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10 de setembro de 2010
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ARTIGO

O projeto do Cenpes, por Siegbert Zanettini

“A arquitetura proposta, em co-autoria com José Wagner Garcia, para a extensão do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) constitui-se conceitualmente em novo paradigma para a arquitetura brasileira, possibilitado pela postura pioneira dessa empresa que já na estruturação do edital do concurso incluiu questões sobre ecoeficiência, sustentabilidade, utilização de condições ambientais naturais, incorporação de novas formas de energia e interação com os ecossistemas natural e construído.

Essa abordagem veio na esteira de várias experiências por nós efetuadas, no tocante ao uso de tecnologias limpas em projetos realizados e que encontraram nesta oportunidade as condições propícias para uma ocorrência global dos fundamentos que definimos como arquitetura contemporânea e ecossistêmica. Em todos os aspectos do projeto ele é inovador, tanto no seu todo como em suas partes: integra e coordena arquitetura, estrutura, sistemas de ecoeficiência, paisagismo, recuperação da paisagem, comunicação visual, economia, planejamento e organização da obra.

Neste projeto não existe o complementar: todas as disciplinas criaram, inovaram e comprovaram sua influência no resultado final da arquitetura. Esta atitude perante o projeto envolvendo 140 especialistas num corpo sistêmico com contribuições de avanço em todas as áreas do projeto, incluindo a preocupação construtiva, resultou num processo sistêmico claro e estruturado, que será transferido para outros projetos da Petrobras e a seus parceiros, e fica como uma nova forma integrada de metodologia de projeto para a cadeia produtiva da construção.

O partido adotado
A proposta surge como decorrência do conjunto de conceitos expostos e da metodologia projetual, que envolveu todas as disciplinas constituintes do projeto, atribuindo o mesmo peso às disciplinas científicas e à criatividade na estruturação do projeto. A implantação da ampliação do Cenpes surge claramente de uma conjunção de inúmeras variáveis e como extensão natural do Cenpes existente, articulando-se com ele ambiental e energeticamente, unindo centros de energia, de controle e de computação (CIPD – RIO ), e através dos fluxos de pedestres, para a seqüência lógica das atividades culturais, sociais, de produção científica e de apoio. A circulação de veículos complementa esta integração, contemplando, inclusive, a ampliação do estacionamento de veículo


“A arquitetura proposta, em co-autoria com José Wagner Garcia, para a extensão do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) constitui-se conceitualmente em novo paradigma para a arquitetura brasileira, possibilitado pela postura pioneira dessa empresa que já na estruturação do edital do concurso incluiu questões sobre ecoeficiência, sustentabilidade, utilização de condições ambientais naturais, incorporação de novas formas de energia e interação com os ecossistemas natural e construído.

Essa abordagem veio na esteira de várias experiências por nós efetuadas, no tocante ao uso de tecnologias limpas em projetos realizados e que encontraram nesta oportunidade as condições propícias para uma ocorrência global dos fundamentos que definimos como arquitetura contemporânea e ecossistêmica. Em todos os aspectos do projeto ele é inovador, tanto no seu todo como em suas partes: integra e coordena arquitetura, estrutura, sistemas de ecoeficiência, paisagismo, recuperação da paisagem, comunicação visual, economia, planejamento e organização da obra.

Neste projeto não existe o complementar: todas as disciplinas criaram, inovaram e comprovaram sua influência no resultado final da arquitetura. Esta atitude perante o projeto envolvendo 140 especialistas num corpo sistêmico com contribuições de avanço em todas as áreas do projeto, incluindo a preocupação construtiva, resultou num processo sistêmico claro e estruturado, que será transferido para outros projetos da Petrobras e a seus parceiros, e fica como uma nova forma integrada de metodologia de projeto para a cadeia produtiva da construção.

O partido adotado
A proposta surge como decorrência do conjunto de conceitos expostos e da metodologia projetual, que envolveu todas as disciplinas constituintes do projeto, atribuindo o mesmo peso às disciplinas científicas e à criatividade na estruturação do projeto. A implantação da ampliação do Cenpes surge claramente de uma conjunção de inúmeras variáveis e como extensão natural do Cenpes existente, articulando-se com ele ambiental e energeticamente, unindo centros de energia, de controle e de computação (CIPD – RIO ), e através dos fluxos de pedestres, para a seqüência lógica das atividades culturais, sociais, de produção científica e de apoio. A circulação de veículos complementa esta integração, contemplando, inclusive, a ampliação do estacionamento de veículos e de ônibus, tanto para ampliação quanto para o site atual.

