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Revista GC - Ed.112 - Agosto/Setembro 2026
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SUPLEMENTO ESPECIAL – ENGENHARIA & INOVAÇÃO

Pilares da construção têm desafios semelhantes

País precisa estar preparado para entregar industrialização, produtividade e gestão de projetos orientada por dados nas duas pontas da pirâmide que impulsionam o setor
Por Filipe Honorato
Foto: PININFARINA

Atualmente, o mercado imobiliário brasileiro cresce nos dois extremos da pirâmide. Em 2025, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) contratou cerca de 880 mil unidades e movimentou cerca de R$ 180 bilhões.

Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333/2026 ampliou a Faixa 4 para rendas até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil, com orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões.

No outro extremo, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) registrou R$ 30 bilhões em lançamentos de alto padrão em 2025, alta de 20% sobre 2024.

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB do setor deve avançar cerca de 2% em 2026, terceiro ano consecutivo de expansão.

Os resultados têm sido animadores, embora tragam um duplo desafio.

Para escalar a habitação social com custo controlado e, ao mesmo


Foto: PININFARINA

Atualmente, o mercado imobiliário brasileiro cresce nos dois extremos da pirâmide. Em 2025, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) contratou cerca de 880 mil unidades e movimentou cerca de R$ 180 bilhões.

Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333/2026 ampliou a Faixa 4 para rendas até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil, com orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões.

No outro extremo, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) registrou R$ 30 bilhões em lançamentos de alto padrão em 2025, alta de 20% sobre 2024.

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB do setor deve avançar cerca de 2% em 2026, terceiro ano consecutivo de expansão.

Os resultados têm sido animadores, embora tragam um duplo desafio.

Para escalar a habitação social com custo controlado e, ao mesmo tempo, entregar produtos de luxo com padrão internacional, o país precisa estar preparado para a mesma missão, ou seja, entregar industrialização, produtividade e gestão de projetos orientada por dados.

No topo da pirâmide, as parcerias com marcas consolidadas viraram o principal vetor de diferenciação, como mostra este Especial Imobiliário.

Levantamento da CBRE aponta São Paulo como o 5º maior mercado mundial de branded residences, atrás apenas de Dubai, sul da Flórida, Nova York e Phuket.

Estudos da Savills e da Knight Frank projetam expansão de 270% no segmento até 2031, tanto no Brasil quanto no México.

Nos dois segmentos, o sistema construtivo define a viabilidade.

A alvenaria estrutural cresce de forma consistente – para a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o Brasil é referência mundial na tecnologia – por reduzir etapas, embutir instalações e diminuir resíduos e consumo de materiais e revestimentos.

Nesse aspecto, a ABNT NBR 16868:2020 consolidou o arcabouço técnico de projeto, execução e controle.

Ao lado dela avançam a parede de concreto moldada in loco (NBR 16055), pré-fabricados (NBR 9062), light steel frame e soluções avaliadas pelo SINAT/PBQP-H, sob a régua de desempenho da NBR 15575.

Antes restrita ao segmento econômico, a alvenaria estrutural chega hoje ao médio e ao alto padrão, com mais pavimentos e melhor acabamento.

No entanto, industrializar não se resume a trocar o sistema construtivo, pois envolve coordenação modular desde o estudo preliminar, projetos compatibilizados em BIM, controle de qualidade de blocos e argamassas, mão de obra qualificada e logística de canteiro.

Em resumo, MCMV e alto padrão não são mercados opostos, mas duas pontas de uma mesma cadeia que se moderniza, na qual crédito bem-direcionado, parcerias que agregam valor de marca e sistemas construtivos industrializados se tornam pilares de crescimento.


Novas frentes baseadas em competências

Em rápido amadurecimento no país, projetos construtivos que articulam indústria,marcas e dados garantem margens futuras onde hoje ainda só existe volume

No setor imobiliário atual, cinco competências separam quem só constrói de quem gera negócio, a saber, engenharia de produto, coordenação modular, gestão de suprimentos, curadoria de marca e mensuração de carbono. Isso tem se mostrado crucial em um cenário de amadurecimento de novas frentes de negócios.

O repertório de parcerias premium, por exemplo, se sofistica com rapidez no país, como mostram diversos empreendimentos.

A Faena desembarcou em projeto da Even, o Saffire by Elie Saab avança em Moema, o estúdio YOO assina torres no eixo da Faria Lima, Jean Nouvel projetou as residências do Cidade Matarazzo e a Tonino Lamborghini licenciou seu nome à Embraed – com Bvlgari e Hyatt em avaliação.

Nesse cenário, levantamento da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) mostra o concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) saindo de 10% para 14% dos associados entre 2023 e 2024, com 56% estudando a adoção, enquanto o autoadensável está presente em 78% das empresas – somando-se a tokenização de recebíveis.

Na base, a alvenaria estrutural, com blocos normalizados pela ABNT NBR 6136 (concreto) e NBR 15270 (cerâmicos), segue imbatível em escala. Mas não fica nisso.

A seguir, confira algumas soluções que traduzem essa agenda em receita.


Tecverde – A indústria brasileira de wood frame com Documento de Avaliação Técnica (DATec) no SiNAT/PBQP-H entrega painéis prontos de fábrica, com obra seca e prazos que encurtam o custo financeiro, um caminho já testado em conjuntos habitacionais (www.tecverde.com.br).


FBR – O robô australiano de assentamento com braço telescópico Hadrian X é capaz de erguer paredes a partir da rua com cadência da ordem de 500 blocos por hora. A solução aponta para o próximo estágio da alvenaria estrutural, com automação do serviço mais crítico do cronograma (www.fbr.com.au).


TestFit – Desenvolve um software de viabilidade generativa que testa, em minutos, combinações de terreno, produto e custo antes da aquisição da área. O projeto encurta a decisão de compra e evita capital imobilizado em estudos que não se pagam (www.testfit.io).


CV CRM – A plataforma especializada brasileira organiza funil, corretores, reservas, contratos e repasses bancários das incorporadoras, transformando dados de venda em previsão de receita e redução de distratos, um ponto sensível nos dois segmentos (https://cvcrm.com.br).


CarbonCure – A tecnologia mineraliza CO₂ dentro do concreto e de blocos, reduzindo o consumo de cimento por metro cúbico. A ideia é criar lastro técnico para financiamento verde e exigências ESG de fundos e compradores (www.carboncure.com).


Depois da chave

Com energia e água mais caras, materiais e sistemas que reduzem a demanda passam a valer mais do que acabamentos vistosos, levando a um deslocamento do foco no setor

Desempenho em uso é a medida do quanto uma edificação entrega de conforto, eficiência e durabilidade durante as décadas em que será habitada – e não apenas no dia da entrega das chaves. A distinção separa dois custos que raramente aparecem juntos: o preço de construir e o preço de morar.

No Brasil, o segundo cresce mais rápido. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a demanda elétrica das famílias com condicionadores de ar avance 5,4% ao ano até 2035, chegando a 48 TWh.

Com isso, do apartamento de Faixa 1 à cobertura assinada por um estúdio internacional, a questão técnica é a mesma, indicando quanto a moradia vai custar em seu ciclo de vida para funcionar.

Invariavelmente, os efeitos de escolhas equivocadas recaem sobre o morador.

Nesse sentido, cinco impactos merecem destaque, começando pela conta de luz, em que padrões mínimos mais rigorosos de eficiência para climatizadores podem evitar 15 TWh em 2035, equivalentes a uma usina de 3,5 GW, segundo a EPE. A economia depende tanto do equipamento quanto da envoltória que reduz a carga térmica.

No que tange ao consumo de água, a Lei no 13.312/2016 tornou obrigatória a medição individualizada em novas edificações condominiais desde julho de 2021, sendo que levantamentos com mais de 100 mil prédios apontam quedas de 20% a 30% no consumo quando cada família paga pelo que gasta.

Em termos de custo de adaptação, instalar hidrômetros individuais depois da obra pronta pode superar o valor de R$ 5 mil por unidade, valor que evidencia o peso de decidir cedo.

Por sua vez, a alvenaria estrutural entrega até 30% de economia em prédios de até cinco pavimentos, margem que cai para cerca de 10% acima de dez andares, conforme especialistas envolvidos na revisão da ABNT NBR 15961.

Já o envelhecimento precoce também merece atenção, pois sem plano de manutenção e manual do proprietário – objeto das normas ABNT NBR 5674 e NBR 14037 – as patologias de fachada e de impermeabilização consomem em poucos anos a economia obtida no orçamento inicial.

Duas frentes explicam por que a alvenaria estrutural segue ganhando espaço até em produtos mais sofisticados.

A primeira é o salto na qualidade dos blocos, uma vez que peças vazadas que podem alcançar no máximo 12 MPa e sustentam edifícios de oito a dez pavimentos, enquanto blocos de paredes maciças chegam a 18 MPa ou mais, melhorando a eficiência do prisma, conjunto bloco-argamassa que define a capacidade da parede.

A segunda frente é a envoltória. O Passive House Institute limita a demanda de aquecimento a 15 kWh por metro quadrado ao ano, marca obtida com isolamento contínuo, esquadrias de alto desempenho e controle de infiltração de ar – repertório que chega ao país pelas fachadas ventiladas e vidros de controle solar do segmento premium.

Foto: MOSAIC

Tendências no alto padrão

Para os próximos anos, a expectativa é de avanço em vetores como automação, casas inteligentes e novos materiais, evitando que a residência se torne tecnicamente obsoleta

Foto:KNX

Quando o assunto é imóvel de luxo, a tecnologia deixou de ser acessória e virou critério de compra. Projetar, construir e operar residências de alto padrão significa integrar uma camada de automação estável, superfícies duráveis, envoltória que controla luz e calor e uma estrutura que libere plantas amplas sem inflar o custo.

A abordagem responde a um comprador que compara consumo, silêncio, privacidade e obsolescência tecnológica antes de assinar contrato – e que trata a casa conectada como parte do patrimônio, não como gadget.

Tais projetos seguem protocolos e referenciais internacionais como KNX (ISO/IEC 14543-3) para automação predial, padrão Matter, mantido pela Connectivity Standards Alliance, além de certificações de desempenho e bem-estar como LEED e WELL v2, que orientam desde a qualidade do ar interno até a iluminação natural.

Nessa linha, a melhor alternativa para o imóvel de luxo no biênio 2026-2027 é tratar automação, materiais e estrutura como projeto único, comissionado e documentado desde a concepção.

Assim, a casa inteligente deixa de ser promessa de folheto e vira um ativo tecnicamente atualizável, econômico em operação e coerente com o valor que representa. A seguir, confira as características que vêm se consolidando essa tendência.

  • Camada única de controle: Plataforma unifica iluminação, sombreamento, climatização, áudio e segurança, substituindo a colcha de aplicativos, que envelheceu mal na última década.
  • Acesso biométrico e privacidade: Reconhecimento facial e leitura de palma para portaria, elevador e acessos internos, com credenciais temporárias auditáveis para prestadores de serviço.
  • Iluminação circadiana e sombreamento motorizado: Cenas que acompanham o ciclo do dia, combinadas a persianas e vidros de transmissão variável para controlar ofuscamento sem comprometimento da vista.
  • Climatização zoneada com inteligência embarcada: Sistemas por ambiente que aprendem rotinas, antecipam ocupação e dimensionam equipamentos menores, reduzindo ruído e consumo.
  • Superfícies e envoltória de alto desempenho: Pdras sinterizadas de grande formato, madeira termotratada, metais com acabamento PVD e vidros dinâmicos, todos com foco em durabilidade e baixa manutenção.
  • Valorização do ativo: Imóveis com automação integrada podem registrar acréscimo de até 10% no valor de mercado, conforme levantamento divulgado pelo E-Investidor/Estadão.
  • Preferência do usuário: Pesquisa QuintoAndar/Datafolha aponta câmeras de segurança (59%), fechaduras eletrônicas (45%) e iluminação controlada por aplicativo (42%) como os recursos mais desejados.
  • Alvenaria estrutural em blocos de concreto: O sistema tornou-se a base produtiva da habitação nacional e avança sobre torres mais altas, sustentado por blocos de maior resistência, controle de produção em fábrica e projeto modulado.

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