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20 de dezembro de 2011
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Construção Sustentável

Um hospital projetado para o futuro

Ampliação de Hospital Sírio Libanês mobiliza o que existe de mais atual em métodos construtivos, aliado ao que há de mais moderno na área da assistência à saúde

A MHA está à frente do projeto de instalação hidráulica, elétrica, mecânica, de incêndio, gases medicinais e ventilação da ampliação do Hospital Sírio Libanês, que consiste na construção de três novas torres – os blocos E, F e G –, com uma área total de 90 mil m². A MHA mantém contratos de serviços com o centro hospitalar desde 2008. Mas no novo anexo, ela terá um papel diferenciado: o de realizar também o gerenciamento da execução das obras, a cargo de outras companhias contratadas.

Em 1986 a MHA executou o projeto do Bloco C, além de outros projetos realizados internamente ao longo dos anos. Um exemplo é o Bloco D, onde foi implantado um centro de oncologia. “Esse contrato atual vem de uma sequência de trabalhos já realizados, sempre com foco nos projetos de qualidade e atendimento aos prazos”, garante Edison Domingues, diretor do projeto da MHA.

Com esses três novos blocos, o Sírio Libanês esgotaria a área de utilização do complexo.  Por isso, as novas instalações precisariam ser feitas de forma a permitir no futuro a maior flexibilidade possível para novas áreas, alterações, revisões de layout, modificações e inserção de outras tecnologias com equipamentos mais modernos. “Temos um longo aprendizado nesse campo, e hoje a gente busca levar para as torres o que existe de mais atualizado e moderno na área da assistência à saúde”, afirma Rodrigo Macedo, superintendente de Engenharia e Logística do Sírio-Libanês.

Os blocos E e F serão construídos em estrutura metálica e incluirão área de exposições e central de internação, ampliação do setor administrativo, 34 leitos na UTI cardiológica, núcleo de especialidades (endoscopia, colonoscopia, oftalmologia, entre outras), 14 salas no Centro Cirúrgico,  90 leitos na UCC e UCG, nove pavimentos de internação, restaurantes e capela.

Já o Bloco G, estruturado em concreto, terá docas para recebimento de consignados, além de áreas destinadas aos colaboradores, que inclui academia e lan house. Terá ainda área de segurança do trabalho, refeitório para mais de 600 pessoas, CME, além de acolher mais 12 leitos de UTI cardiológica, centro de reabilitação com ginásio e piscina, laboratórios e internação. O Bloco E terá 19 pavimentos; o F, 14 pavimentos e o G, 17 pavimentos. Todas as novas torres contam com pavimentos técnicos, áreas de apoio, coberturas, barriletes, casas de máquinas e outro heliporto.

Os blocos já existentes não serão modificados, mas receberão, em alguns pontos espe


A MHA está à frente do projeto de instalação hidráulica, elétrica, mecânica, de incêndio, gases medicinais e ventilação da ampliação do Hospital Sírio Libanês, que consiste na construção de três novas torres – os blocos E, F e G –, com uma área total de 90 mil m². A MHA mantém contratos de serviços com o centro hospitalar desde 2008. Mas no novo anexo, ela terá um papel diferenciado: o de realizar também o gerenciamento da execução das obras, a cargo de outras companhias contratadas.

Em 1986 a MHA executou o projeto do Bloco C, além de outros projetos realizados internamente ao longo dos anos. Um exemplo é o Bloco D, onde foi implantado um centro de oncologia. “Esse contrato atual vem de uma sequência de trabalhos já realizados, sempre com foco nos projetos de qualidade e atendimento aos prazos”, garante Edison Domingues, diretor do projeto da MHA.

Com esses três novos blocos, o Sírio Libanês esgotaria a área de utilização do complexo.  Por isso, as novas instalações precisariam ser feitas de forma a permitir no futuro a maior flexibilidade possível para novas áreas, alterações, revisões de layout, modificações e inserção de outras tecnologias com equipamentos mais modernos. “Temos um longo aprendizado nesse campo, e hoje a gente busca levar para as torres o que existe de mais atualizado e moderno na área da assistência à saúde”, afirma Rodrigo Macedo, superintendente de Engenharia e Logística do Sírio-Libanês.

Os blocos E e F serão construídos em estrutura metálica e incluirão área de exposições e central de internação, ampliação do setor administrativo, 34 leitos na UTI cardiológica, núcleo de especialidades (endoscopia, colonoscopia, oftalmologia, entre outras), 14 salas no Centro Cirúrgico,  90 leitos na UCC e UCG, nove pavimentos de internação, restaurantes e capela.

Já o Bloco G, estruturado em concreto, terá docas para recebimento de consignados, além de áreas destinadas aos colaboradores, que inclui academia e lan house. Terá ainda área de segurança do trabalho, refeitório para mais de 600 pessoas, CME, além de acolher mais 12 leitos de UTI cardiológica, centro de reabilitação com ginásio e piscina, laboratórios e internação. O Bloco E terá 19 pavimentos; o F, 14 pavimentos e o G, 17 pavimentos. Todas as novas torres contam com pavimentos técnicos, áreas de apoio, coberturas, barriletes, casas de máquinas e outro heliporto.

Os blocos já existentes não serão modificados, mas receberão, em alguns pontos específicos, ligações entre as áreas novas e as existentes. “Todos os prédios irão se comunicar, o que requer a necessidade de obras nesses setores de interligações para adaptação dos ambientes”, explica Fernando Marques, diretor adjunto da área de gerenciamento da MHA.

A fase atual é de licitações e orçamento para a escolha das empresas que executarão as diferentes partes da obra. O prazo de conclusão da obra é de 39 meses.

Desafios superados

O projeto de ampliação do Hospital Sírio-Libanês foi concebido sob o enfoque da operacionalidade 24 horas por dia. Como o dia a dia de uma instituição desse tipo é salvar vidas, a rotina não pode sofrer grandes alterações devido a quebras ou paradas de sistemas. É preciso haver uma contingência para problemas nos equipamentos – com caminhos alternativos, equipamentos reservas ou outros recursos.

Um dos pontos trabalhados no projeto foi readequar a expectativa do cliente entre o que é a melhor tecnologia para eventualidades e aquilo que efetivamente é razoável prever. “Continua sendo a melhor tecnologia, continua tendo muitos recursos de contingência, só que com um limite de atendimento um pouco menor daquele que a gente tinha quando iniciou o projeto em 2008”, comenta Raymond Khoe, coordenador do projeto.

Outro desafio dizia respeito à altura das torres – a ampliação do Sírio é um dos maiores projetos executados pela MHA. Como a área de implantação só permite a expansão vertical, isso traria dificuldades, por exemplo, na disposição do controle de fumaça dentro do sistema de ar condicionado – a exigência do Corpo de Bombeiros é de que seja possível exaurir a fumaça de um eventual incêndio bem como repor a água. “Isso num prédio vertical com 16 andares, com pé direito alto, é bem complicado”, diz Raymond. A ampliação receberá a certificação LEED, concedida pelo Green Building Council.

Para um prédio ser sustentável, ele precisa ter 10% a mais de eficiência energética na comparação com um prédio virtual padrão simulado pelo Green Building Council. Para chegar a essa eficiência, as novas torres do Hospital Sírio-Libanês terão – além de equipamentos que consomem menos energia – uma quantidade significativa de vidros para permitir a refletividade da luz solar em relação ao ambiente. Uma série de recursos serão utilizados para reduzir o consumo de água, como a água de reúso. Essa água, proveniente de lavatórios, chuveiros e pias, será reutilizada nos sistemas de ar condicionado, de irrigação e de bacias.

A segurança no fornecimento de energia é fundamental para o funcionamento ininterrupto do hospital. Assim, o hospital contará com uma usina de geração formada por quatro geradores a diesel de cerca de quatro megawatts cada um. Além de assumir o fornecimento de energia para o hospital no caso de um blecaute, a usina fornecerá também nos horários de pico, quando o valor da tarifa é mais alta.

O tratamento do ar externo é realizado por equipamentos apropriados e exclusivos – o ar externo quente e úmido não é jogado dentro do sistema diretamente. Ele é resfriado e perde a umidade, o que permite que a qualidade do ar interno seja muito melhor controlada. Por outro lado, como o ar já vem seco, isso diminui a quantidade de água condensada nos condicionadores de ar, reduzindo o risco de formação de fungos e algas nas bandejas dos aparelhos. Para o aquecimento da água, optou-se pelo uso de bombas de calor, que oferecem melhor eficiência do que um sistema a gás e do que o sistema elétrico, explicam os engenheiros.

