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30 de outubro de 2020
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Entrevista com Felipe Faria, CEO do Green Building Council (GBC Brasil)

'Valorizar o projeto abre portas para a inovação'

Por Marcelo Januário

Surgido da necessidade de adoção de práticas construtivas ambientalmente amigáveis e mais eficientes do ponto de vista energético, o movimento de construção verde nasceu nos EUA em 1993, com a fundação do U.S. Green Building Council (USGBC). Cinco anos depois, o organismo lançou o programa Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), um selo de liderança em energia e design ambiental criado com o intuito de fomentar práticas sustentáveis ao redor do mundo.

Aos poucos, o programa evoluiu para um abrangente sistema de padrões inter-relacionados, que abordam todos os aspectos do processo construtivo. Em 1999, foi fundado o WorldGBC, que seria oficialmente estabelecido em 2002, inicialmente com a participação de Austrália, Brasil, Canadá, Índia, Japão, México, Espanha e EUA, espalhando-se gradualmente pelo mundo, até chegar a 80 representações na atualidade.

No Brasil, o Green Building Council (GBC Brasil) iniciou suas atividades em 2007, já com o suporte da iniciativa privada, mobilizando cerca de 30 grandes empresas que apoiaram a chegada do projeto ao mercado nacional da construção. Atualmente, aproximadamente 650 companhias são associadas ao GBC e fomentam as atividades da iniciativa, que incluem capacitação profissional, disseminação de conhecimento, relações institucionais e governamentais, além da promoção das ferramentas de certificação da entidade.

Nesta entrevista exclusiva para o ‘Levantamento Grandes Construções do Mercado Imobiliário’, o CEO do GBC Brasil, Felipe Faria, repassa o atual estágio de desenvolvimento da certificação de edificações no país, destacando seu potencial de avanço – mas também os desafios – em um contexto de mudanças aceleradas nos conceitos de sustentabilidade, saúde e bem-estar aplicados aos processos construtivos.

Grandes Construções – Inicialmente, como o movimento se estabeleceu no Brasil?

Felipe Faria – Em dado momento, até por


Surgido da necessidade de adoção de práticas construtivas ambientalmente amigáveis e mais eficientes do ponto de vista energético, o movimento de construção verde nasceu nos EUA em 1993, com a fundação do U.S. Green Building Council (USGBC). Cinco anos depois, o organismo lançou o programa Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), um selo de liderança em energia e design ambiental criado com o intuito de fomentar práticas sustentáveis ao redor do mundo.

Aos poucos, o programa evoluiu para um abrangente sistema de padrões inter-relacionados, que abordam todos os aspectos do processo construtivo. Em 1999, foi fundado o WorldGBC, que seria oficialmente estabelecido em 2002, inicialmente com a participação de Austrália, Brasil, Canadá, Índia, Japão, México, Espanha e EUA, espalhando-se gradualmente pelo mundo, até chegar a 80 representações na atualidade.

No Brasil, o Green Building Council (GBC Brasil) iniciou suas atividades em 2007, já com o suporte da iniciativa privada, mobilizando cerca de 30 grandes empresas que apoiaram a chegada do projeto ao mercado nacional da construção. Atualmente, aproximadamente 650 companhias são associadas ao GBC e fomentam as atividades da iniciativa, que incluem capacitação profissional, disseminação de conhecimento, relações institucionais e governamentais, além da promoção das ferramentas de certificação da entidade.

Nesta entrevista exclusiva para o ‘Levantamento Grandes Construções do Mercado Imobiliário’, o CEO do GBC Brasil, Felipe Faria, repassa o atual estágio de desenvolvimento da certificação de edificações no país, destacando seu potencial de avanço – mas também os desafios – em um contexto de mudanças aceleradas nos conceitos de sustentabilidade, saúde e bem-estar aplicados aos processos construtivos.

Grandes Construções – Inicialmente, como o movimento se estabeleceu no Brasil?

Felipe Faria – Em dado momento, até por conta da inteligência de mercado do GBC Brasil, decidiu-se que o melhor caminho para acelerar a indústria da construção em direção à sustentabilidade era promover a ferramenta de certificação LEED, que iria despontar no mercado imobiliário brasileiro nos anos subsequentes. O LEED tem fortes raízes no universo de prédios corporativos de alto padrão e, coincidência ou não, é possível afirmar que todos os prédios novos desse segmento no Brasil, lançados após a entrada do GBC, já foram ou estão em processo de certificação.

