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29 de julho de 2013
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Entrevista

Falta de informação dificulta a recuperação da malha rodoviária

Entrevista com Túlio Bittencourt , Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon)

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou, no início de junho deste ano, que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) identifique, em caráter emergencial, pontes e viadutos pertencentes à malha rodoviária federal que estão em situação crítica. O Dnit, segundo o TCU, deverá ainda promover a reparação urgente desse patrimônio, estabelecendo critérios, metodologia e plano de ação para a prevenção periódica das estruturas menos comprometidas.

Segundo um relatório do Tribunal, 4.469 pontes e viadutos sob jurisdição do órgão um patrimônio estimado em R$ 13 bilhões – distribuídos em uma malha rodoviá­­ria de 50 mil quilômetros em todo o Brasil, encontra-se, neste momento, abandonado e sem um programa efetivo de manutenção e recuperação.

O Dnit chegou a montar um sistema para catalogar essas obras de arte, mas parou de abastecer o banco de dados com informações, o que criou uma lacuna na manutenção das rodovias brasileiras.

O tema foi debatido durante o seminário "Desempenho e Segurança das Estruturas de Concreto”, que integrou o Construction Congresso, evento paralelo à Construction Expo 2013, promovido pela Sobratema, de 5 a 7 de junho, no Centro de Convenções imigrantes, em São Paulo.

Para o engenheiro Túlio Bittencourt, Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), esse é o principal entrave para a realização de um programa sério de recuperação desse patrimônio: falta informação. Na maioria dos casos, não se sabe quando essas estruturas foram construídas, que métodos construtivos foram empregados, a que esforços elas foram submetidas e, portanto, qual o seu verdadeiro estado de fadiga. Bittencourt acredita que será necessário um grande esforço concentrado, envolvendo a comunidade técnica e os órgãos governamentais, para salvar a malha rodoviária nacional.

E isso tem que acontecer antes que ocorra um colapso na logística de transporte do País, que já começa a dar sinais de sua presença.

A situação é muito grave. Apenas 25% das obras de arte que integram a malha rodoviária nacional estão cadastradas no sistema de gerenciamento informatizado mantido pelo Dnit. O Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais (SGO) deveria ser usado para inspeções regulares nas obras, mas o TCU constatou que os dados estão desatualizados. As últimas informações qualitativas inseridas no sistema remontam a 2004, não refletindo o atual estado das estruturas.