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26 de julho de 2018
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Sustentabilidade

Selo Verde para obras de infraestrutura

Poder público deve ser o principal agente de transformação do mercado

O Brasil está na 4ª posição do Ranking Anual dos 10 Países e Regiões com o maior número de projetos sustentáveis com selo LEED, logo atrás de China, Canadá e Índia, de acordo com o U.S. Green Building Council (USGBC). Em janeiro último, registravam-se 460 empreendimentos com certificados LEED totalizando 14.8 milhões de metros quadrados. A certificação LEED, ou Leadership in Energy and Environmental Design, é a ferramenta de orientação ambiental para edifícios sustentáveis mais utilizada no mundo, presente em 167 países, com mais de 205.800 de metros quadrados de área certificada diariamente. O LEED é uma solução global, regional e local que fornece parâmetros para edifícios, comunidades e cidades criarem espaços saudáveis, altamente eficientes e econômicos, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade de vida de seus ocupantes.

Myriam Tschiptschin

No entanto, esse avanço refere-se sobretudo a obras e edificações da construção civil e mercado imobiliário, e não aconteceu na mesma velocidade para o setor de infraestrutura.  Mas essa realidade tende a mudar com novos reagentes nessa área.  Em janeiro, o secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos, anunciou a criação da Certificação Acreditada, uma modelo de certificação de qualidade para os projetos de infraestrutura.  Ainda não se trata de uma certificação verde específica para o setor de infraestrutura, mas trata-se de um passo importante para que as obras de infraestrutura acompanhem o avanço verificado para as obras corporativas e residenciais que se alastram pelo país em que as certificações evoluíram até as certificações verdes, quase fundindo-se em um modelo único de certificação.

Necessidade de inovação

De acordo com Myriam Tschiptschin, líder do Núcleo de Smart Cities e Infraestrutura Sustentável e coordenadora de parcerias e inovação, o problema não está na falta de certificações, uma vez que fora e dentro do Brasil já existem diversas certificações que atendem a projetos específicos de infraestrutura. “Embora as Parcerias Público Privadas (PPPs) e as Concessões tenham cada vez mais participação na viabilização das obras de infraestrutura, os editais continuam sendo formulados pelo Poder Público nos mesmos moldes anteriores, com poucos requisitos ambientais e pouco espaço para inovação”. No entanto, esse cenário caracterizado pela falta de incentivos públicos não deve ser encarado como um entrave a sua viabilidade. Para ela, o maior desafio para o Brasil não é criar certificações próprias, mas sim introduzir de forma significativa estratégias de sustentabilidade em suas obras de infraestrutura. “Isso pode ocorrer independentemente de certificações ou por meio dos selos existentes internacionais. Além de consistentes e consagrados, todos eles são passíveis de adaptações regionais. Vale ressaltar o crescente número de políticas públicas que visam dar incentivos ao setor privado para implementarestratégias de sustentabilidade, como por exemplo através da Quota Ambiental de São Paulo e outros selos verdes municipais, que oferecem incentivos fiscais na implementação de estratégias verdes na aprovação de projetos”, destaca.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral