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16 de março de 2015
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Entrevista

Construção busca novos caminhos

Entrevista com Carlos Eduardo Aurichio, diretor titular do Departamento da Indústria da Construção da FIESP

Deconcic, da Fiesp, prevê dificuldades para este ano e defende mudanças na legislação e continuidade do programa de concessões para manter o setor em alta.

Em momento emblemático para a indústria, o setor da construção enfrenta dilemas como o avanço das importações, o aumento contínuo dos custos de produção e a retração dos investimentos.  Para os empresários do setor, 2015 terá como desafio abreviar os efeitos da crise e produzir iniciativas para manter o padrão de atividades que acalentou o mercado nos idos dos anos 2010. Para isso, a Fiesp, a Federação das Indústrias de São Paulo, prepara, por meio do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), o seu tradicional lançamento do Construbusiness, documento em que traça um diagnóstico dos gargalos para o crescimento do país e apresenta propostas que ajudem a alavancar os investimentos empresariais e o setor da construção. Nesta entrevista, Carlos Eduardo Aurichio, diretor do departamento da Indústria da Construção, traça um painel não só dos problemas, mas de soluções que possam ser boas ao país e ao setor da construção como um todo.  A redução da burocracia associada ao lançamento das concessões são algumas das propostas da entidade, e as quais ele aborda nesta entrevista.

Grandes Construções - Como o Sr. vê a situação atual do setor da construção brasileira, diante do cenário econômico?

Carlos Eduardo Aurichio - A despeito da resposta positiva do Brasil à crise financeira internacional de 2008, inclusive pelo fomento ao investimento em construção e os incentivos tributários à produção e ao consumo, a indústria brasileira como um todo entrou numa rota perigosa de 2012 em diante. O setor da construção, que também enfrenta o avanço das importações e o aumento contínuo dos custos de produção, tem sofrido seguidas retrações nos últimos anos. Este período coincide, no entanto, com o final de um ciclo de obras que teve início em 2007, marcado pelo início de grandes investimentos em desenvolvimento urbano e infraestrutura pautado pelo Programa de Aceleração do Crescimento, do Programa Minha Casa, Minha Vida e pelos investimentos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Para o curto e médio prazos, o setor está diante de um cenário conservador, com retração do crescimento, que só poderá voltar aos patamares anteriores a partir da manutenção e do aumento dos investimentos em obras no país, com maior participação do setor privado.