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10 de abril de 2014
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Entrevista

Um novo pré-sal trazido pelos ventos

O Brasil aprende com erros e acertos do passado e o setor se consolida, devendo chegar a 9,5% da matriz energética até 2022

O mercado eólico está alcançando uma posição de importante fonte de energia em todo o mundo, de maneira muito rápida.  Recentemente, o GWEC – conselho global de energia eólica, divulgou as estatísticas de 2013, revelando uma capacidade cumulativa de 318.137 MW, o que representa um aumento de quase 200.000 MW nos últimos cinco anos, em todo o mundo.

No Brasil, o setor começa a colher os frutos primeiros dessa modalidade de geração de energia, depois de uma fase inicial de percalços e experimentações. Com 4,7GW de potência contratada nos leilões de energia do mercado regulado (ACR), 142% a mais do que a meta de 2GW, 2013 foi um ano recorde, segundo com dados da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). No mesmo ano, foram realizados quatro leilões de energia proveniente de novos empreendimentos e a fonte eólica foi contemplada para participar em três deles. Com o volume total de energia eólica contratada em 2013, a estimativa dos investimentos do setor chega a R$ 21,2 bilhões.

Segundo Elbia Melo, presidente da Abeeólica, o potencial eólico brasileiro é estimado em 300GW.  O crescimento anual médio esperado para esta fonte é de 2,0GW. Em uma projeção para 2022, segundo publicação do Plano Decenal de Energia, pesquisa realizada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil terá 17GW de capacidade eólica instalada, o que corresponderá a 9,5% da matriz energética.

Nesta entrevista, Elbia Melo destaca que o mercado brasileiro cresceu com base nas leis do mercado, ao contrário do mercado europeu, que foi impulsionado por políticas públicas de subsídios, e que hoje sofre com a crise financeira na região. “O Brasil tem um perfil de mercado exemplar, invejado pelos outros países. As novas regras do mercado, o potencial brasileiro e o apetite das empresas estrangeiras, que estão se instalando por aqui, não deixam dúvidas sobre o futuro promissor do setor”, enfatiza.

Revista Grandes Construções - O primeiro leilão de energia eólica ocorreu em 2009. Como se pode avaliar o desenvolvimento do mercado brasileiro desde então, tanto em termos dos leilões como em empreendimentos efetivamente executados.

Elbia Melo - O mercado se desenvolveu consideravelmente desde 2009. Verifica-se que, especialmente nos anos de 2012 e 2013, houve um aumento expressivo de projetos inscritos e também em contratação. Com relação aos preços praticados nos últimos leilões, há que registrar que são adequados para sustentar toda a cadeia produtiva do setor eólico no Brasil. O Brasil chegou ao patamar atual muito mais pelas condições do mercado do que propriamente pelas políticas governamentais. O mercado europeu, por exemplo, cresceu à base de subsídios de governos e hoje está sofrendo porque esses subsídios estão acabando. Nesse sentido, o Brasil hoje é considerado até um modelo, já que o seu mercado atingiu rapidamente um bom nível de competição, de amadurecimento, sem depender propriamente de uma política governamental.