Pegando o boom de lançamentos na época, o movimento se fortaleceu na medida em que os principais fundos de investimentos do mercado imobiliário, ao avaliarem questões de responsabilidade social e boa governança em seus portfólios, começaram a verificar que os projetos certificados tinham maior velocidade de ocupação, melhor retenção, valorização do metro quadrado, diminuição dos custos operacionais etc. Uma série de diferenciais que, no mínimo, significaria a diminuição do risco de investimento. Foi essa leitura que confirmou a tendência.

Inclusive, em 2018 a Fundação Getulio Vargas (FGV) fez um estudo de mercado a partir da análise de mais de 2 mil prédios comerciais na cidade de São Paulo utilizando a metodologia de regressão hedônica, concluindo que a valorização da metragem com a certificação era de 4% a 8%. Isso sem comprometer a ocupação, que se mostrou melhor nessas torres que nas demais. Comprovando assim a leitura inicial dos fundos internacionais de investimento.

Com o tempo, movimento saiu do topo da pirâmide para entrar em diferentes setores do mercado, diz CEO

GC – Como se deu a expansão fora desse nicho?

FF – De 2013 para cá, o movimento começou a sair do topo da pirâmide para entrar em diferentes setores do mercado. Isso ocorreu com os centros de distribuição e logística, por exemplo, assim como data centers e algumas plantas industriais. Hoje, quem mais tem buscado certificações são as grandes marcas do varejo, como Grupo Madero, Lojas Renner, Riachuelo, Vivo e outras. Mas também museus, escolas, prefeituras, estádios e ginásios esportivos, shopping centers, creches públicas e até mesmo bairros inteiros. A diversidade de tipologias é muito rica.

Em certo momento, o GBC entendeu que precisava dar uma resposta também no residencial, que tem o maior volume no Brasil, criando assim o ‘GBC Casa e Condomínio’, o que aumentou a adesão de prédios residenciais, como acontece em Curitiba (PR), onde praticamente todos os novos projetos de alto padrão têm essa certificação. Mas também temos o projeto para o Minha Casa Minha Vida (MCMV), que está próximo da certificação.

Para Faria, ganhos econômicos da sustentabilidade são evidentes na construção civil

GC – O conceito vai além das questões ambientais?

FF – Sim, na construção civil é possível evidenciar os ganhos econômicos desse movimento da sustentabilidade. Às vezes, o discurso da sustentabilidade fica apegado aos aspectos socioambientais e esquece de trabalhar o tripé, incluindo o lado econômico, que na verdade puxa todo o resto. Essa percepção ajudou [o movimento] a entrar em diferentes mercados.

GC – Como se inicia o processo de certificação?

FF – Na fase de projeto, o empreendedor contrata uma empresa do mercado para auxiliar na definição de estratégia e consultoria entre o empreendimento e a certificadora. Já nessa altura de projeto é possível submeter o ‘design review’, até como consulta sobre a viabilidade. Após a fase de execução e início da ocupação são feitos os testes de comissionamento, que compõem a documentação final de ‘construction review’. E, após quatro ou cinco meses, sai a certificação.

Normas técnicas compõem a base para as metas de desempenho exigidas pelas certificações

GC – E como é a dinâmica desse processo?

FF – O LEED é muito prático. Analisa localização, relacionamento com o entorno, materiais, água, energia, qualidade do ar etc., mas sempre dando metas de desempenho, que são calculadas por meio de normas técnicas. E forçar o desempenho acima das normas faz com que as equipes envolvidas comecem a pensar de forma diferente. Além disso, o processo prioriza a valorização do projeto, que é quando se começa a definição das estratégias, sem acrescentar custos à construção.

Outro ponto é a experiência das equipes de projetos. Para manter uma equipe altamente experiente e capacitada é preciso investir um pouco mais no projeto. Esse é o segredo por, ao passar dos anos, termos certificações LEED Platinum [com a maior pontuação, seguidas por Gold e Silver] sem acréscimo de custos. Também é possível chegar à certificação com acréscimo dos custos de construção, mas com uma variação que fica dentro da margem de erro do orçamento do empreendedor. É essa leitura de valorizar mais o projeto que abre portas para a inovação e a tecnologia.

GC – Pode citar alguns exemplos disso?

FF – É inegável que o LEED trouxe para o mercado o comissionamento de sistemas em edificações, que não havia antes. Já havia antes na nova indústria, em obras petrolíferas, por exemplo, com equipamentos pesadíssimos, mas na edificação essa cultura começou com os pré-requisitos exigidos pelo protocolo de certificação. Outro aspecto é a prática de simulação energética, para se definir critérios ainda em projeto. Isso foi dando muito mais abertura a esse tipo de estudo.

E tudo isso foi corroborado com o BIM, com formas mais inteligentes de elaborar projetos etc., trazendo uma qualidade bem melhor e quebrando a percepção dos responsáveis pelo empreendimento, que passaram a colocar prazos mais coerentes de operação e manutenção do prédio, de modo a definir as melhores soluções ainda em fase de construção. Isso tudo estimula a ousadia da indústria de materiais e soluções. Quando se colabora para a elevação gradual do nível, por meio de cada nova versão da certificação, cria-se um ciclo de estímulo. Mas o mundo não é perfeito, pois ainda há briga de preço, por exemplo, mas ajudou a caminhar bastante nesse sentido.

GC – Há algum tipo de ‘tropicalização’ das metas de desempenho?

FF – O que auxilia o juízo de valor são as normas. Nesse sentido, o trabalho feito foi identificar quais normas técnicas estavam sendo referendadas e não tinham aplicabilidade no Brasil. Isso envolveu um comitê técnico com cerca de 200 profissionais. E essa inteligência vem da força de mercado, que discutiu item por item da certificação. E começamos a ver situações que deveriam ter alguma adaptabilidade de normas técnicas.

Tema de conforto, saúde e bem-estar ganhou força com a pandemia, mas exige superação das normas

Afinal, não é a norma técnica norte-americana que define o que é um veículo de baixa emissão de CO2 no Brasil, por exemplo, mas sim a ‘nota verde’ do Ibama. Mas para cada aprovação normativa foram feitos todos os estudos comparativos, para demonstrar equivalências. Fizemos, por exemplo, um estudo comparativo do pré-requisito de eficiência energética ASHRAE 90.1 (da American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers) – na época ainda na versão 2007 – com o Selo Procel Edificações, que é a nota Triplo A, sobre envoltória, iluminação e condicionamento de ar, mostrando que eram equivalentes. É sempre essa ideia.

GC – A crescente preocupação ambiental tem impulsionado o movimento?

FF – Essa preocupação ainda será um impulsionador, pois ainda não chegou como deve chegar. Talvez no corporativo de alto padrão já seja realidade, em um universo de cerca de 100 grandes incorporadoras e um número limitado de clientes. São multinacionais e, com certeza, já se preocupam com a questão. No mercado residencial em geral ainda não chegou, mas vai chegar.

O que está acontecendo neste momento – e que é um aspecto interessante – é que todo esse movimento passa por uma reciclagem, para começar a discutir desempenho em tempo real. A certificação para prédios já existentes tem mais esse viés de conscientização da ocupação, porque os ocupantes vivem a transformação do prédio. Normalmente, acompanha o pessoal de ‘facilities’ e ‘property’, informando sobre o avanço dos projetos, sejam relacionados à água, energia ou outros.

Conceito sustentável pode colaborar mais com a sociedade no âmbito popular que no de alto padrão, ressalta o executivo

Quando falamos dessas técnicas, como trabalhar com fachadas de alta eficiência, automação de sistemas, qualidade interna do ar e outras, vemos que são coisas imperceptíveis para quem não é engenheiro ou arquiteto. Mas agora vamos entrar com mais força por meio dessa análise de desempenho, com uma plataforma global de benchmarking – o Brasil, aliás, já é o segundo país do mundo com projetos nessa área, atrás apenas dos EUA –, o que torna possível mensurar energia, água, resíduos, satisfação do ocupante e emissões no transporte.

GC – Aliás, como é possível articular sustentabilidade e tecnologia?

FF – É um ponto complexo, pois depende de qual área tratamos. Se o ponto discutido for sobre materiais, eu diria que a avaliação do ciclo de vida e de declaração ambiental de produto, dando transparência a essa avaliação, já seria uma inovação. Permitir que as pessoas conheçam o impacto geral dessa solução. E, depois de se tornar transparente, começar a identificar oportunidades de melhorar o desempenho no que se tange à pegada ambiental dessa solução.

Hoje, é indiscutível o avanço de inovações voltadas ao modelo construtivo. Mais céleres, mais limpas, com uma série de vantagens. Inclusive soluções que exigem até menor esforço para se obter índices de qualidade em conforto térmico-acústico em comparação ao que é feito tradicionalmente. Na indústria de equipamentos e materiais, a eficiência energética – especialmente se puder ser acompanhada por sistemas de automação – é a tônica. A própria ideia de prédios inteligentes está atrelada ao conceito de ‘green building’. Não há como fugir disso. Mas essas tecnologias de automação e inteligência predial também exigem que se inove no modelo de negócio. Senão, de nada adianta contar com uma baita inovação.

GC – Com a pandemia, a questão da saúde vem ganhando força no setor de certificação?

FF – Já vínhamos debatendo conforto, saúde e bem-estar há algum tempo, mas com a pandemia isso se tornou ainda mais relevante. Nessa linha, vamos criar um protocolo de certificação para levar a importância desse tema ao interior residencial. Até como forma de conscientização, vamos fazer um trabalho de auxiliar os arquitetos e designers de interiores a nortear não só a questão de eficiência, mas principalmente de conforto, saúde e bem-estar nos espaços residenciais. Isso vai levar conhecimento às pessoas sobre o que é esse movimento e como consegue afetar não só o bolso, mas também a vida de cada um na casa, no trabalho ou em outros espaços. Vamos atacar essa percepção no médio e longo prazo para que, quando isso se tornar realidade, a transformação seja exponencial.

GC – Essa mudança inclui desafios? De que tipo?

FF – Há essa tendência nas construtoras de explorar o tema de conforto, saúde e bem-estar, mas vejo um risco muito grande nisso se, ao final, se entregar um prédio ranqueado na performance mínima da norma de desempenho. Ou seja, a necessidade de explorar esse tema também traz uma necessidade de melhorar, de extrapolar a norma. O projeto do MCMV de São José dos Pinhais (PR), que vai ter a certificação do GBC, utiliza ‘wood frame’ como metodologia construtiva e tem nível intermediário na norma de desempenho, não ficou no mínimo. Isso no MCMV. Mas temos visto prédios de alto padrão em São Paulo (SP) que ficam no mínimo na norma de desempenho.

GC – A propósito, como o conceito se aplica às moradias populares?

FF – A certificação evidencia a qualidade técnica e estará sempre onde você encontra o melhor modelo de negócio. Porque os melhores estão na ideia da certificação. E pode-se ser o melhor no segmento corporativo de alto padrão, de salas comerciais ou de moradias populares. A importância está na redução dos custos e no uso inteligente de recursos.

Mas não é só isso. Se o conceito de conforto, saúde e bem-estar faz sentido para um prédio residencial de alto padrão ou para um escritório de interiores, faz muito mais para o MCMV. Veja a discussão do ‘fique em casa’. OK, fique em casa, mas qual é a sua casa? Tem casa que é melhor ficar fora, pois dentro vai ficar mais doente do que se sair. Então, essa ideia colabora muito mais com a sociedade no âmbito popular que no de alto padrão.

GC – Há estudos para chegar à infraestrutura?

FF – O protocolo do ‘LEED Communities’ analisa conceitos de planejamento urbano integrado. Já temos até alguns projetos no Brasil, principalmente privados. E todos os itens de infraestrutura urbana entram nessa avaliação. Pode ser que, no futuro, o movimento entre mais pesado em infraestrutura. Os ingleses já têm uma ferramenta nessa linha – o Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) – e no Brasil já há alguns projetos para essa área, que aqui sempre foi muito ligada ao poder público.

Nível técnico brasileiro pode fazer a diferença para a evolução da sustentabilidade na construção

GC – Qual é o grau de adesão do setor a essas propostas?

FF – Temos uma grande comunidade dentro desse movimento no Brasil, não é só o GBC ou a Fundação Vanzolini, mas também as principais associações dos mais diversos setores que englobam a construção civil. E que têm uma agenda forte e consistente, atuando com sinergia em relação aos objetivos do movimento no que se refere à construção sustentável.

Além disso, os profissionais brasileiros são muito técnicos. Tanto é que a parte de revisão para projetos de auditoria nos EUA foi feita por uma equipe brasileira por um tempo. Temos empreendimentos no país como o São Paulo Corporate Towers [primeiro empreendimento brasileiro a conquistar a certificação LEED Platinum, composto por torres-gêmeas de 139 m], que recebeu a quinta maior pontuação do mundo entre prédios corporativos. O escritório da Petinelli, em Balneário Camboriú (SC), foi a terceira maior pontuação do mundo no LEED CI Platinum. Tudo isso tem sido possível pelo trabalho desses profissionais, que acabam se destacando e mostrando que há uma capacidade técnica importante no Brasil. Sem contar que os desafios aqui são muito maiores que em outros países.

GC – Falando nisso, o que ainda limita um avanço mais forte do movimento?

FF – Diria que a percepção dos benefícios pela sociedade em geral. De saída, temos esse desafio de criar uma ponte de comunicação com o grupo de pessoas que vai ocupar as edificações. Outro desafio, evidentemente, é o engajamento de políticas públicas de incentivo. Isso seria um ponto primordial. Mas, independentemente disso, vamos seguir e fazer acontecer.

Em 2019, tivemos 45% a mais de projetos registrados no LEED. E, no primeiro semestre deste ano, no meio da pandemia, registramos muito mais projetos que no mesmo período do ano passado. Mesmo com as restrições, o movimento continua com o pé no acelerador. Mas esse tipo de apoio ajudaria. E muito.

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