Os sistemas de monitoramento foram desenvolvidos para fazerem o controle e ajustes das demandas de energia. Dessa maneira, a cada hora de mudança na carga térmica e condições de luz, o sistema de automação permite que o prédio se valha dessa tecnologia para atender às necessidades específicas dos horários. Por isso, as novas torres trabalharão sempre sob a melhor condição de eficiência energética, seja durante a madrugada, ou no pico de atendimento, levando sempre em conta a lotação e demanda do hospital.

Projeto singular

Segundo Raymond Liong, engenheiro da MHA, ele teve a oportunidade de aplicar várias soluções, que nem sempre são aplicadas nos hospitais em função de dificuldades como custo e complexidade. Como exemplo, ele cita o controle de temperatura individual para cada quarto de UTI e salas de painéis elétricos em cada pavimento.  O maior desafio, diz ele, foi o de conceber um sistema que pudesse atender simultaneamente as seguintes condições: melhores soluções técnicas; fácil manutenção; e flexibilidade para expansões futuras sem interferir nas existentes.

Uma preocupação nesse sentido deu-se com respeito à contingência no caso de inoperância de sistemas, além da busca pela maior eficiência de equipamentos para minimizar consumo. Itens como Sustentabilidade (com certificação LEED) e Integração com os sistemas do complexo hospitalar existente foram prioritários. Assim como sistemas operacionais que aumentassem a segurança, tal como  a necessidade de um sistema de controle de fumaça, exigido pela legislação local. Ocorreu ainda a mudança na tensão de alimentação fornecida pela concessionária.

A automação é fundamental para essa integração, na medida em que a monitoração e o controle dos sistemas pode ser acompanhada online e, portanto, ações preventivas podem ser tomadas para otimizar a operação ou evitar paradas não programadas.  “Como as instalações alimentam os sistemas e dispositivos eletromédicos que, em muitos casos, dão sustento à vida, a sua operação deve ser garantida através de instalações confiáveis, com fácil manutenção, e em muitos casos, com equipamentos reservas.” , diz ele.

Além disso os parâmetros de controle são muito variáveis - cada ambiente tem uma necessidade de temperatura, filtragem de ar, pressão, grau de iluminamento, necessidade de gases especiais (oxigênio, ar comprimido, etc). “Hoje, além da automação, que facilitou o monitoramento e controle dos sistemas, há uma demanda para aplicação de sistemas sustentáveis, com equipamentos eficazes e eficientes, que diminuem o consumo de energia e melhoram o grau de satisfação dos ocupantes do edifício, como qualidade do ar interior, e facilidade de acesso ao empreendimento”, diz ele.

Equipamentos e utilidades

Para se preparar para alterações futuras, o projeto dimensionou espaço para expansões nos shafts e nas principais centrais de energia. Válvulas permitem o trancamento de pequenos trechos de tubos/dutos para minimizar paradas. “O ideal é um plano diretor do hospital, que permita uma visão geral das possíveis expansões que possam ocorrer ao longo de 15 anos. Numa indústria, normalmente, um programa de expansão utiliza os mesmos critérios de dimensionamento da indústria existente. Mas em um hospital, muitas vezes não é possível prever se a expansão será com salas de cirurgia, UTI, salas de exames ou quartos de internação. Nesse sentido, há maior complexidade na previsão das utilidades necessárias em um  projeto desse tipo”, exemplifica Liong.

Um dos princípios do projeto está na especificação dos equipamentos, para que ofereçam fácil acesso de inspeção e manutenção aos dispositivos internos. Além disso, é fundamental assegurar a assistência técnica permanente do fornecedor e um sistema de reposição de peças ágil. “Se o equipamento está na segunda ou terceira geração em termos de tecnologia, isso demonstra evolução e melhorias quanto à confiabilidade na operação e facilidade de manutenção”, comenta .

É fundamental que os materiais apresentem alta durabilidade, resistência a corrosão (para os metálicos), facilidade para substituição e gabinetes com espaços adequados para permitir manutenção. Por exemplo, disjuntores extraíveis na média tensão.  Por isso, os projetos devem considerar a possibilidade de substituição de qualquer elemento do sistema, prevendo-se espaços para retirada de qualquer equipamento, tubo ou painel, além dos espaços necessários para as manutenções mais corriqueiras (apertos, substituições de filtros, motores, sensores e atuadores), explica o engenheiro. A automação também ajuda no monitoramento de parâmetros cuja medição pode determinar quando um dispositivo deve ser inspecionado ou substituído, por exemplo, os manômetros.

Os itens de última geração que serão incorporados a esse projeto ficam por conta da implantação de Usina de geração, destaca Liong, com geradores a diesel que substituem 100% da carga do hospital. A usina garante o fornecimento de energia elétrica no caso de falha da concessionária e permite a opção de geração com diesel no horário de ponta (17h30 às 20h30), quando a energia elétrica da concessionária tem um valor alto. De outro lado, o sistema de tratamento de esgoto permitirá a economia no consumo de água da concessionária para bacias sanitárias.  E, por fim, o engenheiro cita os condicionadores de ar externo que fornecem o ar de renovação previamente resfriado, filtrado e desumidificado. Em geral, os materiais e equipamentos utilizados estão disponíveis no Brasil. Segundo o engenheiro, no caso de geradores a diesel e Chillers, há dispositivos que são importados, mas a assistência técnica está disponível no país.

Arquitetura sustentável

De acordo com o porta-voz, o Superintendente de Engenharia e Logística do Hospital Sírio-Libanês, Rodrigo Almeida de Macedo, o projeto surgiu após a elaboração de um plano diretor, coordenado pelo próprio escritório de arquitetura, que delineou as diretrizes para o projeto. O estudo resultou na necessidade de acrescer o complexo em três novas torres (blocos E, F e G). Os blocos E e F foram idealizados para abrigar basicamente áreas de internação e a nova recepção da instituição (embarque/desembarque). Já o bloco G surge com o objetivo de dar suporte a todo o complexo, nomeado carinhosamente como “Coração”. Em suma, o hospital busca duplicar suas instalações, desde a internação, a unidade de terapia intensiva, o centro cirúrgico e um novo centro de reabilitação. “O projeto foi concebido a partir de uma estrutura existente, o que delimitou o projeto em relação ao seu contorno e peso. Tiramos partido do uso de empenas, grelhas e principalmente do vidro para criar uma maior leveza desejada. A escolha das cores azul e branco nas novas fachadas foi intencional para criar identidade com as cores da instituição. Optou-se pela estrutura metálica devido à necessidade de um ganho maior de pavimentos. Com isto, estes possuirão pés direitos condizentes com as novas realidades do aparato técnico sem sobrecarregar a estrutura existente”, destaca ele.

O projeto terá certificação LEED, e a obra inclui vidros de alta performance; estação de tratamento de água (ETA), de água pluvial, dreno da água condensada do AC e água cinza para reúso nas torres de resfriamento, irrigação e bacias; elevadores com regenerador de energia; ecotelhados; água quente com auxílio de sistema solar; tratamento do ar externo em condicionadores de ar exclusivo. Todo o projeto atende a uma eficiência energética dentro dos requisitos do LEED assim com as especificação de materiais certificados.

O edifício terá nova recepção, com um embarque e desembarque mais eficiente, ambientes maiores que atendem a uma necessidade mais atual tanto tecnologicamente quanto um serviço hoteleiro de primeira qualidade. Foram projetado diversos modelos de quartos, com ante sala, quartos VIP e quartos com terraços.

Mesmo o terreno sendo ocupado quase na sua totalidade, foram criados vários espaços de contemplação como: praças, espelhos d´água, cafés e restaurante, visando momentos de descontração e bem-estar aos usuários. Também pensando no usuário, será criada uma área destinada ao apoio e acolhimento dos acompanhantes que necessitarem passar períodos longos na instituição. Ela será composta por ambientes de estar, cyber café, sala de repouso e vestiários individuais com área exclusiva para guarda de pertences.

Para as edificações existentes que apresentam tipologias de difícil interligação, foram criados diversos pontos de conexões mediante construção de passarelas e túneis, interligando os quatro blocos existentes com os três novos. Para comportar a duplicação do complexo e garantir que o mesmo funcione de uma forma única e fluida, foram criados novos acessos e sua operação revista. Para isso, foram destinadas novas áreas para atender a todo o complexo como Usina, Subestação, CAG, Docas e CME.

“Em relação às instalações, estamos aplicando o que existe de última geração, podendo ser inteiramente controlado e monitorado via automação CME automatizada, CC (centro cirúrgico) com salas robotizadas, recolhimento de roupa suja e lixo através de sistema de coleta pneumática, usina de geração para todo o complexo inclusive as edificações existentes”, completa ele.