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16 de março de 2015
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Portos

Jogo travado nos portos

Setor ainda vive impasse que impede sua modernização e melhorias dependem de ações de emergência do governo

Sem ter conseguido deslanchar os investimentos privados no âmbito dos portos, o governo federal prevê ações integradas entre os ministérios da Agricultura, Portos e Transportes para enfrentar o desafio de exportar parte das 202 milhões de toneladas de grãos previstas para a safra 2014/2015. A estimativa é de que apenas o complexo seja responsável pelo embarque de 64,2 milhões de toneladas de grão e farelo neste ano. Mesmo com o recuo nas cotações das commodities, o governo espera elevar em 6,2% as exportações nacionais de grãos neste ano. Isso porque a desvalorização de 18% no preço da soja é parcialmente compensada pela alta de 15% na cotação do dólar. A exportação desses produtos passa obrigatoriamente pelo transporte portuário, setor que ainda demanda um ciclo de modernização, proposto pela nova Lei dos Portos, sancionada em junho de 2013, mas que efetivamente ainda não saiu do papel.

A ministra da Agricultura Kátia Abreu e os ministros dos Portos, Edinho Araújo, e dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, anunciaram medidas destinadas justamente a evitar que o escoamento da nova safra deste ano seja marcado por filas de caminhões nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), imagem que vem se repetindo já há alguns anos nos portos brasileiros. Mesmo não sendo a opção mais econômica, as duas instalações ainda são as mais utilizadas para a exportação de grãos no País.

Para esses dois terminais, o governo promete aperfeiçoar o sistema de agendamento que, no ano passado, ajudou a reduzir o custo do frete em 7%, segundo cálculos oficiais. De manual, o sistema passará a ser eletrônico. O governo também promete credenciar mais um pátio para que os caminhões aguardem autorização até ingressar nos terminais. "Essa iniciativa lançada no ano passado deu resultado positivo", disse Edinho Araújo. A ministra Kátia Abreu estimou uma economia de 70% na taxa paga às embarcações pela demora no carregamento.

Nos portos do Norte, o problema é o acesso aos terminais. Uma das principais vias, a BR-163, ainda não está totalmente asfaltada até o porto fluvial de Miritituba (PA). O asfaltamento dessa rodovia se arrasta há 40 anos, como reconheceu o secretário executivo dos Transportes, Anivaldo Vale. As obras de pavimentação estão contratadas, mas estima-se que só estejam concluídas no fim de 2016. Por ora, o governo lançará mão de soluções paliativas, como o cascalhamento da via e a oferta de tratores para desencalhar caminhões.