Foto: PININFARINAAtualmente, o mercado imobiliário brasileiro cresce nos dois extremos da pirâmide. Em 2025, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) contratou cerca de 880 mil unidades e movimentou cerca de R$ 180 bilhões.
Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333/2026 ampliou a Faixa 4 para rendas até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil, com orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões.
No outro extremo, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) registrou R$ 30 bilhões em lançamentos de alto padrão em 2025, alta de 20% sobre 2024.
Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB do setor deve avançar cerca de 2% em 2026, terceiro ano consecutivo de expansão.
Os resultados têm sido animadores, embora tragam um duplo desafio.
Para escalar a habitação social com custo controlado e, ao mesmo

Foto: PININFARINAAtualmente, o mercado imobiliário brasileiro cresce nos dois extremos da pirâmide. Em 2025, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) contratou cerca de 880 mil unidades e movimentou cerca de R$ 180 bilhões.
Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333/2026 ampliou a Faixa 4 para rendas até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil, com orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões.
No outro extremo, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) registrou R$ 30 bilhões em lançamentos de alto padrão em 2025, alta de 20% sobre 2024.
Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB do setor deve avançar cerca de 2% em 2026, terceiro ano consecutivo de expansão.
Os resultados têm sido animadores, embora tragam um duplo desafio.
Para escalar a habitação social com custo controlado e, ao mesmo tempo, entregar produtos de luxo com padrão internacional, o país precisa estar preparado para a mesma missão, ou seja, entregar industrialização, produtividade e gestão de projetos orientada por dados.
No topo da pirâmide, as parcerias com marcas consolidadas viraram o principal vetor de diferenciação, como mostra este Especial Imobiliário.
Levantamento da CBRE aponta São Paulo como o 5º maior mercado mundial de branded residences, atrás apenas de Dubai, sul da Flórida, Nova York e Phuket.
Estudos da Savills e da Knight Frank projetam expansão de 270% no segmento até 2031, tanto no Brasil quanto no México.
Nos dois segmentos, o sistema construtivo define a viabilidade.
A alvenaria estrutural cresce de forma consistente – para a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o Brasil é referência mundial na tecnologia – por reduzir etapas, embutir instalações e diminuir resíduos e consumo de materiais e revestimentos.
Nesse aspecto, a ABNT NBR 16868:2020 consolidou o arcabouço técnico de projeto, execução e controle.
Ao lado dela avançam a parede de concreto moldada in loco (NBR 16055), pré-fabricados (NBR 9062), light steel frame e soluções avaliadas pelo SINAT/PBQP-H, sob a régua de desempenho da NBR 15575.
Antes restrita ao segmento econômico, a alvenaria estrutural chega hoje ao médio e ao alto padrão, com mais pavimentos e melhor acabamento.
No entanto, industrializar não se resume a trocar o sistema construtivo, pois envolve coordenação modular desde o estudo preliminar, projetos compatibilizados em BIM, controle de qualidade de blocos e argamassas, mão de obra qualificada e logística de canteiro.
Em resumo, MCMV e alto padrão não são mercados opostos, mas duas pontas de uma mesma cadeia que se moderniza, na qual crédito bem-direcionado, parcerias que agregam valor de marca e sistemas construtivos industrializados se tornam pilares de crescimento.
No setor imobiliário atual, cinco competências separam quem só constrói de quem gera negócio, a saber, engenharia de produto, coordenação modular, gestão de suprimentos, curadoria de marca e mensuração de carbono. Isso tem se mostrado crucial em um cenário de amadurecimento de novas frentes de negócios.
O repertório de parcerias premium, por exemplo, se sofistica com rapidez no país, como mostram diversos empreendimentos.
A Faena desembarcou em projeto da Even, o Saffire by Elie Saab avança em Moema, o estúdio YOO assina torres no eixo da Faria Lima, Jean Nouvel projetou as residências do Cidade Matarazzo e a Tonino Lamborghini licenciou seu nome à Embraed – com Bvlgari e Hyatt em avaliação.
Nesse cenário, levantamento da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) mostra o concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) saindo de 10% para 14% dos associados entre 2023 e 2024, com 56% estudando a adoção, enquanto o autoadensável está presente em 78% das empresas – somando-se a tokenização de recebíveis.
Na base, a alvenaria estrutural, com blocos normalizados pela ABNT NBR 6136 (concreto) e NBR 15270 (cerâmicos), segue imbatível em escala. Mas não fica nisso.
A seguir, confira algumas soluções que traduzem essa agenda em receita.
Tecverde – A indústria brasileira de wood frame com Documento de Avaliação Técnica (DATec) no SiNAT/PBQP-H entrega painéis prontos de fábrica, com obra seca e prazos que encurtam o custo financeiro, um caminho já testado em conjuntos habitacionais (www.tecverde.com.br).

