18 de maio de 2017
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Artigo

O legado da crise hídrica para o setor de Consultoria em Saneamento Ambiental

Por Luiz Roberto Gravina Pladevall

O ano de 2014 vai ficar marcado na história como o período de maior estiagem já registrada nos últimos 120 anos na Região Metropolitana de São Paulo. A redução dos índices pluviométricos registrados a partir do final de 2013 desencadeou a maior crise hídrica do Estado de São Paulo com impactos diretos no consumo de água pela população. Estes novos parâmetros de pluviometria devem servir de modelo para a revisão de todos os estudos de planejamento da capacidade de suprimento de água na Macrometrópole do Estado de São Paulo por meio de novas curvas de precipitação.

Por outro lado, a resposta à escassez hídrica foi na contramão da demanda. A Sabesp, a maior empresa de saneamento da América Latina, reduziu drasticamente, nos últimos dois anos, os investimentos financeiros na contratação de projetos e consultoria a patamares muito inferiores às reais necessidades da companhia. Esta decisão da Sabesp tem possibilidade de comprometer fortemente as soluções para os seus sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário e principalmente na manutenção das empresas de consultoria do setor, fornecedoras importantes dentro do seu ciclo de negócio.

Acreditamos que os resultados alcançados com o enfrentamento da crise precisam ser revistos para evitar dificuldades futuras. Desde 2007, as empresas de consultoria do Estado de São Paulo, quando da forte retomada do investimento pela Sabesp, vêm apostando no desenvolvimento desta importante infraestrutura no país e mostrando a sua robustez na oferta de suporte intelectual para encontrar as soluções adequadas às demandas da área. Essas companhias passaram a investir fortemente na reconstrução das suas equipes técnicas e na capacitação dos seus profissionais para superar o déficit decorrente de recessões de períodos anteriores. São especialistas que enfrentam desafios inclusive em outros países, competindo no mesmo patamar que empresas internacionais.

Não podemos negar que o enfrentamento da crise hídrica pelo Governo do Estado, especialmente pela Sabesp, contou com a expertise indiscutível do corpo técnico formado por engenheiros dos seus quadros internos. Porém é importante lembrar que as soluções emergenciais adotadas formam extraídas de um planejamento recém-concluído a época e elaborado por uma das empresas associadas da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e M


O ano de 2014 vai ficar marcado na história como o período de maior estiagem já registrada nos últimos 120 anos na Região Metropolitana de São Paulo. A redução dos índices pluviométricos registrados a partir do final de 2013 desencadeou a maior crise hídrica do Estado de São Paulo com impactos diretos no consumo de água pela população. Estes novos parâmetros de pluviometria devem servir de modelo para a revisão de todos os estudos de planejamento da capacidade de suprimento de água na Macrometrópole do Estado de São Paulo por meio de novas curvas de precipitação.

Por outro lado, a resposta à escassez hídrica foi na contramão da demanda. A Sabesp, a maior empresa de saneamento da América Latina, reduziu drasticamente, nos últimos dois anos, os investimentos financeiros na contratação de projetos e consultoria a patamares muito inferiores às reais necessidades da companhia. Esta decisão da Sabesp tem possibilidade de comprometer fortemente as soluções para os seus sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário e principalmente na manutenção das empresas de consultoria do setor, fornecedoras importantes dentro do seu ciclo de negócio.

Acreditamos que os resultados alcançados com o enfrentamento da crise precisam ser revistos para evitar dificuldades futuras. Desde 2007, as empresas de consultoria do Estado de São Paulo, quando da forte retomada do investimento pela Sabesp, vêm apostando no desenvolvimento desta importante infraestrutura no país e mostrando a sua robustez na oferta de suporte intelectual para encontrar as soluções adequadas às demandas da área. