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10 de setembro de 2010
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ESPECIAL PETRÓLEO E GÁS

Pré-sal começa a produzir e Petrobras revê metas até 2014

Empresa quer conquistar autossuficiência no Brasil e maior presença no cenário internacional

US$ 224 bilhões. Essa é a estimativa dos investimentos a serem realizados nos próximos quatro anos, pela Petrobras, visando uma atuação crescente e sustentável no mercado nacional e internacional. O valor está previsto na revisão do Plano de Negócios da empresa considerando o período 2010-2014, e representa um crescimento de 28% em relação ao plano anterior, que contemplava um cenário de investimentos de 2009 a 2013, com recursos da ordem de US$ 174,4 bilhões. A nova estimativa prevê uma média de investimentos da ordem de US$ 44,8 bilhões por ano.

De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil deverá atingir o maior aumento individual na produção de petróleo em 2011, passando de cerca de 210 mil barris diários, para 2,4 milhões de barris/dia, em média. O Governo Federal aponta o mercado de petróleo e gás como a chave para a independência econômica do Brasil, impulsionando também o setor de bens de capital. Novos campos petrolíferos estão sendo localizados, tanto em terra quanto em mar, em águas rasas, profundas e ultra-profundas, contendo óleo leve e pesado e gás não associado.

Para o mercado brasileiro, a revisão do Plano de Negócios da estatal, divulgada no final de junho, chegou como uma boa notícia, já que, do total, nada menos que 95% (US$ 212,3 bilhões) serão aplicados no Brasil. Isso gera expectativas de grande volume de contratações no mercado nacional, com base na taxa de conteúdo local de 67%, aplicada em toda a compra de peças, componentes, equipamentos e máquinas necessárias à cadeia de extração, produção e refino de petróleo e gás. Isso seria o equivalente a um nível de contratação anual, no País, de cerca de US$ 28,4 bilhões. Do volume total dos investimentos previstos, US$ 31,6 bilhões serão destinados a novos projetos.

A perspectiva de investimentos milionários a serem feitos pela estatal brasileira criou forte expectativa não só no mercado brasileiro, como nas empresas que atuam no setor em todo o mundo. As principais companhias de petróleo do mundo já manifestaram interesse na licitação dos novos blocos do pré-sal, a despeito das críticas ao modelo regulatório para a  exploração, definido pelo governo. Toda a cadeia de produção de peças, equipamentos e componentes para o setor, em escala mundial, também monitora, atenta, cada passo dado pela Petrobras. Prova disso é a realização, no final de setembro, em Singa


US$ 224 bilhões. Essa é a estimativa dos investimentos a serem realizados nos próximos quatro anos, pela Petrobras, visando uma atuação crescente e sustentável no mercado nacional e internacional. O valor está previsto na revisão do Plano de Negócios da empresa considerando o período 2010-2014, e representa um crescimento de 28% em relação ao plano anterior, que contemplava um cenário de investimentos de 2009 a 2013, com recursos da ordem de US$ 174,4 bilhões. A nova estimativa prevê uma média de investimentos da ordem de US$ 44,8 bilhões por ano.

De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil deverá atingir o maior aumento individual na produção de petróleo em 2011, passando de cerca de 210 mil barris diários, para 2,4 milhões de barris/dia, em média. O Governo Federal aponta o mercado de petróleo e gás como a chave para a independência econômica do Brasil, impulsionando também o setor de bens de capital. Novos campos petrolíferos estão sendo localizados, tanto em terra quanto em mar, em águas rasas, profundas e ultra-profundas, contendo óleo leve e pesado e gás não associado.

Para o mercado brasileiro, a revisão do Plano de Negócios da estatal, divulgada no final de junho, chegou como uma boa notícia, já que, do total, nada menos que 95% (US$ 212,3 bilhões) serão aplicados no Brasil. Isso gera expectativas de grande volume de contratações no mercado nacional, com base na taxa de conteúdo local de 67%, aplicada em toda a compra de peças, componentes, equipamentos e máquinas necessárias à cadeia de extração, produção e refino de petróleo e gás. Isso seria o equivalente a um nível de contratação anual, no País, de cerca de US$ 28,4 bilhões. Do volume total dos investimentos previstos, US$ 31,6 bilhões serão destinados a novos projetos.

A perspectiva de investimentos milionários a serem feitos pela estatal brasileira criou forte expectativa não só no mercado brasileiro, como nas empresas que atuam no setor em todo o mundo. As principais companhias de petróleo do mundo já manifestaram interesse na licitação dos novos blocos do pré-sal, a despeito das críticas ao modelo regulatório para a  exploração, definido pelo governo. Toda a cadeia de produção de peças, equipamentos e componentes para o setor, em escala mundial, também monitora, atenta, cada passo dado pela Petrobras. Prova disso é a realização, no final de setembro, em Singapura, do 11o Congresso Anual de FPSO, que reunirá representantes das mais importantes indústrias fabricantes de plataformas de petróleo e toda a sua cadeia de fornecedores, tendo como foco principal a demanda gerada pela promessa brasileira do pré-sal.

Pelo novo Plano de Negócios, a produção de petróleo tem como meta 3,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe) em 2014, e projeção de 5,4 milhões de boe em 2020. Essa projeção de produção para o final do período (2014) aponta para uma redução de 318 mil boe, em comparação com a do plano anterior. Isso se deve à revisão das metas internacionais, em função da revisão dos investimentos futuros para adequação à atual estratégia de Exploração e Produção da Petrobras.

De acordo com o documento, a companhia leva em consideração uma geração de fluxo de caixa operacional baseada em um preço médio do petróleo de US$ 80 para o período 2010-2014, abaixo da média das projeções do mercado. O Plano de Negócios considera, também, o preço médio do Brent de US$ 76 o barril em 2010, e para o período 2010-2014, ao preço médio de US$ 82 o barril, bem acima da projeção anterior, para o período 2009-2013, que era de US$ 61. (N.R.: Brent é um petróleo de alta qualidade, caracterizado por ser “leve” e “doce”, com pequena quantidade de compostos de enxofre e odor agradável, ao contrário do petróleo “acre” ou “ácido”).

Pré-sal: iniciada a produção 
A divulgação do novo Plano de Negócios da Petrobras coincidiu com o início da produção comercial de petróleo do pré-sal brasileiro, nos campos de Baleia Franca e Cachalote.  Ambos estão localizados no litoral sul do Espírito Santo, na província petrolífera batizada de Parque das Baleias, dentro da Bacia de Campos. Foi lá que a Petrobrás iniciou os testes de produção do pré-sal, por meio da plataforma P-34, no campo de Jubarte. A operação, no entanto, é encarada como um teste pela Petrobrás. Trata-se do primeiro projeto de produção do pré-sal em escala comercial no País, já desenhado a partir dos testes de produção anteriores.

A produção está sendo feita por meio da plataforma FPSO Capixaba, um tipo de plataforma que produz, processa, armazena e escoa petróleo. A expectativa é de que até o fim do ano os volumes produzidos no pré-sal atinjam o patamar de 40 mil barris por dia. O projeto faz parte de um programa de investimentos que deve elevar a produção capixaba a 400 mil barris de petróleo por dia em 2015, duplicando o volume atual.

Desse total, 60% virão de campos do pós-sal e o restante, do pré-sal, segundo o gerente executivo da unidade de operações da Petrobrás no Espírito Santo, Robério Silva. O Estado tem outros dois pólos de produção, um em terra, na divisa com a Bahia, e outro no litoral norte, onde estão os campos de Golfinho e Camarupim. Silva diz que a empresa tem esperança de encontrar reservas abaixo do sal no litoral norte, que hoje está fora da área delimitada pelo governo como pré-sal.

A FPSO Capixaba deve atingir sua capacidade máxima de 100 mil barris por dia, ainda este ano. Metade da produção virá de reservatórios abaixo da camada de sal. O gás será escoado para unidade de tratamento no município de Anchieta.

Ainda este ano, além da FPSO Capixaba, o Parque das Baleias receberá, as plataformas Cidade de Anchieta, no campo de Baleia Azul; a P-58, na porção norte da província; a  P-34, que hoje está em Jubarte, mas que será deslocada em 2015, para produzir óleo do pós-sal de Baleia Azul; e a plataforma P-57, em obras no estaleiro Brasfels, de Angra dos Reis.

O Parque das Baleias fica no extremo norte da região delimitada pelo governo como área do pré-sal, que vai de Santa Catarina ao litoral sul capixaba. Ao lado da concessão, estão descobertas do pré-sal da Shell, em província conhecida como Parque das Conchas, e da americana Anadarko, conhecida como Wahoo. Rogério Silva disse que a estatal ainda não perfurou poços de pré-sal mais ao norte, já na Bacia do Espírito Santo, mas pretende fazê-lo para testar a existência de pré-sal.

O gerente da Petrobrás para o Espírito Santo informou que a empresa vem retomando a produção de gás no Estado, que ficou em marcha lenta por causa da baixa demanda pelo combustível após a crise econômica. Hoje, a produção está em torno de 5 milhões de m3/dia. Parte desse volume é exportada para o Nordeste por meio do Gasoduto Sudeste Nordeste, inaugurado este ano. A companhia fez nova descoberta de gás no norte do Estado, próxima ao campo de Camarupim Norte, em área onde tem parceria com a americana Unocal.

Partilha dos recursos 
Dos US$ 224 bilhões previstos pelo Plano de Negócios da Petrobras 2010-2014, a maior parte (53%), equivalente a US$ 118,8 bilhões, será destinada ao segmento de Exploração e Produção. Os números apontam para um incremento da ordem de 14% em relação ao previsto para o segmento nas metas de investimentos elaboradas anteriormente. O montante inclui os recursos necessários para a exploração e desenvolvimento das descobertas no pré-sal, maximização do aproveitamento do óleo e gás nas concessões em produção, além do desenvolvimento da produção do pré-sal da Bacia de Santos. Também com este orçamento a Petrobras pretende intensificar as explorações em outras áreas do pré-sal e em novas fronteiras, no Brasil e no exterior.

O segundo segmento, em termos de destinação de investimentos, é o de Refino, Transporte e Comercialização, com previsão de recursos da ordem de US$ 73,6 bilhões, ou 33% do total. Do total dos recursos previstos para esta área, metade será aplicada na ampliação do parque de refino; 29% serão investidos na melhoria da qualidade para atendimento do mercado interno; 11% irão para a melhoria operacional; 6% para ampliação da frota de distribuição; 35% para destinação do óleo nacional e 15% para programas internacionais.

O segmento de Gás e Energia aparece em terceiro lugar nas prioridades de investimentos (8% do total), com investimentos da ordem US$ 17,8 bilhões. O montante será direcionado para consolidar a liderança da empresa no mercado brasileiro de gás natural, assegurando flexibilidade para comercialização nos mercados termelétrico e não termelétrico. Serão, também, realizados investimentos para a transformação química do gás  natural, aumentando a flexibilidade da cadeia do produto e da  geração de energia elétrica. Está prevista a construção de três novas plantas fertilizantes para a produção de nitrogenados (Amônia e Uréia) em sinergia com outros ativos da Petrobras.

Já os investimentos em Petroquímica somam US$ 5,1 bilhões, equivalendo a 2% do total. As ações estarão focadas na ampliação da produção de petroquímicos e de biopolímeros, preferencialmente através de participações societárias, principalmente no Brasil, de forma integrada com os outros segmentos da companhia.

O segmento de Biocombustíveis, em quinto lugar nas prioridades, foi contemplado com US$ 3,5 bilhões, atuando na produção, logística e comercialização dos biocombustíveis e participando da cadeia de valor no Brasil e no exterior, de forma integrada. A estratégia no segmento de etanol foi redirecionada para a aquisição de participações com o objetivo de se tornar um importante player no mercado, assegurando o domínio tecnológico para a produção sustentável de biocombustíveis.

