Logística
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20/03/2012 09h17 | Atualizada em 20/03/2012 12h20
Quando o Brasil é analisado, no aspecto geográfico, sua dimensão territorial é quase sempre comparada a de um continente, esse é um dos motivos que fazem muitos especialistas afirmarem que a matriz de transporte mais adequada é a ferroviária. No entanto, este setor responde por apenas 25% do escoamento da produção nacional, enquanto os caminhões movimentam 58% das cargas brasileiras. Isso pode ser explicado, pois por muitos anos este modal ficou esquecido.
O marco de retomada dos investimentos em ferrovias foi a privatização da malha, ocorrida em 1998. Vicente Abate, presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), afirma que desde a desestatização das linhas férreas, a movimentação mais que dobrou, passando
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Quando o Brasil é analisado, no aspecto geográfico, sua dimensão territorial é quase sempre comparada a de um continente, esse é um dos motivos que fazem muitos especialistas afirmarem que a matriz de transporte mais adequada é a ferroviária. No entanto, este setor responde por apenas 25% do escoamento da produção nacional, enquanto os caminhões movimentam 58% das cargas brasileiras. Isso pode ser explicado, pois por muitos anos este modal ficou esquecido.
O marco de retomada dos investimentos em ferrovias foi a privatização da malha, ocorrida em 1998. Vicente Abate, presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), afirma que desde a desestatização das linhas férreas, a movimentação mais que dobrou, passando de 250 milhões de toneladas, em 1997, para 250 milhões de toneladas no ano passado.
Atualmente, a malha ferroviária brasileira continua se expandindo com importantes projetos em andamento. Dentre esses estão a construção da Transnordestina, que possui 50% dos seus 1.728 quilômetros de extensão já concluídos e tem entrega prevista para 2014; bem como a ampliação da Ferronorte, ligando as cidade mato-grossenses de Alto do Araguaia e Rondonópolis, por um trecho de 260 quilômetros. Outras medidas para melhorar o setor também estão sendo adotadas como a duplicação da Ferrovia dos Carajás e a recuperação dos trilhos.
O executivo deixa claro que o setor está se mexendo para melhorar a situação ferroviária, destaca, por exemplo, a construção do contorno ferroviário em Belo Horizonte, feito pela Vale no ano passado. No entanto, admite que o gargalo é muito grande, por isso muitas vezes as medidas que vem sendo tomadas parecem desaparecer frente ao tamanho da defasagem.
“O nosso setor vem crescendo nos últimos 15 anos, com a recuperação de vias quase centenárias, talvez não na velocidade necessária, com uma participação ainda tímida das concessionárias e do Governo em eliminar alguns gargalos, como aumentar a velocidade comercial, intervenções em contornos de cidades e eliminação de passagens de nível, inciativas para o setor crescer ainda mais”, declarou.
Somado a expansão da malha, a indústria movimentada em torno dela também está aquecida. No ano passado, o faturamento deste segmento cresceu 35%, chegando a R$ 4,2 bilhões. Foram 5.616 vagões produzidos, melhor resultado desde 2005, e 113 locomotivas fabricadas, número bem superior as 68 registradas em 2010.
Os resultados de 2011 foram celebrados pelo executivo, ainda que o número de carros de passageiros tenha recuado de 430 para 336 unidades, algo considerado normal por Abate, que afirmou que este volume deve ser retomado em 2013. “O ano passado foi muito positivo, registramos o melhor desempenho em locomotivas da história e a segunda maior produção de vagões, perdendo apenas para 2005”, relatou.
O presidente da Abifer, apesar de ter ressaltado o bom desempenho de 2011, afirma ter a mesma apreensão de outros segmentos industriais, que possuem alto custo de produção e acusam o Brasil de estar passando por um processo de desindustrialização. “O que acontece é que nosso setor atua sob encomenda e a demanda vem crescendo por, até alguns anos atrás, não termos uma base tão sólida, mas isso não significa que não sofremos do mesmo mal de quem produz por aqui”, relatou.
Sobre a falta de competitividade, o executivo destaca que, recentemente, a indústria nacional perdeu para empresas chinesas a concorrência pelo fornecimento de 60 trens para o Governo do Rio de Janeiro. Segundo Abate, a moeda desvalorizada deles frente ao Real forte foi determinante para o resultado.
No entanto, o executivo criticou o governo fluminense por ter preterido a indústria nacional, alegando que poderia, pelas regras do Banco Mundial (que financiou os trens), ter sido dada a isonomia tributária aos fabricantes nacionais, concedida, por exemplo, pelo governo paulista nas concorrências dos trens do Metrô e CPTM.
Para os próximos anos, Abate acredita que os investimentos no modal crescerão, cada vez mais. Segundo ele, as prospecções do PNLT (Plano Nacional de Logística e Transporte), no período de 15 anos, apontam para um investimento de R$ 428 bilhões no setor de transporte, dos quais R$ 202 bilhões devem ser destinados às ferrovias. “A intenção desta iniciativa é equilibrar as matrizes de movimentação de cargas brasileiras”, afirmou.
O executivo finaliza ressaltando a importância do Brasil em avançar no setor de trilhos, segundo ele, o sucesso do modal é também do País. “O que a gente tem visto, em outras nações, é que a soma de uma economia forte, com uma indústria igualmente poderosa, aliado a uma matriz de transporte adequada, te possibilitam a construir uma potência”, concluiu.
09 de janeiro 2020
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