Como decorrência, o Centro de Convenções - com o Auditório do Cenpes, salas de reuniões, lanchonete e área de eventos - se situa no local mais próximo possível do Cenpes atual, na extremidade oposta da Passagem Subterrânea e constitui o portal de entrada do Cenpes ampliado para o público que a ele se dirige, possibilitando seu uso para as mais diversas atividades culturais e educativas, sem que elas interfiram na vida científica deste novo Centro – importante equipamento para todo o complexo , inclusive do CIPD-RIO. Sua localização também foi definida em função da proximidade da vegetação à mata envoltória, possibilitada pelo espaço existente e complementação do plantio. Os estacionamentos frontal e lateral posteriormente anexados foram locados de modo a ocupar os espaços vazios de vegetação da melhor forma possível e receberão igual cuidado ambiental e paisagístico, com marcante sombreamento de espécies vegetais adequadas.

Do Centro de Convenções parte o eixo Norte-Sul principal, coluna vertebral de articulação de todas as atividades de produção científica, dos laboratórios e escritórios no pavimento térreo; dos escritórios nos dois pavimentos superiores, que exploram a visual marinha; e das salas de visualização do CRV, do CIC e Biblioteca no 1º pavimento, e ao bloco separado do CRV (Holospace e Cave), articulados por um eixo central de circulação de usuários internos e externos. Na extremidade norte deste eixo, estão situados o Restaurante Central e o Orquidário, que finalizam este bloco central com o primeiro voltando-se para o mar, ocupando uma posição privilegiada junto ao CIPD-RIO. Ao lado, encontra-se o espaço destinado ao Posto Eco-Tecnológico, completando esta trama espacial. Sua locação mantém sua independência funcional, abrindo-se para o exterior do terreno pela Avenida Jequitibá.

Este eixo articula também todo o sistema de energia, através de um Pipe-rack, originário da Central de Utilidades, de onde partem, em mesma cota, um Pipe-rack principal que ocupa o primeiro pavimento do Prédio Central, que se liga ortogonalmente aos pipe-racks que atendem às Alas dos Laboratórios e Planta Piloto, conectando-se no extremo sul ao armário de instalações da Passagem Subterrânea até o edifício atual do Cenpes, aos edifícios da Empreiteirópolis, Almoxarifado e Oficinas, através de tubovia.

O pipe-rack possui, ao longo de toda sua extensão dentro da projeção do Prédio Central, salas de painéis e equipamentos, além de casas de máquinas, baterias e no-break, e centrais setoriais de ar condicionado, definindo o Primeiro Pavimento como uma grande área técnica. O sistema viário foi definido de modo que todos os espaços de trabalho sejam atendidos por circulações de serviço, permitindo a circulação de veículos necessários para a operação dos edifícios, bem como para alterações ou ampliações dos mesmos. Este sistema viário conecta também os vários blocos de apoio às áreas da Empreiterópolis, Oficinas, Almoxarifado e RSUD com suas docas de acesso voltadas para uma via secundária externa.

Os estacionamentos de veículos ocupam estrategicamente os espaços vazios, distribuídos em função de cada área de trabalho. O estacionamento de ônibus concentra-se de forma ordenada em área reservada na via lateral exterior, com acesso pela avenida, de forma a facilitar a entrada e saída dos veículos. Foi previsto também estacionamento para 150 bicicletas.

O partido adotado reflete também a condição de “obra aberta”, que entende o espaço relativizado no tempo em função da evolução das necessidades, imprimindo às soluções grande flexibilidade para ampliações e reformulações, de acordo com novos usos.

Vale ressaltar que todas as soluções adotadas apoiam-se em bases científicas, no que diz respeito a urbanização, arquitetura e arquitetura de interiores, aos sistemas de conforto ambiental e eficiência energética, aos sistemas prediais de utilidades, aos sistemas construtivos e estruturais e à recomposição dos ecossistemas naturais.

Arquitetura Ecossistêmica e Sustentável 
A arquitetura presente no projeto de ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras constitui-se conceitualmente num novo paradigma para a Arquitetura Brasileira, possibilitado pela postura pioneira dessa empresa que incluiu questões sobre ecoeficiência, sustentabilidade, utilização de condições ambientais naturais, incorporação de novas formas de energia e interação com o ecossistema natural e o construído.

