FECHAR
FECHAR
29 de julho de 2013
Voltar
Concreto Hoje

Tecnologia dá um novo gás para o CO²

Empresa canadense recupera o gás carbônico produzido por grandes emissores para usá-lo na produção de concreto. Processo patenteado poderá ser adotado no Brasil

O concreto é o segundo material mais consumido no mundo e responde por cerca de 5% da emissão global de gases que contribuem para o efeito estufa. Ainda mais impressionante é a contribuição do cimento, a matéria-prima principal do concreto. Na avaliação de especialistas, cada tonelada de cimento criaria 0,8 toneladas de gás carbônico, o conhecido CO2. Não causa espanto, então, que a indústria concreteira venha praticando uma série de iniciativas para diminuir tal responsabilidade. O escopo de ações engloba desde o uso de resíduos como escória e cinza de arroz na produção de cimento até a diminuição do consumo de água por meio de inovações. A canadense CarbonCure Technologies resolveu ir direto à raiz do problema: recolhe o gás carbônico produzido em usinas termelétricas, indústrias e outros emissores, estoca o gás e o injeta na fase de mistura do concreto.

Fundada em 2007 pelo químico Robert Niven, mestre em engenharia ambiental pela McGill University, a empresa foi listada como uma das mais inovadoras do mundo pela revista Green Building, especializada em construções sustentáveis. De acordo com a publicação, a injeção de CO2 permite que o produto final torne-se mais resistente, reduzindo o volume do concreto utilizado. Na visão da CarbonCure, sua tecnologia patenteada dá uma outra função ao gás carbônico que seria descartado no meio ambiente, direcionando-o para o processo de cura do material. Os produtos finais englobam desde blocos até peças para calçamento de ruas, assim como elementos arquitetônicos. Com a tecnologia desenvolvida, a empresa canadense entrega uma matriz semiporosa de concreto, contendo o gás carbônico capturado, combinando íons de cálcio (Ca) com CO2, permitindo a "criação" de uma rocha na forma de calcário.

Para entender a mágica por trás da transformação, o fundador da CarbonCure destaca a química das reações de produção do concreto, a começar pela fabricação do cimento. Três elementos participam ativamente: carbono, oxigênio e cálcio. Primeiro, o cimento é produzido a partir de calcário ou carbonato de cálcio (CaCO3) calcinado em fornos a alta temperatura. Com o aquecimento, o CaCO3 se divide em duas partes: CO2, que é direcionado para o ar, e cal viva (CaO), a qual forma o componente chave do cimento. Posteriormente, ele é misturado com água e outros ingredientes, principalmente areia e cascalho, para formar o concreto. Como a água contém CO2 dissolvido, esse se recombina com a CaO para formar o calcário. Ao longo do tempo, e em menor grau, o concreto continua a retirar CO2 do ar, sequestrando-o na forma de calcário. O que a CarbonCure faz é injetar o carbono emitido por indústrias e outras instituições que não querem repassá-lo para a atmosfera.