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04 de outubro de 2013
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Entrevista / Metrô-SP: os desafios da mobilidade sustentável

O resultado desse trabalho deverá direcionar investimentos previstos com recursos federais para o setor, da ordem de R$ 50 bilhões.

Grandes Construções – A Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (Aeamesp) realizou no início de setembro a Semana de Tecnologia Metroferroviária. Quais os objetivos deste evento, seus principais temas e em que contexto ele aconteceu?

José Geraldo Baião – Esta foi a 19ª edição do encontro. Desde a primeira edição nós nos empenhamos em fazer dele um fórum de intercâmbio de experiências dos profissionais, envolvendo tecnologias e metodologias de trabalho, nas áreas de planejamento, projetos, manutenção e construção de sistemas metroviários. Mas, ao longo do tempo, resolvemos ampliar a discussão, tornando o evento mais abrangente. Assim, passamos a discutir toda a matriz do transporte sobre trilhos, e o encontro passou a ser um evento do setor metroferroviário. Também incorporamos as discussões sobre políticas públicas de transporte e mobilidade nos centros urbanos, tendo como foco as soluções sobre trilhos para o transporte de massa. Esse ano, o tema central da 19ª Semana de Tecnologia Metroferroviária foi Os Desafios da Mobilidade Sustentável. É um tema que encerra grandes desafios tanto para os gestores públicos quanto para a iniciativa privada que atua no setor. Por isso, durante os quatro dias de sua realização, o encontro reuniu autoridades, técnicos das operadoras, representantes da indústria e profissionais do setor.

Grandes Construções – As recentes manifestações, que arrastaram multidões para as ruas em protestos por todo o País, tiveram como motivação inicial os problemas de transporte público e mobilidade nas cidades brasileiras. Que contribuição a Aeamesp tem dado na busca de soluções para essas questões?

José Geraldo Baião – Nossa contribuição é inicialmente promover a discussão das questões importantes, relacionadas à mobilidade urbana nas grandes e médias cidades e na adoção de propostas de soluções sustentáveis, sob os pontos de vista técnico, econômico, social e ambiental. Esse tem sido o papel da Aeamesp como membro integrante do Comitê Técnico de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana, do Conselho Nacional das Cidades.

Grandes Construções – Como atua o Conselho?

José Geraldo Baião – O Conselho das Cidades foi criado pela presidente da República, Dilma Rousseff, para a elaboração de um pacto nacional para melhorar a qualidade do transporte público no País e para a criação do Plano Nacional de Mobilidade Urbana. O Conselho é formado, ainda, por governadores e prefeitos, representantes dos ministérios das Cidades e do Planejamento, empresas operadoras do transporte e trabalhadores do setor, entidades acadêmicas e de pesquisa, representantes dos movimentos sociais urbanos e de ONGs que atuam no setor do transporte e mobilidade urbana. Todos esses entes levam para o Conselho as suas visões e experiências sobre planejamento do transporte público, qualidade e custo do transporte e sobre a infraestrutura necessária. As discussões travadas no âmbito do Conselho deverão também contribuir para pôr em prática a Lei nº 12.587/12, conhecida como Lei da Mobilidade Urbana, sancionada pela Presidente da República em abril do ano passado. Essa lei contém dispositivos que priorizam o transporte público sobre o individual, e fixam como obrigatoriedade, para todos os municípios com mais de 20 mil habitantes, a elaboração de planos diretores de mobilidade, como pré-requisito para terem acesso a financiamentos do governo federal para sistemas de transporte.