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Fechamento de mina além da revegetação

Principais passivos após o encerramento da operação permanecem associados ao fluxo de água e oxigênio no interior das estruturas, à oxidação dos materiais reativos e à evolução da resposta geoquímica e hidrogeológica

Assessoria de Imprensa

01/10/2026 00h01


Por Thiago Toussaint*

Na mineração, ainda existe a ideia de que o fechamento de mina está principalmente associado à revegetação. Quando a vegetação se estabelece e as estruturas aparentam estabilidade, o fechamento muitas vezes passa a ser tratado como resolvido. Mas isso não significa que o sistema esteja efetivamente estável.

Os principais riscos e passivos permanecem associados ao fluxo de água e de oxigênio no interior das estruturas, à oxidação dos materiais reativos e à evolução da resposta geoquímica e hidrogeológica após o encerramento da operação.

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Por Thiago Toussaint*

Na mineração, ainda existe a ideia de que o fechamento de mina está principalmente associado à revegetação. Quando a vegetação se estabelece e as estruturas aparentam estabilidade, o fechamento muitas vezes passa a ser tratado como resolvido. Mas isso não significa que o sistema esteja efetivamente estável.

Os principais riscos e passivos permanecem associados ao fluxo de água e de oxigênio no interior das estruturas, à oxidação dos materiais reativos e à evolução da resposta geoquímica e hidrogeológica após o encerramento da operação.

Os problemas mais difíceis relacionados ao fechamento geralmente começam durante a operação. Eles surgem quando determinadas decisões operacionais passam a definir os mecanismos que irão controlar o comportamento futuro das estruturas.

A forma de dispor estéril, segregar materiais potencialmente reativos, conduzir a drenagem, controlar níveis de saturação ou definir a geometria de pilhas altera o regime de fluxo e a entrada de oxigênio. Isso modifica as condições de reação e, ao longo do tempo, a resposta geoquímica do material disposto. O passivo pode ser criado ali, ainda durante a operação. Seus efeitos podem aparecer apenas mais tarde.

Na prática, é relativamente comum encontrar áreas com boa recuperação superficial, mas ainda dependentes de bombeamento, tratamento de água e operação contínua dos sistemas de drenagem para manter níveis e vazões sob controle e preservar a qualidade da drenagem produzida pelas estruturas. A revegetação funciona. O problema, porém, permanece no interior da estrutura.

Isso fica mais evidente em minas com potencial de drenagem ácida e/ou lixiviação de metais. Alterações na infiltração, no desempenho de sistemas de cobertura ou no regime de fluxo podem ampliar o contato da água e do oxigênio com materiais reativos.

Ao longo do tempo, esse processo pode consumir parte da capacidade de neutralização disponível e modificar a qualidade da drenagem produzida pela estrutura. Os efeitos nem sempre são imediatos. Em muitos casos, as consequências dessas alterações só se tornam evidentes quando a operação já encerrou suas atividades e os controles ativos foram reduzidos.

Por isso, os projetos que tendem a apresentar os melhores resultados de fechamento não são necessariamente aqueles que executam mais obras no final da vida útil da mina, mas aqueles em que o fechamento influencia decisões operacionais desde o início.

Quando operação e fechamento evoluem separadamente, a complexidade é transferida para o futuro, durante a etapa do pós-fechamento. O resultado aparece mais tarde, na forma de passivos de longo prazo, custos com tratamento de água e manutenção, além de estruturas que continuam exigindo monitoramento e intervenção muito além da vida útil da mina.

No fim, revegetar uma área costuma ser a parte mais previsível do fechamento. Depois do encerramento da operação, as fontes de risco não deixam de existir. Algumas podem ser eliminadas ou reduzidas; outras precisam permanecer sob controle.

O fechamento passa a ser definido em função da resposta física e geoquímica real das estruturas, pela forma como o risco residual pode se manifestar no ambiente, e pela capacidade das medidas implantadas de manter esse risco compatível com o uso futuro da área. A resposta, portanto, não está na aparência superficial, mas na segurança e na estabilidade associadas ao que permanece sob a superfície.

*Thiago Toussaint é diretor-geral da SRK Consulting Brasil

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