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10 de setembro de 2010
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COMPERJ

Canteiro de obras começa a tomar forma

As obras de terraplenagem do maior empreendimento na história da Petrobras entram na reta final e começam a ser definidos os consórcios que executarão as principais etapas do projeto

Considerado o maior empreendimento individual da história da Petrobras, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro exigirá um investimento de cerca de R$ 15 bilhões, recursos suficientes para construir três refinarias do porte da Duque de Caxias (Reduc). Para se ter uma idéia de suas dimensões, todo o complexo ocupará uma área equivalente a mais de cinco mil gramados do Maracanã. O empreendimento se propõe a reunir no mesmo sítio, de maneira integrada, refinaria, central petroquímica e empresas produtoras de resinas termoplásticas, além de uma central de utilidades para a geração de energia elétrica e vapor, e para tratamento de água e efluentes.

Os projetos de engenharia básica de todas as unidades de processos, bem como dos off sides, utilidades e extra muros, já estão prontos ou em fase de finalização. O empreendimento marca, ainda, a retomada da companhia no setor. Com a meta de refinar 165 mil barris diários de petróleo pesado proveniente da Bacia de Campos (Marlim), o Comperj está previsto para entrar em operação em 2012.  Estima-se que ele deva gerar para o país uma economia de divisas superior a R$ 4 bilhões por ano, em decorrência da redução da importação de fontes de matéria prima petroquímica.

Esses resultados podem ser ainda mais significativos caso a Petrobras inclua um módulo, atualmente em avaliação, que poderá dobrar a capacidade de processamento da refinaria. Com isso, o empreendimento vai produzir a mesma quantidade de petroquímicos que estava planejada, além de combustíveis de alta qualidade. A decisão de reavaliar o projeto teve como base as transformações no mercado de derivados de petróleo, que resultou num aumento da demanda de diesel e querosene de aviação.

Na visão do diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o mais importante na nova configuração do Comperj é que a Petrobras não desistiu de produzir nem vai reduzir a produção petroquímica. Ele garante que a proposição inicial de agregar valor ao petróleo pesado continua: dos 14 bilhões do total de reservas atuais da Petrobras, 60% são de petróleo pesado.

Assim o Comperj será a primeira unidade petroquímica do Brasil e do mundo a utilizar petróleo pesado como matéria prima. Atualmente, a produção de petroquímicos é feita através do processamento da nafta, que é um derivado de petróleo obtido nas refinarias, e do gás natural. A expectativa é que o processo indus


Considerado o maior empreendimento individual da história da Petrobras, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro exigirá um investimento de cerca de R$ 15 bilhões, recursos suficientes para construir três refinarias do porte da Duque de Caxias (Reduc). Para se ter uma idéia de suas dimensões, todo o complexo ocupará uma área equivalente a mais de cinco mil gramados do Maracanã. O empreendimento se propõe a reunir no mesmo sítio, de maneira integrada, refinaria, central petroquímica e empresas produtoras de resinas termoplásticas, além de uma central de utilidades para a geração de energia elétrica e vapor, e para tratamento de água e efluentes.

Os projetos de engenharia básica de todas as unidades de processos, bem como dos off sides, utilidades e extra muros, já estão prontos ou em fase de finalização. O empreendimento marca, ainda, a retomada da companhia no setor. Com a meta de refinar 165 mil barris diários de petróleo pesado proveniente da Bacia de Campos (Marlim), o Comperj está previsto para entrar em operação em 2012.  Estima-se que ele deva gerar para o país uma economia de divisas superior a R$ 4 bilhões por ano, em decorrência da redução da importação de fontes de matéria prima petroquímica.

Esses resultados podem ser ainda mais significativos caso a Petrobras inclua um módulo, atualmente em avaliação, que poderá dobrar a capacidade de processamento da refinaria. Com isso, o empreendimento vai produzir a mesma quantidade de petroquímicos que estava planejada, além de combustíveis de alta qualidade. A decisão de reavaliar o projeto teve como base as transformações no mercado de derivados de petróleo, que resultou num aumento da demanda de diesel e querosene de aviação.

Na visão do diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o mais importante na nova configuração do Comperj é que a Petrobras não desistiu de produzir nem vai reduzir a produção petroquímica. Ele garante que a proposição inicial de agregar valor ao petróleo pesado continua: dos 14 bilhões do total de reservas atuais da Petrobras, 60% são de petróleo pesado.

Assim o Comperj será a primeira unidade petroquímica do Brasil e do mundo a utilizar petróleo pesado como matéria prima. Atualmente, a produção de petroquímicos é feita através do processamento da nafta, que é um derivado de petróleo obtido nas refinarias, e do gás natural. A expectativa é que o processo industrial a ser implantado no Complexo valorize ainda mais o petróleo pesado de produção nacional, que hoje é exportado com deságio em relação ao petróleo leve.

O Complexo está posicionado em um centro geográfico, no município de Itaboraí, que tem condição de atender o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Construído em uma área de 45 milhões de m2, contará com facilidades de logística para acesso às principais rodovias do Sudeste e portos da região. Para isso, estão sendo construídas estradas de acesso principal e secundário, além de uma via de acesso alternativo para a chegada dos grandes equipamentos.

Localizado próximo aos Portos de Itaguaí (103 km) e Rio de Janeiro, aos terminais de Angra dos Reis (157 km), Ilhas d’Água e Redonda (30 km), o município de Itaboraí é atendido por rodovias e ferrovias. Além disso, tem como vizinhos a Refinaria Duque de Caxias – Reduc (50 km), as plantas petroquímicas da Rio Polímeros e da Suzano (50 km) e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello - Cenpes (38 km).

Impacto econômico
Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas sobre o Comperj  prevê que o pólo deve atrair 724 indústrias - a maior parte (cerca de 90%) micro e pequenas empresas, atraídas pela disponibilidade de matéria-prima. A expectativa, segundo a FGV, é que, caso todas as estimativas se concretizem, o Comperj signifique, entre hoje e 2015, um crescimento de 39% do PIB da região de influência direta. O levantamento destaca ainda que mesmo os municípios que em tese receberão menos investimentos passarão por um salto econômico, como nos casos de Tanguá (35% do PIB) e Guapimirim (29%).

Em relação ao ambiente sócio-econômico, a pesquisa da Fundação mostra que os investimentos do Comperj, tanto em máquinas e equipamentos como em projeto e construção, irão resultar em atividades econômicas no Brasil e no Estado do Rio de Janeiro.

O levantamento observa também que, na etapa de construção, 40% do valor orçado para compra de máquinas e equipamentos deverá vir de fornecedores externos. Dos 60% restantes, apenas 12% ficará no Estado do Rio de Janeiro.

Integração industrial
Para a Petrobras, a implantação do Comperj reforça o processo de integração com a petroquímica, interrompido na década de 90. A companhia ambiciona tornar ainda mais completa a transformação industrial do petróleo ao permitir a produção - diretamente e em um único local - de combustíveis, resinas plásticas e outros produtos de uso variado e de grande utilidade.

No local funcionarão uma unidade de refino de primeira geração para a produção de petroquímicos básicos - que irá refinar petróleo pesado e produzir eteno, benzeno, p-xileno e propeno - e um conjunto de unidades de segunda  geração. Nesse conjunto, petroquímicos básicos serão transformados em produtos petroquímicos como estireno, etileno-glicol, polietileno, polipropileno e PTA/PET.

Além disso, indústrias de terceira geração, que deverão se instalar nos municípios vizinhos ao Complexo, serão responsáveis pela transformação desses produtos em bens de consumo. Isso será feito por meio de processos de sopro, injeção e extrusão, que originarão de copos e sacos plásticos a componentes para indústrias montadoras de automóveis e linha branca, como eletrodomésticos.

Geração de empregos
O empreendimento prevê a geração de mais de 200 mil empregos diretos e indiretos durante os cinco anos da obra e após a entrada em operação, todos em escala nacional. Na fase de implantação, o pico de geração de postos de trabalho está previsto para o ano de 2011, quando o Comperj deverá estar em fase de finalização.

Atualmente cerca de 3.500 pessoas estão mobilizadas nas obras de implantação do Complexo. Desse total, 29% correspondem à construção civil e 71% à construção e montagem.

Com o objetivo de investir na qualificação de cerca de 30 mil profissionais nos 11 municípios situados na área de influência do empreendimento (Itaboraí, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Niterói, Maricá, Magé, Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá), a Petrobras criou o Centro de Integração do Comperj.

O Centro tem capacidade para atender 370 alunos em até três turnos e integra o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), implantado pelo Governo Federal, com coordenação da Petrobras.

Início das obras
O primeiro grande contrato para a execução de obras do empreendimento foi assinado com o Consórcio Terraplanagem Comperj (CTC), formado pela Andrade Gutierrez/Odebretch/Queiroz Galvão. Seu objeto é a execução da terraplenagem de toda a área do complexo. As obras foram iniciadas em abril de 2008.

Com custo aproximado de R$ 820 milhões, a execução da terraplenagem deve movimentar 45 milhões de m3 de terra no Comperj, que equivalem a 12 Maracanãs repletos de terra, mobilizando mais de 600 equipamentos. O prazo da obra é de 440 dias corridos mas sofreu atrasos, causados pelas intensas chuvas que se abateram sobre a região entre o final de 2009 e início de 2010. Até agora só 70% deste serviço foi realizado.

No ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) levantou suspeita de irregularidades no pagamento das empresas executoras da terraplenagem. Isso porque a Petrobras efetuou o pagamento mesmo considerando os dias parados por causa das chuvas. A estatal negou o pagamento além do devido, refutando ainda as suspeitas de superfaturamento da obra. A alegação foi a de que estavam sendo usadas pelo TCU, para o acompanhamento das obras, tabelas de referência utilizadas para o monitoramento de obras rodoviárias, o que teria gerado distorção.

Como a preocupação com o meio ambiente é um compromisso assumido pela Petrobras nesse projeto, desde o início da terraplenagem foi construída uma Estação de Tratamento de Água de lavagem (ETAL), que separa água, óleo e areia. A água tratada nesse sistema é reutilizada na lavagem de máquinas e caminhões.

Além disso, o complexo também terá, na sua fase de construção e montagem, um sistema de tratamento que fará o reaproveitamento de efluentes tratados, como água de reuso.

Outros dois contratos de grande porte foram assinados em março deste ano, para a construção, em regime de EPC, das unidades de Destilação Atmosférica a Vácuo (DAV), com custo estimado em R$ 1,1 bilhão, e de Hidrocraqueamento Catalítico (HCC), orçado em R$ 1,46 bilhão. A DAV será construída pelo consórcio liderado pela Skanska/Promon/Engevix, e a UHC, pela Alusa. A planta terá capacidade para processar 53 mil barris/dia de petróleo e sua construção vai gerar cerca de 2 mil postos de trabalho. A unidade será a primeira do tipo no Brasil, destinada à produção de frações leves a partir de óleo pesado.

No mesmo mês de março foi firmado aditivo contratual com a Cedae e acordo de cooperação entre o Ministério das Cidades, o Ministério de Minas e Energia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Petrobras. Com a empresa estadual de águas, o aditivo contratual – no valor de R$ 56 milhões -, tem como objetivo a construção de adutora pela Petrobras, tendo como contrapartida o fornecimento de água tratada pela Cedae para as obras do Complexo Petroquímico. De acordo com o aditivo, a Petrobras construirá todas as facilidades para o atendimento de água ao Comperj. Com a obra concluída, o suprimento de água potável será disponibilizado para a região de Itaboraí.

Também no mês de abril foi fechado contrato para a execução de serviços de projeto de detalhamento, fornecimento de equipamentos e materiais, construção e montagem da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR) - uma das mais importantes unidades do processo de produção de petroquímicos a partir de petróleo pesado. O consórcio Techint e Andrade Gutierrez foi o vencedor da disputa, fechando o contrato no valor final de R$ 1,890 bilhão.

A relação entre o tipo do petróleo e os rendimentos dos derivados obtidos é direta. Um petróleo leve tem maior rendimento de produtos leves, como GLP, nafta, óleo diesel, e menos rendimento de produtos pesados, como óleos combustíveis e asfalto. A instalação de unidades de conversão, que transformam frações pesadas em partes mais leves, pode atenuar essa diferença. A destilação atmosférica é um processo em que o óleo bruto é separado em diversas frações sob pressão atmosférica. Já o processo de hidrocraqueamento catalítico é apoiado pela presença de uma elevada pressão parcial de gás hidrogênio.

Uma unidade de Coqueamento Retardado (UCR), do tipo a ser construída no Comperj, é uma forma mais severa de craqueamento térmico, que transforma resíduo de vácuo em produtos mais leves, produzindo adicionalmente coque, um tipo de combustível derivado do carvão betuminoso. Essa unidade é capaz de produzir um material chamado coque verde de petróleo, que pode ser usado em várias outras aplicações como: pastilha de freio automotivo, sapatas ferroviárias, alimentação de fornos refratários e colorização de vidros.

Em abril do corrente ano a Petrobras, por intermédio de sua subsidiária integral Comperj Participações S.A., assinou contrato com a SMU Energia e Serviços de Utilidades Ltda, para a criação da Companhia de Desenvolvimento de Plantas de Utilidades – CDPU. A nova empresa terá como objetivo analisar a execução do projeto da Central de Utilidades do Comperj.

A CDPU terá 20% de participação da Comperj Participações e 80% da SMU, empresa brasileira com participação da Sembcorp Utilities PTE Ltd (Cingapura), através de sua subsidiária integral Sembcorp Utilities (BVI) Pte Ltd, Mitsui & Co. Ltd. (Japão) e Utilitas Participações S.A. (Brasil).

O projeto da Central de Utilidades compreende as unidades de fornecimento de energia elétrica, fornecimento de vapor, tratamento de água e efluentes e fornecimento de hidrogênio para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

A disputa mais recente por um grande contrato do Comperj aconteceu em agosto, envolvendo os consórcios formados pela Santa Barbara/Multitek/Mana e seu concorrente, composto pelas empresas Delta/TKK/Projectus. O objeto foi a construção de uma Unidade de Hidrotratamento (HDT) e uma Unidade de Recuperação de Enxofre (URE) para o complexo. Venceu a disputa o primeiro grupo, que apresentou o valor de R$ 258,3 milhões, contra R$ 271,7 milhões proposto pelo concorrente.

O Comperj iniciará sua operação produzindo combustíveis derivados de petróleo na primeira refinaria, com 165 mil barris/dia, possivelmente em 2013, sendo que a produção de petroquímicos básicos está prevista para o final de 2015. Já a segunda refinaria, com mais 165 mil barris/dia, deverá iniciar a operação em 2017, o que configura uma capacidade total de 330 mil barris de petróleo pesado.

Empresas
A Petrobras constituiu seis sociedades anônimas no Rio de Janeiro, subsidiárias integrais, destinadas à implantação do Comperj:

Comperj Participações S.A.: Sociedade de Propósito Específico que deterá as participações da Petrobras nas sociedades produtoras do Comperj; Comperj Petroquímicos Básicos S.A.: Sociedade produtora de petroquímicos básicos; Comperj PET S.A.: Sociedade produtora de PTA/PET; Comperj Estirênicos S.A.: Sociedade produtora de estireno; Comperj MEG S.A.: Sociedade produtora de etilenoglicol e óxido de eteno; e a Comperj Poliolefinas S.A.: Sociedade produtora de poliolefinas (PP/PE).

Em um primeiro momento, a Petrobras deterá 100% do capital total votante dessas companhias, quando será feita a implantação do modelo de integração e relacionamento das empresas do Comperj. A partir dessa constituição, a Petrobras iniciará a fase de preparação do projeto para a entrada de potenciais sócios.

Além das corporações que estarão diretamente envolvidas na construção do empreendimento, estudos da Fundação Getúlio Vargas indicam que cerca de 720 empresas poderão se instalar na região até 2015, na indústria de transformação, para produzir plásticos a partir dos produtos do Comperj. O que resultará, na visão da Petrobras, num efeito de encadeamento econômico que beneficiará intensa e diretamente os municípios vizinhos, indiretamente todo o estado e, também, a economia nacional como um todo.

Por outro lado, a fim de promover a inserção competitiva e sustentável das micro e pequenas empresas na cadeia produtiva de petróleo, gás natural, petroquímica e energia nos onze municípios de influência do Comperj, a Petrobras assinou, em julho de 2009, um convênio com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro - Sebrae/RJ.

Preservação Ambiental
Considerando que a planta industrial ocupará apenas parte do terreno e que a área está em franca degradação, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Complexo, foi desenvolvido o projeto do Corredor Ecológico. A meta é recuperar a flora nativa e conectar o manguezal à Mata Atlântica da região onde o empreendimento está inserido. Para isso, a Petrobras prevê a plantação de quatro milhões de mudas de árvores, assim como a criação de um berçário florestal na Fazenda Viveiros, localizada em Itaboraí, com capacidade de produção anual de 300 mil mudas de espécies da Mata Atlântica.

Até o momento, cerca de 4.300 animais, entre cobras, tatus, micos, gaviões e capivaras, foram resgatados na área das obras do Comperj, desde o seu início. A grande maioria deles é devolvida ao seu habitat natural, em outras áreas. Outros, antes de serem soltos, passam pela análise de biólogos e veterinários da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e tecnológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Esses profissionais são os responsáveis pela execução do programa de preservação da fauna da região, promovido pela Petrobras e pela análise dos impactos ambientais do projeto. Os técnicos observaram, por exemplo, o aumento da população de roedores, como preás, na região. Para eles, isso se deu como conseqüência da diminuição da caça na região.

Nessa empreitada, a Petrobras conta com três parceiros. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que, por intermédio da Fundação Johanna Döbereiner, desenhou o projeto conceitual do Corredor; a OSCIP Innatus (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que já capacitou cerca de 400 pessoas da comunidade em práticas de silvicultura, e com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), responsável pela elaboração de programas para a recuperação das áreas degradadas.

Plano Ambiental de Construção
De acordo com orientações do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), os canteiros de apoio às obras deverão ser localizados em áreas afastadas tanto quanto possível do traçado das águas de chuva no terreno. Para atenuar o impacto da limpeza do terreno e da movimentação de terras, o Relatório chama atenção para as escavações e movimentações de terras, que deverão ser realizadas com o mínimo tempo de exposição do solo e do subsolo. Além disso, deverão ser construídos para chuvas intensas, para segurar o material escoado (mineral orgânico). Já os locais alterados, sobretudo os inclinados, deverão ser recuperados e recobertos por vegetação, utilizando técnicas que promovam o rápido desenvolvimento de vegetação rasteira.

Para a terraplenagem e instalação da infraestrutura, devem ser observados os seguintes itens, entre outros: o corte de vegetação nativa, inclusive para abertura ou reabertura de caminhos, que será autorizado depois de um estudo detalhado dessa vegetação; nenhum rio será utilizado pelo pessoal de obras; nenhum canteiro de obras será mantido para pernoite ou apoio aos trabalhos; as empreiteiras serão responsáveis pela coleta e retirada de resíduos da obra; qualquer material escavado, antes de ser novamente aterrado, será mantido coberto, para evitar o entupimento dos rios.

Após as obras de terraplenagem e de infra-estrutura, inicia-se o processo de recuperação da área, inclusive com o replantio da vegetação secundária retirada; as sobras de material serão utilizadas para fabricação do solo-cimento das obras de drenagem. Caso ainda haja material excedente, será destinado a aterro licenciado pelas autoridades ambientais. Deverão ser realizadas ainda análises periódicas da qualidade da água dos rios, para identificação e correção de falhas de procedimentos.

Educação Ambiental
Com o objetivo de sensibilizar os operários sobre os benefícios da proteção da vegetação e dos animais na área do Comperj, a Petrobras criou um programa de educação ambiental. As ações do projeto deverão ser conduzidas pelas empresas contratadas para as obras, sob supervisão da companhia.

A iniciativa prevê a realização de atividades de treinamento e palestras, envolvendo quatro temas: Normas de Conduta, Segurança, Meio Ambiente e Saúde.

Gerenciamento de Riscos
Entre os programas que deverão ser implementados no Complexo estão ainda o de Gerenciamento de Riscos e o de Controle e Acompanhamento de Ruídos. O primeiro, de responsabilidade das empresas contratadas, prevê a execução e manutenção de medidas preventivas e de controle, segundo a legislação ambiental e de acordo com as normas da Petrobras. As hipóteses acidentais de maior probabilidade de acidentes são derramamento de óleos combustíveis e lubrificantes; colisões de veículos ou máquinas; e atropelamentos de pessoas. O segundo visa atenuar os efeitos dos ruídos gerados pelas atividades de construção por meio de medidas como o uso de proteção auricular pelos trabalhadores do empreendimento e de equipamentos motorizados que possuam exaustores com silenciadores.

 

CONTRATOS DO COMPERJ AGITAM O MERCADO
Com os maiores investimentos da história do país anunciados no setor de Óleo & Gás, o Comperj representa grande oportunidade de crescimento para várias empresas brasileiras. Uma delas é a EPC - Engenharia Projeto Consultoria S/A, que assinou dois contratos para o desenvolvimento de projetos no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A empresa irá desenvolver para a Alusa Engenharia o projeto de detalhamento da unidade de Hidrocraqueamento Catalítico (HCC) do Comperj, além de desenvolver o projeto em regime “turnkey” de distribuição de energia elétrica para a Gel Engenharia, que é responsável pelo abastecimento de água e pela distribuição de energia elétrica do complexo.

A EPC está fornecendo projeto de engenharia multidisciplinar detalhada, gerenciamento de serviços de engenharia, assistência técnica à obra e à montagem e comissionamento da Unidade de HCC, que será a primeira unidade do país a realizar o processo químico de quebra de petróleo usando hidrogênio em alta pressão. Esse procedimento garante produtos finais mais nobres e diversificados do que os obtidos por meio da quebra do petróleo com altas temperaturas, sistema utilizado atualmente no Brasil.

De acordo com o vice-presidente Comercial de Marketing da EPC, Dhenisvan Costa, por ser uma planta inédita no país, será um grande desafio para a EPC, para a Alusa e para a Petrobras.” O trabalho em equipe vai ser fundamental para o bom desempenho desse empreendimento”, explicou.

A Petrobras também firmou contrato com a SMU Energia e Serviços de Utilidades para a criação de uma nova empresa destinada a analisar a viabilidade de execução do projeto da Central de Utilidade do Comperj. A SMU é composta pela japonesa Mitsui, a Sembcorp de Cingapura e a brasileira Utilitas.

Firmado por intermédio da subsidiária integral Comperj Participações, o projeto prevê a criação da Companhia de Desenvolvimento de Plantas de Utilidades (CDPU), a quem caberá avaliar a execução do projeto da Central de Utilidades.

Segundo a Petrobras, a CDPU terá 20% da Comperj Participações e 80% da SMU, empresa brasileira com participação da Sembcorp Utilities PTE (de Cingapura).

O projeto da Central de Utilidades inclui as unidades de fornecimento de energia elétrica, fornecimento de vapor, tratamento de água e efluentes e fornecimento de hidrogênio para o Complexo Petroquímico do Rio.

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