O negócio da Distribuição contará com US$ 2,5 bilhões, visando garantir a liderança na distribuição nacional, com meta de 40% de participação no mercado nacional em 2014, e atuação na distribuição de derivados no exterior.

Para as áreas da Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), a Petrobras destinou US$ 3,3 bilhões. Outros US$ 2,9 bilhões irão para Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC); e US$ 5,2 bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento, totalizando US$ 11,4 bilhões.

Refino: a meta é a autossuficiência
Expandir a capacidade de refino do País, assegurando autossuficiência no abastecimento nacional e a liderança na distribuição, desenvolvendo mercados de exportação de derivados, com ênfase na Bacia do Atlântico. Essas são as metas da Petrobras, ao definir, para os próximos quatro anos, investimentos da ordem de US$ 73,6 bilhões para as áreas de Refino, Transporte e Comercialização. Foi, portanto, mantida a estratégia de adequar a capacidade de refino ao potencial de crescimento da produção nacional de petróleo, ampliando e requalificando o parque nacional de refinarias para atender às exigências de qualidade de produtos requeridos pelos mercados interno e externo.

A empresa prevê investimentos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; Clara Camarão, no Rio Grande do Norte; Premium I, no Maranhão  e Premium II, no Ceará; Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e Complexo Petroquímico de Suape, em Pernambuco, bem como uma nova unidade de fertilizantes nitrogenados.

A refinaria Abreu e Lima, em fase de construção, resultado de parceira com a venezuelana PDVSA, adicionará mais 200 mil barris diários à capacidade de refino da Petrobras. Clara Camarão, por sua vez, contribuirá com 30 mil barris/dia. As refinarias Premium I e II terão capacidade para 600 mil e 300 mil barris/dia, respectivamente. O Comperj terá capacidade para refinar 165 mil barris/dia.

Também estão previstos investimentos em obras de conversão e qualidade de produtos nas refinarias existentes, com destaque para as metas de produção de diesel e gasolina com menor teor de enxofre, além de ampliações em dutos e terminais.

Mais adiantada entre os projetos das novas unidades, a refinaria Abreu e Lima só deverá ser inaugurada em 2013 e não mais em 2012, como havia sido anunciado anteriormente. Já foram realizados 20% da construção do empreendimento, com foco nas obras de terraplenagem.

O empreendimento enfrentou dificuldades burocráticas, na liberação das licenças ambientais para início das obras e suspeitas de superfaturamento. Teve também entraves na formação da sociedade que iria geri-lo. A PDVSA, que ficou de arcar com parte dos investimentos, recuou várias vezes antes de firmar a parceria com a Petrobras, gerando um clima de constrangimento e insegurança que só foram apaziguados após a petrolífera brasileira informar que arcaria com os custos da indústria mesmo que de forma isolada.

Como se tais problemas não bastassem, o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a apontar indícios de superfaturamento na terraplenagem e chegou a propor a paralisação das obras. Foi preciso o Governo Federal intervir e determinar que o projeto fosse tocado em nome dos “ganhos” que traria para o Estado. A Refinaria Abreu e Lima é a obra mais cara da história de Pernambuco, alcançando a cifra dos R$ 23 bilhões.

Também começa a sair do papel o projeto da Refinaria Premium I, no Maranhão. Em julho, a Petrobras assinou contrato com o consórcio formado pelas empresas Galvão Engenharia, Serveng e Fidens, para serviços de terraplenagem, drenagem e obras de acesso na área da refinaria.

O contrato tem prazo de 960 dias e visa preparar a área para receber as unidades de processamento principais, auxiliares e de utilidades. No pico da obra a previsão é de cerca de 3.500 trabalhadores contratados, só na terraplenagem.

A Refinaria Premium I será implantada no município de Bacabeira (Maranhão), a 60 km de São Luís, e vai processar 600 mil barris de petróleo por dia.

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