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04 de outubro de 2013
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Entrevista

Metrô-SP: os desafios da mobilidade sustentável

É praticamente impossível se pensar em viver hoje na região metropolitana de São Paulo sem seu sistema de metrô. Com uma malha de 74,3 km de extensão – pequena para as necessidades da região e sua população, 58 estações, o sistema atende a aproximadamente 4 milhões de passageiros por dia. Cerca de 70% das viagens correspondem a idas e vindas de trabalhadores de suas residências aos locais de trabalho.

Juntos, Metrô e CPTM – a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – respondem pela movimentação de nada menos que 7 milhões de passageiros/dia, de um total de 19,8 milhões que vivem na área conhecida popularmente como “Grande São Paulo”. A região, onde se estima que viva hoje o equivalente a 10% de toda a população do Brasil, é o principal centro financeiro da América Latina e responde por aproximadamente 19% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Apesar da importância nesse contexto socioeconômico, a rede metroviária de São Paulo é a terceira em extensão no ranking da América Latina, ficando atrás não apenas da rede da Cidade do México, mas também da de Santiago, do Chile, cuja população é praticamente a metade da paulistana. Enquanto isso, as ruas e avenidas da cidade registram sucessivos recordes de congestionamentos, causados pela maior frota de carros particulares do país, que em abril de 2013 alcançou a cifra de 7.429.805 unidades.

O grande desafio do sistema é, portanto, crescer de forma sustentável, oferecendo para a região metropolitana um transporte eficiente, confiável, confortável, rápido e a preços acessíveis, convertendo-o em uma opção capaz de atrair usuários do transporte individual. Isso significa não só crescer em extensão de malha, mas investir em tecnologia para reduzir, de forma segura, os intervalos entre trens. Significa ainda fazer parte de um sistema integrado de que participem os diversos modos de transporte, de forma complementar.

Para entender o tamanho desse desafio, Grandes Construções entrevistou José Geraldo Baião, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (Aeamesp). Ele fala das qualidades e dos problemas do sistema que é benchmarking entre os metrôs mais adensados do mundo.

Baião faz parte do grupo encarregado de finalizar, com assessoria externa, o documento que consolidará um amplo conjunto de propostas ao governo federal para o Pacto Nacional de Mobilidade Urbana. As propostas vêm sendo recolhidas e sistematizadas, desde julho, no âmbito do Comitê Técnico de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana, do Conselho Nacional das Cidades, com participação também de representantes dos ministérios das Cidades e do Planejamento, Orçamento e Gestão, além de representantes de organizações e movimentos convidados.