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15 de dezembro de 2017
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Concreto Hoje

Garrafa pet reciclada pode fortalecer concreto em 15%

Pesquisa descobre maneira de produzir estruturas mais robustas e ainda contribuir na redução de emissões de carbono na indústria cimentícia

Um grupo de estudantes de graduação do Messachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu uma forma de fortalecer misturas de concreto: garrafa PET reciclada. Os testes apontaram até 15% de fortalecimento nesse tipo de mistura quando comparadas às convencionais de água, brita e cimento Portland. A iniciativa, além de produtiva tecnicamente, indica uma forma da indústria cimentícia – que é responsável por 4,5% da emissão de dióxido de carbono na atmosfera – compensar o impacto ambiental que causa. Os ganhos financeiros com menor uso de cimento também são outra atratividade da experiência.

"Há uma quantidade enorme de plástico que é aterrado anualmente", diz Michael Short, professor assistente do Departamento de Ciência e Engenharia Nuclear do MIT e um dos orientadores da pesquisa. "Nossa tecnologia tira o plástico do aterro sanitário, trava-o em concreto e reduz o uso de cimento na mistura, reduzindo as emissões de dióxido de carbono da indústria cimentícia", valida ele.

Para chegar a essa conclusão, os estudantes descobriram que, ao expor os flocos de plástico a doses pequenas e inofensivas de radiação gama e pulverizar os flocos em pó fino, era possível misturar o plástico irradiado com pasta de cimento e cinzas volantes para alcançar o objetivo de fortalecimento.

Esse estudo foi publicado na Revista Waste Management e, segundo Oral Büyüköztürk, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do MIT, demonstra sucesso no esforço de laboratório em envolver estudantes de graduação nas experiencias de pesquisa que levam novas substâncias químicas para melhoria do concreto. "Os resultados desse projeto abrem um novo leque na busca de soluções para infraestrutura sustentável", acredita ele.

O grupo começou a explorar a possibilidade de concreto reforçado com plástico como parte de um Projeto de Sistemas Nucleares, no qual os alunos foram convidados a escolher o seu próprio projeto. "Eles queriam encontrar maneiras de reduzir as emissões de dióxido de carbono que fossem além da tradicional construção de reatores nucleares ", diz Short. "Afinal, a produção de concreto é uma das maiores fontes de dióxido de carbono do mundo e eles conseguiram pensar que reduzir a sua emissão seria um grande feito. Então examinaram a literatura e a ideia ficou mais clara”, lembra o professor.

Os alunos descobriram que outros pesquisadores já tentaram introduzir o plástico em misturas de cimento, mas ele enfraqueceu o concreto. Investigando mais, descobriram evidências de que a exposição de plástico a doses de radiação gama faz com que a estrutura cristalina do material mude, tornando o plástico mais forte, mais rígido e mais resistente. Entendido isso, era hora de confirmar se a irradiação de plástico realmente funcionaria para fortalecer o concreto.