FBR – O robô australiano de assentamento com braço telescópico Hadrian X é capaz de erguer paredes a partir da rua com cadência da ordem de 500 blocos por hora. A solução aponta para o próximo estágio da alvenaria estrutural, com automação do serviço mais crítico do cronograma (www.fbr.com.au).

TestFit – Desenvolve um software de viabilidade generativa que testa, em minutos, combinações de terreno, produto e custo antes da aquisição da área. O projeto encurta a decisão de compra e evita capital imobilizado em estudos que não se pagam (www.testfit.io).

CV CRM – A plataforma especializada brasileira organiza funil, corretores, reservas, contratos e repasses bancários das incorporadoras, transformando dados de venda em previsão de receita e redução de distratos, um ponto sensível nos dois segmentos (https://cvcrm.com.br).

CarbonCure – A tecnologia mineraliza CO₂ dentro do concreto e de blocos, reduzindo o consumo de cimento por metro cúbico. A ideia é criar lastro técnico para financiamento verde e exigências ESG de fundos e compradores (www.carboncure.com).

Desempenho em uso é a medida do quanto uma edificação entrega de conforto, eficiência e durabilidade durante as décadas em que será habitada – e não apenas no dia da entrega das chaves. A distinção separa dois custos que raramente aparecem juntos: o preço de construir e o preço de morar.
No Brasil, o segundo cresce mais rápido. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a demanda elétrica das famílias com condicionadores de ar avance 5,4% ao ano até 2035, chegando a 48 TWh.
Com isso, do apartamento de Faixa 1 à cobertura assinada por um estúdio internacional, a questão técnica é a mesma, indicando quanto a moradia vai custar em seu ciclo de vida para funcionar.
Invariavelmente, os efeitos de escolhas equivocadas recaem sobre o morador.
Nesse sentido, cinco impactos merecem destaque, começando pela conta de luz, em que padrões mínimos mais rigorosos de eficiência para climatizadores podem evitar 15 TWh em 2035, equivalentes a uma usina de 3,5 GW, segundo a EPE. A economia depende tanto do equipamento quanto da envoltória que reduz a carga térmica.
No que tange ao consumo de água, a Lei no 13.312/2016 tornou obrigatória a medição individualizada em novas edificações condominiais desde julho de 2021, sendo que levantamentos com mais de 100 mil prédios apontam quedas de 20% a 30% no consumo quando cada família paga pelo que gasta.
Em termos de custo de adaptação, instalar hidrômetros individuais depois da obra pronta pode superar o valor de R$ 5 mil por unidade, valor que evidencia o peso de decidir cedo.
Por sua vez, a alvenaria estrutural entrega até 30% de economia em prédios de até cinco pavimentos, margem que cai para cerca de 10% acima de dez andares, conforme especialistas envolvidos na revisão da ABNT NBR 15961.
Já o envelhecimento precoce também merece atenção, pois sem plano de manutenção e manual do proprietário – objeto das normas ABNT NBR 5674 e NBR 14037 – as patologias de fachada e de impermeabilização consomem em poucos anos a economia obtida no orçamento inicial.
Duas frentes explicam por que a alvenaria estrutural segue ganhando espaço até em produtos mais sofisticados.
A primeira é o salto na qualidade dos blocos, uma vez que peças vazadas que podem alcançar no máximo 12 MPa e sustentam edifícios de oito a dez pavimentos, enquanto blocos de paredes maciças chegam a 18 MPa ou mais, melhorando a eficiência do prisma, conjunto bloco-argamassa que define a capacidade da parede.
A segunda frente é a envoltória. O Passive House Institute limita a demanda de aquecimento a 15 kWh por metro quadrado ao ano, marca obtida com isolamento contínuo, esquadrias de alto desempenho e controle de infiltração de ar – repertório que chega ao país pelas fachadas ventiladas e vidros de controle solar do segmento premium.

Foto:KNXQuando o assunto é imóvel de luxo, a tecnologia deixou de ser acessória e virou critério de compra. Projetar, construir e operar residências de alto padrão significa integrar uma camada de automação estável, superfícies duráveis, envoltória que controla luz e calor e uma estrutura que libere plantas amplas sem inflar o custo.
A abordagem responde a um comprador que compara consumo, silêncio, privacidade e obsolescência tecnológica antes de assinar contrato – e que trata a casa conectada como parte do patrimônio, não como gadget.
Tais projetos seguem protocolos e referenciais internacionais como KNX (ISO/IEC 14543-3) para automação predial, padrão Matter, mantido pela Connectivity Standards Alliance, além de certificações de desempenho e bem-estar como LEED e WELL v2, que orientam desde a qualidade do ar interno até a iluminação natural.
Nessa linha, a melhor alternativa para o imóvel de luxo no biênio 2026-2027 é tratar automação, materiais e estrutura como projeto único, comissionado e documentado desde a concepção.
Assim, a casa inteligente deixa de ser promessa de folheto e vira um ativo tecnicamente atualizável, econômico em operação e coerente com o valor que representa. A seguir, confira as características que vêm se consolidando essa tendência.

Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade