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07 de outubro de 2014
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Concreto Hoje / O substituto do aço estrutural pode estar nas florestas tropicais

Em termos práticos, a composição testada resultou em aproximadamente 80% de bambu e 20% de resina e apresentou uma densidade de 1,3 g/cm³, o que seria três vezes a de um bambu natural. “Estamos interessados em controlar totalmente as propriedades do material, o que significa sermos capazes de mudar os valores de expansão térmica e aumentar a resistência ao fogo”, afirma Hebel. Ele destaca que o controle das propriedades é importante para alcançar a certificação de órgãos normalizadores locais e tornar a solução viável mercadologicamente. O desafio maior será cultural. O pesquisador avalia que haverá dificuldade em convencer os construtores, acostumados à utilização do aço para reforçar o concreto. “Iniciaremos a aplicação em nichos menores de mercado, como em aplicações que exigem o uso de reforço estrutural não corrosivo”, informou à revista da ASCE.

A estratégia de usar as fibras de bambu em segmentos menores será complementada pela prospecção de adoção da tecnologia em equipamentos esportivos e nas indústrias automotiva e aeroespacial. A motivação seriam as propriedades de durabilidade, leveza e flexibilidade proporcionadas pelo bambu, bem como a facilidade de cultivo. Outro apelo é a sustentabilidade, uma vez que a planta é uma fonte renovável, reciclável e um grande gerador de oxigênio. Por ser uma indústria limpa, a produção da fibra pode incentivar pequenas e médias empresas.

O maior objetivo do projeto, no entanto, continua sendo a indústria da construção civil, na avaliação de Hebel. Segundo ele, a equipe de pesquisadores acredita que a técnica possa ser o propulsor de uma nova era de industrialização em países pouco desenvolvidos, com produção e investimentos mantidos localmente. O próximo desafio, de acordo com ele, é levar os testes a campo e mostrar as possibilidades da proposta, o que deve acontecer nos próximos dois anos.