeganistão sempre apareceu com destaque no noticiário internacional. Mas nunca foi por um bom motivo. Atentados terroristas perpetrados por integrantes do talibã, a procura por Osama Bin Laden, a ocupação americana e as discussões acaloradas que o fato acarretou, tudo isso fez do país um rosário de tragédias.

Na semana passada, o Afeganistão, enfim, trouxe algo que merece comemoração. Um estudo do Pentágono,  que vazou para a imprensa americana, apresentou um dado impressionante: debaixo das geladas montanhas afegãs (montanhas essas que servem de esconderijo para terroristas e, especula-se, até para Bin Laden) escondem-se reservas minerais de US$ 1 trilhão.

De acordo com o Pentágono, ali estão algumas das maiores jazidas de lítio, ouro e ferro do planeta. Mais ainda: a descoberta envolve quantias tão elevadas de metais fundamentais para a indústria que podem fazer do Afeganistão um dos maiores centros de mineração do planeta. “O potencial das minas do Afeganistão é algo simplesmente formidável”, disse o general David H. Petraeus, porta-voz do Pentágono. Afinal, o que uma descoberta deste porte representa para um país destruído por uma guerra sem fim?

Para se ter uma ideia do que o valor representa, estima-se que todo o pré-sal brasileiro alcance US$ 7 trilhões. A diferença é que o Produto Interno Bruto do Brasil soma US$ 1,5 trilhão. Numa conta simples, é razoável afirmar que o pré-sal vale pouco mais de quatro vezes a riqueza em circulação no País. Como o PIB do Afeganistão é de US$ 12 bilhões, as jazidas reveladas pelo governo americano são 80 vezes mais valiosas do que toda a economia afegã. Ou seja, o país tem o direito de sonhar com uma inédita e surpreendente era de prosperidade. “Com a descoberta, o Afeganistão pode virar uma espécie de Kuwait”, diz o economista Ricardo Amorim.

Antes de o petróleo jorrar das profundezas de seu território, o Kuwait era um país pobre que vivia essencialmente da pesca. Hoje, é uma das maiores potências do Oriente Médio, com um PIB de US$ 180 bilhões e uma das maiores concentrações per capita de bilionários do planeta. O Afeganistão passará pela mesma transformação?

É cedo para saber – mas  é correto afirmar que se trata de um processo demorado. Atualmente, não existe uma única indústria ou infraestrutura de mineração no país e o governo americano calcula que serão necessárias mais de duas décadas para que as jazidas deem lucro.

A descoberta das reservas minerais de US$ 1 trilhão representa uma grande oportunidade econômica também para os Estados Unidos. Entre outras aplicações, o lítio guardado nas montanhas afegãs é usado na produção de carros elétricos. As baterias de íons de lítio são utilizadas nos veículos híbridos porque contêm mais energia com menos peso que outros materiais e porque perdem carga mais lentamente.

O Afeganistão, portanto, estaria sintonizado com uma das maiores demandas econômicas do século 21. Num certo sentido, o país representa o futuro. Numa comparação simplificada, pode-se dizer que o Iraque, ocupado pelos Estados Unidos desde 2003, pode simbolizar o passado.

Dono da segunda maior reserva de petróleo do planeta, o Iraque depende essencialmente de um produto que provavelmente terá sua demanda reduzida nos próximos anos – graças inclusive ao avanço de novas opções de geração de energia, como a eletricidade que vai movimentar os carros do futuro.

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