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Revista GC - Ed.111 - Maio/Junho de 2026
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ESPECIAL SANEAMENTO

A crise hídrica como risco estrutural

Mudanças no regime de chuvas, eventos climáticos extremos, degradação ambiental, demanda crescente e gestão ineficiente transformam a escassez de água em ameaça permanente
Por Marcelo de Valécio
Foto: PIXABAY

O que antes era tratado como crise passageira consolidou-se como um desafio estrutural que ameaça a segurança hídrica e a economia do país.

A combinação de chuvas cada vez mais irregulares, reservatórios que não se recuperam plenamente, perdas de quase 40% na distribuição e governança fragilizada, que prioriza o consumo de curto prazo, além do surgimento de novas demandas industriais, criou um ciclo de escassez estrutural que ameaça o abastecimento, a produção agroindustrial e a geração de energia.

Especialistas alertam que o Estado – e o país – segue reagindo a crises em vez de preveni-las, o que exige uma mudança urgente de paradigma, no qual o planejamento seja o foco.

Segundo órgãos de monitoramento, São Paulo vive uma espécie de “novo normal da escassez”, marcado por um regime alte


Foto: PIXABAY

O que antes era tratado como crise passageira consolidou-se como um desafio estrutural que ameaça a segurança hídrica e a economia do país.

A combinação de chuvas cada vez mais irregulares, reservatórios que não se recuperam plenamente, perdas de quase 40% na distribuição e governança fragilizada, que prioriza o consumo de curto prazo, além do surgimento de novas demandas industriais, criou um ciclo de escassez estrutural que ameaça o abastecimento, a produção agroindustrial e a geração de energia.

Especialistas alertam que o Estado – e o país – segue reagindo a crises em vez de preveni-las, o que exige uma mudança urgente de paradigma, no qual o planejamento seja o foco.

Segundo órgãos de monitoramento, São Paulo vive uma espécie de “novo normal da escassez”, marcado por um regime alterado de chuvas que dificulta a recarga de aquíferos e a recuperação de sistemas vitais como o Cantareira, com reflexos em todo o Sudeste.

“As chuvas mostram uma tendência de diminuição na região, principalmente após a seca de 2014-2015”, revela Luz Adriana Cuartas, pesquisadora em hidrologia do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Na última década, a maioria das estações chuvosas tem encerrado com chuvas abaixo da média.”

Ela ressalta que as temperaturas também têm subido, levando ao aumento da evaporação e, consequentemente, à redução de recarga dos aquíferos, com impacto nos níveis dos rios.

Ao analisar os índices de chuva e vazão de três bacias do Sudeste (Sistema Cantareira, UHE Furnas e UHE Três Marias), a pesquisadora verificou que há uma mudança em andamento.

“Contudo, não se pode afirmar que seja uma nova normalidade climática, uma vez que as mudanças ainda estão em curso”, adverte.

SECA ESTRUTURAL

Embora haja cautela na classificação, há consenso de que a variabilidade aumentou e que os eventos extremos se tornaram mais frequentes.

“O que observamos são chuvas com alta variabilidade temporal durante a estação chuvosa – alguns meses com precipitações abaixo da média e outros acima, além de episódios muito intensos e concentrados”, explica Cuartas, destacando que esse comportamento ajuda a entender por que a recuperação nem sempre é completa, mesmo em anos chuvosos.

Os anos pós-crise hídrica (entre 2016 e 2022) foram marcados por déficit de chuvas e altas temperaturas.

“Como as bacias estavam com deficiência acumulada, as chuvas contribuíram para minimizar esse quadro, mas não o suficiente para recuperar plenamente os reservatórios”, acrescenta.

Um dos fenômenos mais preocupantes é justamente a dificuldade crescente de recuperação dos reservatórios, mesmo após períodos chuvosos, caracterizando uma espécie de “seca estrutural” que se prolonga há cerca de uma década.


Combinação de fatores criou um ciclo de escassez estrutural que ameaça o abastecimento, a produção agroindustrial e a geração de energia. Foto: JANILSON-FURTADO/UNSPLASH

Sob o aspecto pluviométrico, as principais características dessa situação referem-se à maior concentração das chuvas, com regiões submetidas a períodos de estiagem mais longos, interrompidos por chuvas mais intensas e concentradas em poucos dias.

“Isso resulta em maior risco de inundações e deslizamentos, além da diminuição da média de precipitação, com estudos indicando reduções acumuladas de até 40% em áreas do Sudeste, além do aumento das temperaturas, em grande parte associado aos gases de efeito estufa”, afirma o engenheiro agrônomo e perito ambiental Rinaldo de Oliveira Calheiros, associado ao Tropical Water Research Alliance (TWRA).

“O novo padrão climático passa a ser marcado por extremos opostos – secas prolongadas que afetam reservatórios e verões com enchentes severas”, destaca.

A persistência de déficits pluviométricos, combinada à degradação das bacias, exige ciclos de chuva sucessivos acima da média para recompor os níveis, algo cada vez mais raro.

A dinâmica desse processo ajuda a entender por que o aumento pontual de chuvas não resolve o problema. Calheiros explica que, com a intensificação e concentração das precipitações, o solo perde capacidade de absorção.

“Chuva sobre chuva encontra o solo já úmido e com baixa infiltração, fazendo com que a água escoe superficialmente em vez de infiltrar”, explica.

Segundo ele, isso reduz drasticamente a recarga dos aquíferos, fundamentais para a manutenção das vazões dos rios em períodos secos.

“Ao mesmo tempo, a combinação de altas temperaturas e chuvas escassas ou irregulares acelera a evapotranspiração e contribui para a dessecação do solo, prejudicando a precipitação efetiva de recarga dos aquíferos e agravando o déficit hídrico”, detalha.

COLAPSO

O histórico recente do Sistema Cantareira ilustra esse processo.

De acordo com Eduardo Caetano, coordenador de conhecimento e difusão do Instituto Água e Saneamento (IAS), mesmo com a volta das chuvas após a crise de 2014-2015, “a vazão natural do Cantareira continuou severamente abaixo da média”, evidenciando o tempo necessário para a recuperação do sistema.

Mudanças climáticas acabaram com a estacionariedade das chuvas, tornando as estatísticas insuficientes para prever seu comportamento.Foto: EBC

Ele acrescenta que a sequência de anos secos entre 2016 e 2022 comprometeu ainda mais a recomposição dos mananciais, e que episódios recentes de chuva acima da média foram insuficientes para restabelecer níveis confortáveis.

“As chuvas na média, ou até acima dela, estão ficando mais esparsas e localizadas, diminuindo as oportunidades de recompor os mananciais”, salienta.

Calheiros acrescenta que as mudanças climáticas acabaram com a estacionariedade das chuvas (conceito de que o regime futuro da água – chuvas, vazões de rios, secas – segue padrões históricos), tornando as estatísticas insuficientes para prever seu comportamento.

“Com eventos extremos mais frequentes, a gestão hídrica precisa migrar para um perfil adaptativo, sob risco de infraestruturas atuais serem subdimensionadas para a nova realidade”, observa.

“O aumento do desmatamento, a redução dos ‘rios voadores’ oriundos da Amazônia e o aquecimento global antropogênico, com o aumento dos gases estufa induzido pelo homem, estão acelerando a alteração do ciclo da água, tornando-o menos previsível e mais severo.”

De fato, a recorrência de episódios de escassez no Sudeste deixou de ser um evento excepcional para se consolidar como um dos principais riscos estruturais ao desenvolvimento.

O que antes era tratado como crise episódica, hoje se revela como um fenômeno mais profundo e persistente.

O resultado é um sistema cada vez mais pressionado, menos resiliente e suscetível a colapsos, com impactos potenciais sobre a economia, o meio ambiente e a segurança da população.

GESTÃO

Se o clima impõe desafios crescentes, a gestão tem sido apontada como um fator decisivo seja para mitigar ou agravar a crise.

Caetano é direto ao afirmar que “o recurso não foi bem gerido”, destacando que houve aumento da retirada de água mesmo em cenários de estiagem.

Segundo ele, mudanças no modelo de operação levaram a uma exploração mais intensiva dos mananciais: “a retirada é escalada e atinge o limite máximo outorgado”, contribuindo para a rápida queda dos níveis dos reservatórios.

Um dos fenômenos mais preocupantes é a dificuldade crescente de recuperação dos reservatórios. Foto: AGÊNCIA BRASIL

Para ele, esse comportamento revela uma lógica de curto prazo que desconsidera a necessidade de preservar estoques estratégicos.

Apesar do avanço em muitas frentes, há críticas quanto aos efeitos da privatização, especialmente no que se refere à gestão da demanda e à preservação dos mananciais.

Em São Paulo, a reclamação é de que a companhia de abastecimento, privatizada em 2024, não tem se empenhado em reduzir o consumo na atual crise hídrica, como ocorreu em 2014-2015.

Antes, a Sabesp operava no Cantareira com uma retirada em média 20% menor do que o limite outorgado pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).

“Assim que o novo controlador assume, a retirada escala e atinge o limite máximo outorgado”, conta Caetano.

Em 2025, a operação seguiu esse padrão à risca todos os meses, até agosto. “E deu no que deu: reservatórios a níveis baixos como não se via desde 2014.

Neste momento, a companhia está retirando volumes equivalentes ao que era retirado em 2023, quando os reservatórios estavam acima de 80%”, completa.

A influência político-administrativa também aparece na fragilidade das instâncias de governança.

O enfraquecimento dos comitês de bacia, responsáveis por equilibrar o uso, reduz a capacidade de planejamento e de mediação de conflitos.

“O abastecimento fica ainda mais ameaçado por não haver interesses sociais envolvidos, preteridos para usos agrícolas e industriais”, alerta Caetano, destacando que esse desequilíbrio tende a se intensificar com o avanço de atividades intensivas em consumo hídrico.

Lógica de curto prazo desconsidera a necessidade de preservar estoques estratégicos. Foto: SABESP

Entre as novas pressões, destaca-se a expansão de data centers e indústrias de tecnologia.

Calheiros observa que essas estruturas “consomem grandes volumes de água, principalmente para resfriamento de servidores”, com índices de evaporação elevados. Além disso, parte da água utilizada não retorna imediatamente aos sistemas.

Em nota, a SP Águas reconhece que essas atividades “representam uma pressão relevante sobre os recursos hídricos, especialmente em bacias mais demandadas”, exigindo planejamento integrado entre os setores de água e energia.

A tendência de crescimento acelerado da IA e da economia digital indica que essa pressão deve aumentar nos próximos anos.

Projeções indicam que, até 2027, a demanda global associada à IA pode chegar a até 6,6 bilhões m3/ano de água.

Cuartas destaca que o Brasil possui tecnologia de ponta para monitorar o clima, com dados de alta qualidade, mas há baixa governança integrada. “Isso porque essa informação raramente chega de maneira adequada para quem planeja as cidades”, diz.

Enquanto órgãos federais monitoram chuvas e secas, as prefeituras muitas vezes autorizam construções e asfaltamentos sem considerar esses dados.

“Ou seja, o problema não é a falta de dados, mas a dificuldade de transformá-los em decisões políticas e obras de infraestrutura antes que a emergência aconteça”, avalia a pesquisadora.

DESAFIOS

Outro gargalo está nas perdas de água ao longo do sistema.

Segundo Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil (ITT), o Brasil perde atualmente 39,5% de todo o volume de água produzido, seja por meio de vazamentos, “gatos” (ligações clandestinas) ou erros de medição, o que significa que quase metade da água captada e tratada não chega ao consumidor.

Esse desperdício implica não apenas perda de eficiência, mas também pressão sobre os mananciais.

“Estamos captando mais água do que deveríamos, causando estresse hídrico nas bacias e impactando o ecossistema de fauna, flora e vida aquática”, afirma.

Entre as novas pressões sobre a hidrologia, destaca-se a expansão de data centers e indústrias de tecnologia. Foto: GOOGLE


Some-se a isso o impacto financeiro, pois é necessário captar mais e usar mais produtos para tratamento e energia elétrica para bombeamento.

“O custo dessa ineficiência é repassado à população”, diz a executiva, acrescentando que as empresas de abastecimento relegaram para segundo plano ou negligenciaram a substituição de redes.

“Assim, muita canalização está velha e deteriorada, levando a vazamentos significativos de água tratada e, o que é pior, encarecendo o custo da água”, faz coro Calheiros.

Segundo ele, a redução das perdas esbarra em desafios técnicos, sendo a gestão o maior deles.

“A redução das perdas é principalmente uma questão de gestão”, assinala.

Caetano complementa que há um foco maior no combate às perdas comerciais, mais simples de resolver, enquanto as perdas físicas, relacionadas a vazamentos e infraestrutura deteriorada, exigem investimentos elevados e intervenções urbanas complexas.

“Para chegar a indicadores alemães, precisamos de um plano de investimentos que combata, em especial, as perdas físicas”, diz.

No campo ambiental, a degradação das bacias e a expansão urbana desordenada desempenham papel central no agravamento da crise.

A substituição da vegetação por superfícies impermeáveis reduz a infiltração da água no solo e aumenta o escoamento superficial, intensificando enchentes e reduzindo a recarga dos aquíferos.

“A urbanização sem planejamento transforma o ciclo hidrológico natural, intensificando eventos extremos como secas e inundações”, resume Calheiros.

Cuartas acrescenta que, em áreas degradadas, “a água da chuva contribui apenas para picos de vazão momentâneos, sem garantir a sustentação dos rios no longo prazo”.

Esse processo tem efeitos em cascata sobre a qualidade da água, o assoreamento dos reservatórios e a disponibilidade hídrica.

A ocupação irregular, sem infraestrutura de saneamento, agrava a poluição dos corpos d’água e compromete ainda mais os mananciais.

Pretto destaca que a expansão desordenada leva à “autoconcentração de pessoas sem a devida infraestrutura”, resultando em lançamento de esgoto in natura e aumento de doenças, além de impactos ambientais.

“O ideal é que haja fiscalização para que as ocupações irregulares não aconteçam e planejamento da infraestrutura para que, quando as pessoas chegarem, já exista água dentro dos padrões de potabilidade e com fornecimento 24 h por dia, bem como a instalação de coleta e tratamento de esgoto”, sugere.

SOLUÇÕES

Diante desse quadro, as soluções passam por uma abordagem integrada, que combine medidas emergenciais com estratégias estruturais.

No curto prazo, especialistas apontam a necessidade de intensificar o combate a vazamentos, reduzir a pressão nas redes, promover campanhas de uso consciente e implementar mecanismos de incentivo à economia de água.

Calheiros defende “uma política efetiva de gestão e redução de perdas, com controle da distribuição”, além de campanhas de conscientização e medidas como diversificação de mananciais, transferência de água entre sistemas (como o do rio Itapanhaú para o Alto Tietê ou do reservatório Jaguari para o Cantareira) e ampliação da capacidade de armazenamento.

Brasil perde 39,5% de todo o volume de água produzido, seja por meio de vazamentos, ligações clandestinas ou erros de medição. Foto: PREFEITURA DO GUARUJÁ

Já Caetano ressalta a importância de instrumentos econômicos, como bônus e penalidades, que já demonstraram eficácia.

“Na crise de 2014/15, os bônus e as multas foram instrumentos bem-sucedidos”, relembra.

“É preciso apostar também em soluções dentro dos lotes, que estimulem o reúso, a captação da água da chuva e outros recursos que podem diminuir o consumo”, diz o especialista, acrescentando que a prática já é consolidada em alguns setores, embora ainda enfrente desafios regulatórios e culturais.

No médio e longo prazo, a agenda inclui a modernização da infraestrutura e a adoção de tecnologias avançadas. O uso de sensores, IA e redes inteligentes pode melhorar o monitoramento e a eficiência dos sistemas.

“Com base na coleta de dados e no uso de inteligência, é possível ser mais assertivo na identificação de vazamentos e fraudes”, acredita Pretto.

“Hoje, temos muita tecnologia disponível para colocação de sensores de vazão e de pressão, visando descobrir vazamentos.”

Outra ação crucial é a setorização dos municípios, com a instalação de hidrômetros em determinadas regiões para que, em uma área de abrangência menor, se possa identificar onde efetivamente estão os vazamentos.

E os resultados já aparecem. “Há municípios em que o nível de perdas chega a ser de menos de 20%, quando a média estabelecida pela Agência Nacional de Águas é de chegar a 2034 com 25% de perdas”, assinala.

As soluções baseadas na natureza também ganham destaque como alternativa ambientalmente amigável e mais barata no longo prazo.

A restauração de bacias hidrográficas, a proteção de nascentes e a criação de áreas permeáveis nas cidades são medidas que aumentam a infiltração, a recarga dos aquíferos e, consequentemente, a disponibilidade de água, além de reduzirem os impactos de eventos extremos.

“A ideia de cidades-esponja vai nessa linha: de reter e infiltrar a água onde ela cai, diminuindo enchentes e ajudando a recarregar os aquíferos”, reforça Caetano.

DIVERSIFICAÇÃO

No entanto, essas estratégias – muitas vezes mais em conta no longo prazo – exigem planejamento urbano integrado e vontade política.

“É preciso pensar em diversificar as soluções, apostando na combinação de infraestruturas que tragam impactos sistêmicos e duradouros”, adiciona o coordenador, ressalvando que “ainda temos poucos incentivos concretos”.

Soluções passam por abordagem integrada, que combine medidas emergenciais com estratégias estruturais. Foto: SABESP

O especialista se refere a tarifas que não valorizam o reúso, o acesso a financiamento específico (que é ainda baixo) e incertezas para quem quer investir em inovação.

“Além disso, falta um marco regulatório mais consistente, que dê segurança sobre padrões de qualidade, formas de uso e responsabilidades”, comenta Caetano. No caso do reúso de água ainda existe resistência, muitas vezes baseada mais em percepção do que em evidência.

“Superar isso passa por informação, transparência e demonstração, na prática, que essas soluções funcionam”, pondera.

“A dessalinização aparece como alternativa complementar, especialmente em regiões com escassez crônica, mas o alto custo energético limita a aplicação em larga escala.”

No centro do debate está a necessidade de requalificar a governança da água no país.

Como resume Cuartas, “o problema não é a falta de dados, mas a dificuldade de transformar esses dados em decisões políticas”.

Sem integração entre ciência, planejamento urbano e gestão hídrica, o país continuará reagindo às crises em vez de preveni-las.

Em um cenário de mudanças climáticas e crescente pressão sobre os recursos naturais, a segurança hídrica dependerá cada vez mais da capacidade de antecipação, coordenação e investimento e menos da esperança de que as chuvas voltem a um padrão que já não existe mais.♦


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