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27 de julho de 2018
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Concreto Hoje

Propriedades regenerativas

O bioconcreto, resultante da combinação de concreto tradicional e colônias de bactérias da espécie Bacillus pseudofirmus, consegue cicatrizar suas próprias rachaduras sem necessidade de reparos

Pense em paredes de concreto que conseguem cicatrizar sozinhas suas próprias rachaduras, sem precisar de reboco. Embora a cena pareça de filme de ficção, hoje essa proeza já é possível com o bioconcreto, um material vivo, capaz de se autorregenerar, desenvolvido pelo microbiologista Henk Jonkers e pelo engenheiro especializado em materiais de construção, Eric Schlangen, da Universidade Técnica de Delft, na Holanda.

Os pesquisadores estudam esse produto desde 2006, resultado da combinação de concreto tradicional e colônias de bactérias da espécie Bacillus pseudofirmus, que normalmente proliferam em ambientes de condições extremamente difíceis, como em vulcões ativos, por exemplo.

Essas bactérias desenvolvem esporos e se tornam capazes de sobreviver sem oxigênio por mais de 200 anos, nas piores condições possíveis, por isso são adequadas para compor o bioconcreto. De acordo com os estudos divulgados por Jonkers, essas bactérias precisam ser alimentadas para promoverem a autorregeneração do concreto, por isso é necessário utilizar o lactato de cálcio, uma substância que faz parte da composição do bioconcreto e serve de alimento para as bactérias.

Dessa forma, se uma parede construída com esse material apresentar rachaduras, as bactérias ficarão expostas aos elementos físicos, entre eles a água, que se infiltra nos vãos das rachaduras e ativa as bactérias. Imediatamente elas começam a consumir seu alimento, produzindo calcário como resultado do processo de digestão. De acordo com Jonkers, em aproximadamente três semanas esse calcário terá fechado completamente as fissuras da parede.

O cientista garante que o bioconcreto é capaz de reparar fissuras de qualquer comprimento – de pequenos metros a quilômetros de extensão. Mas as bactérias só cicatrizam fissuras de até 8 milímetros de largura, e as rachaduras mais largas cortarão a eficácia do concreto vivo, mesmo que tenham pequeno comprimento.

Um dos pontos fracos mais nítidos do bioconcreto é o preço alto: pode custar até 40% mais caro que o concreto convencional

Preparo

Os pesquisadores Felipe Portela Candido Silva e Victor de Carvalho Passarini, do Complexo Educacional Faculdades Metropolitanas Unidas, publicaram um estudo onde explicam que o bioconcreto pode ser preparado de duas maneiras. “Primeiro é o método de aplicação direta, ou seja, a solução bacteriana é misturada junto com o lactato de cálcio e a água é adicionada ao concreto. Quando há fissura, as bactérias ficam expostas às intemperes, saindo do estado vegetativo para se alimentar do lactato de cálcio ali presente”, reafirma Felipe.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral