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26 de fevereiro de 2014
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Geologia - Matéria de Capa

Tragédias anunciadas

Eventos climáticos desafiam o governo, que precisa se preparar para futuras ocorrências e seus impactos sobre as populações. Geólogos denunciam a falta de políticas públicas para o setor

Mais de 20 mortes, 61 mil casas atingidas, 52 municípios afetados. Este é o balanço das chuvas que atingiram o estado do Espírito Santo, durante o mês de dezembro de 2013. As chuvas provocaram enchentes que destruíram pontes, rodovias, casas, aniquilando bairros inteiros. Afetaram também a produção agropecuária na região e interromperam as vias de acesso ao litoral. A vida em diversas cidades agora terá de ser reconstruída.

Em São Paulo, o pequeno município de Itaoca, no Vale do Ribeira, foi praticamente devastado por um temporal, registrando um volume de 23 óbitos, a exemplo do que já ocorreu em São Luiz do Paraitinga e Cunha, também atingidas e destruídas por fortes chuvas em anos anteriores. Nessas duas cidades, foram colocados sensores que avisam quando o rio está começando a subir, alternativa que pode ser adotada também em Itaoca.

Em Angra dos Reis, Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, a Defesa Civil decretou estado de emergência em 3 de janeiro, por causa de chuvas fortes que resultaram em vários deslizamentos, com pelo menos 15 pessoas feridas e centenas de desabrigados, a maioria alojados provisoriamente em escolas municipais. Os bairros mais atingidos foram Bracuí, Santa Rita, Frade e Parque Mambucaba. Dois anos antes, a Baixada Fluminense, também no Rio de Janeiro, enfrentou a maior tragédia climática da história do Brasil, com 918 mortos, após o temporal que castigou sete municípios. As cidades mais atingidas foram Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Bom Jardim, Areal, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. Em Angra dos Reis, em 2010, uma série de deslizamento deixou 30 mortos além de outros 11 óbitos em outros municípios.

Em todos esses casos, fica a amarga constatação de que o País não está suficientemente preparado para antever altos volumes pluviométricos nem para reduzir os impactos negativos desses fenômenos. A cada ano, os eventos se sucedem, afetando a todas as regiões. Depois da tragédia, recursos são destinados para ações emergenciais e, geralmente, paliativas. Mas ainda falta uma política preventiva que inclua programas de urbanização, controle da ocupação do solo, e principalmente, recursos para monitoramento das chuvas e das enchentes. Enquanto isso não for feito em grande escala, nas áreas consideradas críticas, como regiões serranas e vales de rio, mais ocorrências irão acontecer com perdas materiais e de vidas humanas.