07 de setembro de 2015
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Construção Sustentável

Nem uma gota além do necessário

Obras da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro reaproveitam, desde 2011, cerca de 200 milhões de litros de água, que dariam para abastecer 18.300 mil casas por um mês

Obras da Linha 2: água utilizada no processo de escavação dos túneis é totalmente tratada e reutilizada no processo de construção

Em tempos de crise hídrica e em meio às discussões sobre o consumo consciente de água, os consórcios Linha 4 Sul e Construtor Rio Barra, responsáveis pelas obras da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca – Ipanema) mostram que é possível preservar este importante recurso mesmo numa obra de tamanha complexidade. Na construção dos 16 quilômetros de extensão da nova linha, a preocupação com o meio ambiente, na verdade, é constante. A água utilizada pelos equipamentos de perfuração é resultante da escavação dos túneis entre a Barra e a Gávea, por exemplo,  é tratada e totalmente reutilizada. Desde 2011, cerca de 200 milhões de litros passaram pelas estações deste trecho – o que daria para abastecer 18.300 mil casas por um mês.

Neste ciclo sustentável, ela também serve para a lavagem dos caminhões, máquinas e pneus de veículos que circulam nos canteiros, assim como na umectação dos canteiros e de ruas do entorno. O objetivo é reduzir a poeira gerada pela obra, a fim de minimizar o volume de partículas no ar e, consequentemente, o incômodo para a comunidade.

A ideia de reaproveitar a água vem do jumbo, o principal equipamento que faz as perfurações para colocação dos explosivos na rocha, que gasta cerca de 10 mil litros de água por hora. Depois de utilizada pelo equipamento, a água passa por decantadores a cada 300 metros, primeira etapa das estações de tratamento, num ciclo que evita o desperdício. Só então volta a ser reutilizada pelo equipamento.

Na Zona Sul, duas estações de tratamento de efluentes (ETEs) reaproveitam cerca de 130 mil litros de água por dia. No canteiro onde está sendo construída a Estação Antero de Quental, no Leblon, a água do rebaixamento do lençol freático é utilizada para umectação de ruas, o que reduz a poeira e contribui para a limpeza do entorno da obra. Para impedir que os caminhões deixem os canteiros e sujem as ruas com resíduos da obra, os engenheiros criaram o "lava rodas", uma simples medida de "cuidado" com a cidade. A água utilizada passa por quatro caixas decantadoras até retornar ao sistema de tratamento e recomeçar o ciclo de reaproveitamento. Há um para cada frente de serviço.

Outra ação consciente na obra é o reaproveitamento do refluxo do jet grouting, para produção de tijolos e pavimentação do canteiro. O jet grouting é uma técnica de melhoria de solos realizada diretamente no interior do terreno sem escavação prévia, utilizando para tal um ou mais jatos horizontais de grande velocidade (cerca de 250 m/s), que aplicam a sua elevada energia cinética na desagregação da estrutura do terreno natural e na mistura de calda de cimento com as partículas de solo desagregado, dando origem a um material de melhores características mecânicas e de menor permeabilidade que o inicial.  ”Já que a água usada no processo do Jet Grouting não pode ser reaproveitada, ao menos usamos o produto final do refluxo para alguns trabalhos com os quais gastaríamos outros materiais, o que gera reaproveitamento e economia de recursos na obra”, afirma Enrico Pedroso, um dos engenheiros do canteiro. O refluxo é aproveitado para a produção de tijolos, com sua aplicação em formas de madeira. Por enquanto, a produção diária é de 198 tijolos.  Eles são utilizados em diversos locais do canteiro, como na demarcação das vagas de estacionamento e pavimentação da área de convivência.