Essa abordagem veio ao encontro das várias experiências por nós efetuadas no tocante ao uso de tecnologias limpas em projetos realizados, e que encontra nesta oportunidade as condições propícias para uma ocorrência global dos fundamentos daquilo que definimos como arquitetura ecossistêmica e sustentável.

Padrões éticos e eqüidade social 
A contribuição deste projeto na produção e transmissão de conhecimento e tecnologia é notável ao interagir com outras instituições, tais como universidades, escolas, outros centros de pesquisas e mais diretamente na UFRJ em cujo campus se situa.

Nesse sentido foi de transcendental importância a inserção no projeto de um Centro de Convenções, com auditório, salas múltiplas de reuniões, áreas para eventos e exposições abertas ao público interno e externo, e também como local de congregação do público universitário e da própria Petrobras. Este novo espaço abre oportunidades e cria condições favoráveis ao desenvolvimento de programas sociais junto à comunidade envolvente da baixada fluminense, alguns já em andamento. Pelo fato da Petrobras ser o maior incentivador público no Brasil na participação e no patrocínio de programas culturais, esportivos e sociais, certamente irá contribuir, especificamente com este projeto, ainda mais na renovação e no desenvolvimento de idéias e como centro de referência na arquitetura brasileira, atendendo aos usuários com alto grau de satisfação e de segurança, assegurados em todos os quesitos do projeto e da obra pela aplicação de normas técnicas nacionais, internacionais e da própria Petrobras.

Qualidade Ecológica e Conservação de Energia 
A proposta aborda o desafio de minimizar o impacto ambiental da construção, ou seja, da ecoeficiência, criando ambientes externos e internos que garantam o conforto ambiental do usuário, a eficiência energética dos edifícios, a possibilidade de geração de energia limpa e o aproveitamento da paisagem natural na composição dos espaços. Assim, ventos e vegetação, somados à vista privilegiada do mar, fazem parte do projeto do novo centro de pesquisa. Como um recurso de valorização da arquitetura, tais elementos estão presentes em todas as edificações e espaços do complexo: espaços fechados, abertos e de transição. As condições do clima local foram tomadas como fatores determinantes para os critérios de projeto, desde a etapa de implantação do novo conjunto, até a arquitetura dos edifícios, definida por um partido predominantemente horizontal que propõe cheios construídos (os edifícios), intercalados por espaços abertos, incluindo áreas cobertas e descobertas enriquecidas ambientalmente pela inserção de vegetação e pela conseqüente formação de espaços sombreados.

O diagnóstico das condições climáticas locais destaca a importância de estratégias de sombreamento e ventilação, como meios passivos para o conforto ambiental nos espaços internos e externos do conjunto. Estruturas envoltórias e de coberturas assumem um papel de referência na concepção tanto dos espaços abertos como dos edificados.

Envoltórias e membranas protetoras atuam na mediação climática entre o meio externo e os espaços internos, protegendo os edifícios do sol e da chuva, e mantendo o aproveitamento da ventilação e iluminação naturais. No que tange ao interior dos edifícios, a proposta é marcada pela maximização do uso de estratégias passivas para a climatização nos períodos de condições externas favoráveis, enquanto que nos períodos de necessidade do ar condicionado a proteção dada aos edifícios cumpre com a função de minimizar o consumo de energia.

Quanto aos materiais, a predominância do aço traz vantagens no que diz respeito às questões de impacto ambiental global das construções. Isto porque o tempo superior de vida útil da estrutura em aço, em comparação às soluções alternativas, somado às possibilidades de reutilização e reciclagem, minimiza o impacto ambiental de sua energia incorporada. Considerando as vedações das edificações, os painéis pré-moldados de concreto como fechamento externo, os painéis duplos de drywall com manta sintética interna nas vedações internas e as coberturas protegidas por placas sanduíche de alumínio pré-pintado em cores claras, preenchidas com material de proteção térmica, foram especificados com base em seu desempenho térmico e sua compatibilidade com o sistema estrutural. Os ganhos no conforto interno e na economia de energia pela redução do uso de ar condicionado é mais uma vantagem ambiental desses materiais.

Desempenho econômico e compatibilidade 
Esse esforço de projeto integrado e inovador refletir-se-á numa obra exemplar no tocante ao seu tempo de construção, racionalidade produtiva, usando tecnologia limpa e segura na sua produção e no seu uso, sem desperdício de energia e de materiais, que preserva e recupera seu contexto ambiental. Todo esse complexo foi concebido com a preocupação de desenvolver tecnologias, utilizando materiais nacionais compatíveis com a realidade econômica brasileira e que superou as expectativas de desempenho econômico tendo em vista a complexidade e o porte desta obra.”

CENPES II – Ampliação do Centro do Centro de Pesquisa Leopoldo A. Miguez de Mello
Proprietário/Cliente: Petrobras 
Ilha do Fundão Bairro: Cidade Universitária 
Cidade: Rio de Janeiro Estado: RJ 
Data do Projeto: março de 2004 a junho de 2006 
Data de execução: outubro 2005 a 2010 (previsão de entrega) 
Área do Terreno: 189.604,27m² 
Área Total Construída: 124.368,58 m² 
Equipe técnica projeto de arquitetura
Projeto arquitetônico: Siegbert Zanettini 
Co-autor: José Wagner Garcia 
Arquiteto responsável: Siegbert Zanettini 
Arquitetos colaboradores: Érika di Giamo Bataglia Thaís Barzocchini Miriam Haddad Sayeg Barbara Kelch Monteiro Clara Sato Fausto Slhiguemitsu Natsui Alexandre Barone Guilherme Margara Flávio Hayato Ikeda Maria Fabiana Janaina F. Prado Valéria Luppi Álvaro Luiz Ikuno Camila Chaves Garcez Camila Faccioni Mendes Karina Carvalho Bachiega Ana Marconato Fernanda Braga R. Teixeira Camila de Souza Nogueira Silva Eduardo Luiz Teixeira Dornelas Tatiana Xavier de Barros Paola B. T. Iezzi Alessandra Cagnani Salado Elson Matos Cerqueira 
Equipe Técnica Projetos Complementares
Gerenciamento dos Projetos: Zanettini Arquitetura Planejamento Consultoria Ltda 
Projeto de estrutural concreto: Companhia de Projetos Ltda 
Projeto de estrutural metálica: Companhia de Projetos Ltda 
Consultoria e projeto de tenso-estruturas: Prof. Ruy Marcelo de Oliveira Pauletti 
Estruturas metálicas das portarias: HR Projetos 
Estrutura do orquidário: Kurkdjian & Fruchtengarten Engenheiros Associados S/C Ltda 
Consultoria de Estruturas de Concreto e Metálica: Eng. Augusto Carlos Vasconcelos e Eng. Natan Jacobsohn Levental 
Projeto de Instalações: MHA Engenharia Ltda 
Projeto de Esquadrias: Aec Consultores de Arquitetura e Construção Ltda 
Projeto de Fundações: Engenheiros Consultores Associados Consultrix S/A Ltda. 
Comunicação Visual: Epigram Comunicação Ltda / Oswaldo Mellone Desenho Industrial S/C Ltda - MHO Design Projetos 
Orçamento: Controltec Engenharia Ltda. 
Terraplenagem : Mesure Engenharia Ltda. / Kanji 
Projeto de Luminotécnica: Esther Stiller Consultoria S/C Ltda 
Projeto de Impermeabilização: Proassp Assessoria Projetos e Comércio Ltda 
Projeto de Paisagismo: Benedito Abbud - Arquitetura da Paisagem Ltda 
Consultoria Soluções em proteção passiva contra fogo: PCF Soluções 
Structural Protection Specialist: Fábio D. Pannoni 
Consultoria em Pavimentação: Monobeton – Soluções Tecnológicas Ltda. 
Pesquisa e Consultoria de Eco Eficiência: Fupam – Fundação para pesquisa Ambiental da Fau – Usp / Labaut 
Consultoria e projeto de acústica: Sresnewsy Engenharia Ltda. 
Consultoria dispersão de Gases: Chemtech – Serviços de Engenharia e Software ltda. 
Consultoria em Câmaras Frigoríficas: São Rafael Câmaras Frigoríficas 
Projeto de restaurantes e Cozinhas: Precx - Consultoria em Alimentação Ltda 
Quantificação geral: Control Tec Engenharia Ltda 
Consultoria CRV: Absolut Technologies Projetos e Consultoria Ltda 
Consultoria em espaço cênico: Espaço Cenográfico Arq. Associados 
Espelhos d’água: Kolorines Tecnology 
Consórcio Novo Cenpes: Construtora OAS Ltda.; Construbase Engenharia Ltda;  Carioca Christiani-Nielsen Engenharia S.A.;  Schahin Engenharia S.A.; Construcap – CCPS Engenharia e Comércio S.A.

Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP

Telefone (11) 3662-4159

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