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20 de dezembro de 2011
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Entrevista

De olho no rock and roll e no pré-sal

Segmento de rental de máquinas e equipamentos para construção aposta no crescimento do mercado brasileiro

O Brasil vive um momento de forte expectativa no segmento de locação de máquinas. Com a expansão dos investimentos em obras de infraestrutura, e o grande número de projetos, o parque de máquinas nacional terá de suprir uma demanda em acentuada curva de crescimento. A alternativa é proposta pelo segmento do rental, que ocupa hoje cerca de 20% do mercado brasileiro. Nos países desenvolvidos, essa margem chega a 80%.

“Daí uma grande margem para o crescimento”, destaca Paulo Esteves, diretor da Solaris, empresa com atuação 100% focada no rental.  Para ele, o mercado de locação tem tudo para deslanchar no Brasil, nos próximos anos, graças à proximidade dos grandes eventos desportivos, como Copa de 2014 e Jogos Olímpicos, bem como a grande agenda de projetos de mobilidade urbana e de infraestrutura que o País tem na ordem do dia.

Paulo Esteves destaca, nessa entrevista para a Revista Grandes Construções, a importância, para o aquecimento do segmento de locação de máquinas para construção, da inclusão do Brasil no roteiro dos grandes shows de astros internacionais do rock e da música pop, e a grande demanda por soluções para a cadeia de produção de petróleo e gás, produzidos no pré-sal.

Grandes Construções – Neste momento, como está o comportamento do mercado de locação no Brasil?

Paulo Esteves –

A locação sempre teve uma participação muito tímida em países como o Brasil e nos países emergentes. Mas a partir de 2008, esse mercado, notadamente no Brasil, começou a ter um forte impulso, a partir da consolidação dos projetos de infraestrutura, resultando no aumento da oferta de produtos e também dos próprios investimentos no setor. Há um indicador no setor, chamado rental penetration, que aponta o percentual das máquinas que são vendidas ao mercado e que percentual desses se dirige a empresas de locação. O país mais desenvolvido do mundo nesse mercado de locação, de acordo com esse indicador, é a Inglaterra, com um número que chega a 80%. Ou seja, 80% de todo o equipamento vendido ao mercado britânico, sobretudo no setor de construção, é direcionado para as empresas de locação. No Japão esse índice chega a 60%, enquanto que nos Estados Unidos ele fica entre 40 e 45%. Aqui no Brasil, ainda não temos dados muito consolidados sobre isso. Mas eu estimo que esteja em cerca de 20%, de

O Brasil vive um momento de forte expectativa no segmento de locação de máquinas. Com a expansão dos investimentos em obras de infraestrutura, e o grande número de projetos, o parque de máquinas nacional terá de suprir uma demanda em acentuada curva de crescimento. A alternativa é proposta pelo segmento do rental, que ocupa hoje cerca de 20% do mercado brasileiro. Nos países desenvolvidos, essa margem chega a 80%.

“Daí uma grande margem para o crescimento”, destaca Paulo Esteves, diretor da Solaris, empresa com atuação 100% focada no rental.  Para ele, o mercado de locação tem tudo para deslanchar no Brasil, nos próximos anos, graças à proximidade dos grandes eventos desportivos, como Copa de 2014 e Jogos Olímpicos, bem como a grande agenda de projetos de mobilidade urbana e de infraestrutura que o País tem na ordem do dia.

Paulo Esteves destaca, nessa entrevista para a Revista Grandes Construções, a importância, para o aquecimento do segmento de locação de máquinas para construção, da inclusão do Brasil no roteiro dos grandes shows de astros internacionais do rock e da música pop, e a grande demanda por soluções para a cadeia de produção de petróleo e gás, produzidos no pré-sal.

Grandes Construções – Neste momento, como está o comportamento do mercado de locação no Brasil?

Paulo Esteves – A locação sempre teve uma participação muito tímida em países como o Brasil e nos países emergentes. Mas a partir de 2008, esse mercado, notadamente no Brasil, começou a ter um forte impulso, a partir da consolidação dos projetos de infraestrutura, resultando no aumento da oferta de produtos e também dos próprios investimentos no setor. Há um indicador no setor, chamado rental penetration, que aponta o percentual das máquinas que são vendidas ao mercado e que percentual desses se dirige a empresas de locação. O país mais desenvolvido do mundo nesse mercado de locação, de acordo com esse indicador, é a Inglaterra, com um número que chega a 80%. Ou seja, 80% de todo o equipamento vendido ao mercado britânico, sobretudo no setor de construção, é direcionado para as empresas de locação. No Japão esse índice chega a 60%, enquanto que nos Estados Unidos ele fica entre 40 e 45%. Aqui no Brasil, ainda não temos dados muito consolidados sobre isso. Mas eu estimo que esteja em cerca de 20%, dependendo do tipo de equipamento.

GC– E como o senhor vê o mercado brasileiro, então?

Paulo Esteves – Existe um terreno enorme para esse segmento desenvolver-se no Brasil e esses números do mercado brasileiro hoje são mais ou menos os números que tinham os Estados Unidos no início da década de 1990. Por isso, a tendência é que o mercado se desenvolva e que aumente muito nos próximos anos.

GC – Existe algum segmento dentro do mercado de máquinas que tem demonstrado maior tendência de crescimento, no segmento de rental?

Paulo Esteves – Tomando as grandes empresas de locação de equipamentos dos Estados Unidos como modelo, observa-se que os setores mais significativos são as plataformas aéreas e os manipuladores telescópicos, além dos grupos geradores, compressores de ar e equipamentos de movimentação de terra. Principalmente os equipamentos de compactação e voltados para pequenos trabalhos urbanos.

GC  – O Brasil segue essa tendência também?

Paulo Esteves – A meu ver, a gente observa essa mesma tendência no Brasil. Aqui, as frotas que estão crescendo são especificamente desses equipamentos. A grande diferença é que por aqui existe uma espécie de concentração no mercado. Por exemplo, é comum termos empresas especializadas em grupos geradores e agora estão se aventurando em equipamentos de locação. Assim como outros segmentos, como o de andaimes, que também estão procurando entrar nesse negócio.  Mas o mercado brasileiro é bastante diferente do conceito americano. Eu creio que hoje, no Brasil, a Solaris seja a única empresa com atuação 100% no rental. Nós vivemos de locação, fazemos o rental puro em todas as gamas de produtos. Nós temos concorrentes que tem uma especialização e agora estão entrando e competindo conosco em alguns equipamentos ou segmentos. Mas nossa diferença é que focamos no negócio rental. Porque, há também os distribuidores, que também atuam na área de locação. Mas é uma porção pequena do negócio. O nosso negócio é 100% locação, focado em multiprodutos.

GC – Essa é uma vantagem competitiva?

Paulo Esteves – Nós temos o benefício de sermos mais competitivos. Porque esse é um negócio de aplicação intensiva de capital, em que a empresa realiza o ciclo completo do negócio, desde compra, a manutenção, logística, distribuição geográfica e, no final, também a venda do equipamento.

GC – A manutenção é fundamental nesse negócio?

Paulo Esteves – É preciso entender que muitos desses equipamentos são vendidos de acordo com o momento, com o tipo de produto. No caso dos equipamentos de movimentação de terra, por exemplo, em geral, nós fazemos a renovação com cinco mil horas ou três anos de uso. Já para alguns outros equipamentos, é preciso levar em conta o tempo de operação e utilização. Por exemplo, pode haver um grupo gerador que tenha oito anos de idade, mas que apresente 500 horas de uso. Então não faz muito sentido um equipamento backup. É necessário analisar a natureza e operacionalidade do produto, os critérios de depreciação, e como o negócio economicamente é fechado. Para cada um, existe tempos diferentes de reposição do produto e políticas de vendas, manutenção e de operacionalidade.

GC – Com respeito aos equipamentos mais compactos e com vocação para operação nos centros urbanos, se tem observado um crescimento do seu uso no mercado, por conta das obras de infraestrutura?

Paulo Esteves – Sinceramente, não vejo muito isso. Os equipamentos mais populares que nós temos são as retroescavadeiras, as quais são as mais largamente utilizadas. Quando as obras urbanas começarem mais efetivamente no Brasil, serão exigidos equipamentos mais compactos, sem dúvida. Eu vejo uma tendência grande no futuro de crescimento desse tipo de produto, mas ainda não estamos verificando isso.

GC – No caso das plataformas, houve um crescimento da demanda ocasionado pela adoção da NR 18, que estabelece parâmetros para a elevação de pessoas e materiais nas obras?

Paulo Esteves – Eu creio que a NR18 ajudou, mas não é o grande alavancador do segmento. Ela basicamente disciplinou o uso e criou normas de utilização e de treinamento de operadores. Mas o que realmente poderia alavancar seria uma regulamentação de segurança que proibisse o trabalho em altura com equipamentos não adequados. Isso não existe no Brasil. Nos Estados Unidos, no final da década 70, saiu uma norma específica que passou a regulamentar o trabalho em altura. Com a proibição, as alternativas possíveis de se fazer trabalhos em altura se restringem ao uso de equipamentos seguros. Mas isso ainda não aconteceu ainda no Brasil.

GC – O aumento da concorrência, resultado da entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro, reduziu o preço dos equipamentos?

Paulo Esteves – Houve um aumento da competitividade, isso é fato. Houve a entrada de novas empresas no mercado, e há outras empresas curiosas querendo participar desse momento que o mercado brasileiro está passando. Mas, efetivamente, o consumo desses equipamentos no Brasil ainda é muito pequeno se comparado ao consumo de outras partes do mundo.

GC – Como a crise que afeta as economias da Europa e dos Estados Unidos se reflete por aqui?

Paulo Esteves – É certo que a economia americana está bastante deprimida, assim como a economia europeia. Para alguns tipos de produtos, principalmente as plataformas aéreas, os níveis de produção de 2008 para cá, pós-crise, em alguns casos, reduziu em 70% a produção. O Brasil ainda é um consumidor pequeno desse tipo de equipamento. No caso das plataformas, a população brasileira de máquinas de locação poderia estar se situando ente 8 e 9 mil máquinas, quando  o mercado americano é de 600 mil máquinas. Nós temos hoje uma população de máquinas equivalente à da cidade de Las Vegas. Só a cidade de Las Vegas tem 8 mil plataformas.

GC – O aumento do número de players no mercado brasileiro traz algum tipo de benefício aos usuários?

Paulo Esteves – Efetivamente, esse aumento de competitividade faz com que os preços de locação fiquem mais reduzidos. Esse nível de competição, no momento, está além do que seria razoável, porque nós estamos praticando tarifas de locação, com percentuais parecidos com os Estados Unidos. Mas devemos considerar que o equipamento importado chega ao Brasil mais caro, com uma carga de impostos e os demais tributos. Mas de toda forma, esse é um negócio de aplicação intensiva de capital. Os juros brasileiros, no entanto, ainda são muito altos. Como não existe um mercado de pós-venda, é natural que vá ocorrer alguma acomodação algum tempo para frente. Mas isso é positivo.

GC – O aumento da tecnologia embarcada nas máquinas causa  impactos na capacidade de oferta de equipamentos pelas empresas de rental?

Paulo Esteves: – Não, porque já há algum tempo nós fazemos a renovação da frota com maior frequência. Temos uma frota bastante jovem. Nós estamos desenvolvendo um mercado de máquinas usadas no Brasil para esses equipamentos, e no caso de máquinas de movimento de terra a tradição do mercado é vender máquinas mais velhas. Nós estamos mudando um pouco isso, logicamente, dentro da nossa escala de atuação. Nossa participação é muito pequena nessa linha, de movimentação de terra. Mas nós percebemos um mercado mais maduro no caso da linha amarela, embora não tão focado em locação.  Acho que a linha amarela está mais desenvolvida no Brasil no caso da distribuição e nos pequenos empreiteiros. No entanto, as grandes empresas de locação ainda não encontraram um posicionamento no país que torne esse produto mais desenvolvido em termos de equipamento.

GC – O Brasil será palco de grandes eventos desportivos, nos próximos anos. Além disso, passou a ser roteiro obrigatório de grandes estrelas do mundo da música, em espetáculos para grandes multidões. Esse é um bom mercado para a Solaris?

Paulo Esteves – Sem dúvida. Tivemos, recentemente, participação importante no Rock in Rio, evento que chegou a concentrar, num só dia, quase 100 mil pessoas. Em lugar nenhum do mundo existe um evento dessa dimensão. Não existe um estádio na Europa e nos Estados Unidos que comporte isso. Nós temos um setor de geração de energia temporária, para esses eventos. São geradores de energia provisórios, além das plataformas que facilitam toda a montagem dos cenários e das estruturas na parte da movimentação de carga.  Foi o que fizemos no Rock in Rio. Evidentemente, na Copa do Mundo estaremos presentes nesse mercado, não só nos projetos de mobilidade urbana, ou construção de estádios. Durante o evento vai ser necessário o uso de geradores de energia temporários, de apoio, de movimentação. Essa é uma aposta que estamos fazendo e certamente estamos sendo beneficiados com essa vocação. Existe ainda o mercado do pré-sal, com muitos projetos em óleo e gás que incluem equipamentos para os oleodutos, gasodutos, exploração de petróleo. Com tudo que vai haver de investimentos nessa área, esse mercado de locação tem tudo para deslanchar.