10 de abril de 2014
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Concreto Hoje

Robôs atestam evolução tecnológica na projeção de concreto

No Brasil, consórcios construtores estão recorrendo à solução para otimizar os cronogramas das obras e oferecer mais segurança aos trabalhadores

Em maio de 2013, um robô entrou em ação na obra de construção do túnel em São Conrado, que faz parte da linha 4 do metrô carioca. Olhando a distância, o trabalho do mangoteiro, profissional responsável pelo lançamento do concreto nas paredes da passagem subterrânea, até lembrava um adolescente jogando videogame. Na verdade, ele controlava remotamente a operação de projeção do material no túnel, processo executado pelos braços mecânicos do equipamento. A cada hora, o robô projetava 20 m³ de concreto, o equivalente a três caminhões ou o dobro da capacidade do método até então utilizado naquela frente. Além de maior produtividade, o equipamento, fabricado pela Putzmeister e usado pelo Consórcio Construtor Rio Barra, trabalha de forma sustentável uma vez que é ligado diretamente à rede de energia da obra e não a um caminhão a diesel.

O revestimento a base de concreto é utilizado em túneis com escavação pelo método New Austrian Tunnelling Method (NATM), no qual a proteção é estipulada para conter o afrouxamento e a deformação do maciço a cada avanço da perfuração. Dentre as vantagens do NATM destacam-se a adaptabilidade da seção de escavação, que pode ser modificada em qualquer ponto. Isso pode acontecer de acordo com as necessidades geométricas e de parcialização da escavação - às vezes necessária em maciços pouco competentes ou que estão sob forte pressão hidrostática. Outras medidas associadas à aplicação do método envolvem o rebaixamento do lençol freático, além das mais comumente usadas como injeções químicas ou de cimento. Nos casos de perfurações com tuneladoras, não há demanda por essa sustentação, uma vez que o avanço da máquina se dá pela reação de macacos contra os anéis de revestimento já montados.

De acordo com os especialistas consultados, ainda há muito espaço para a robotização da projeção de concreto. Na prática, ainda há uma tendência – entre empreiteiras e consórcios construtores - de se trabalhar com equipamentos conhecidos como canetas ou pistolas. “O modelo tipo caneta é um projeto antigo, mais barato e com produtividade menor, principalmente em grandes diâmetros de túneis e outros ambientes fechados”, explica Marcelo Antonelli, CEO da Zoomlion Cifa Brasil, outro fabricante de robôs para projeção de concreto. Na avaliação dele, os robôs oferecem precisão na projeção e podem utilizar aditivos, incluindo acelerador de pega e incorporador, além de operar com vazões médias de 30 m³/hora e operarem com motor elétrico não-poluente.