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16 de maio de 2013
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Matéria de Capa - Porto Maravilha

Museu de Arte do Rio: como uma onda no mar

Domingo, 23 de setembro de 2012. Ao visitar as obras do Museu do Amanhã, com projeto arquitetônico de sua autoria, em construção no Píer Mauá, o renomado arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava teria erguido o olhar e avistado, nas proximidades, uma imensa estrutura em concreto, com 1.650 m2 de área plana, que parecia flutuar, em movimento sinuoso, sobre dois prédios que estavam sendo reformados. Admirado, Calatrava teria exclamado: “Muy audaz!”.

Os prédios, que ele pediu para ver de perto, eram o Palacete Dom João VI, de estilo eclético, construído em 1916, e o seu vizinho, um edifício modernista, construído no final da década de 1940, para abrigar o Hospital da Polícia Civil do Rio de Janeiro e um terminal rodoviário. A unir prédios de estilos tão distintos, tornando-os um conjunto arquitetônico singular, a cobertura fluida em concreto, extremamente leve, simulava a ondulação da superfície da água, sustentada por finas colunas. Os prédios passavam por um grande trabalho de retrofit para receberem, respectivamente, o Museu de Arte do Rio (MAR) e a Escola do Olhar que, juntos, se constituem em outra grande âncora cultural do programa de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro.

O elogio de Santiago Calatrava, destacando a audácia do projeto, foi repetido milhares de vezes, como um mantra, enchendo de orgulho a todos os envolvidos no projeto do MAR.

O complexo se propõe a criar projetos de educação e arte envolvendo professores, educadores e alunos. O empreendimento é fruto da parceria da Prefeitura do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho, com curadoria geral do celebrado crítico Paulo Herkenhoff. O projeto arquitetônico é do escritório Bernardes+Jacobsen Arquitetura, com cálculo estrutural de Bruno Contarinni para a cobertura.

O museu inaugurado em março, recebeu, por empréstimo, obras de algumas das melhores coleções públicas e privadas do Brasil, até a formação de acervo próprio. Já a Escola do Olhar conta com uma proposta inovadora: propiciar o desenvolvimento de um programa educativo de referência para ações no Brasil e no exterior, conjugando arte e educação. Por meio dela, o MAR vai atuar de maneira integrada na formação continuada dos professores da rede municipal de ensino e no recebimento dos estudantes das escolas públicas.

De acordo com a arquiteta Claudia Continho, Coordenadora de Projetos da Fundação Roberto Marinho, responsável pela supervisão das obras e do projeto do complexo, o empreendimento foi iniciado no final de 2009, a princípio para restaurar apenas o palacete, transformando-o em uma pinacoteca. “Mas nós percebemos que o projeto poderia ser muito maior, agregando o prédio vizinho, a fim de transformá-lo numa escola de arte”. Ela explica que são dois prédios com estilos arquitetônicos e histórias completamente diferentes, o que representava um desafio criar uma identidade visual entre eles.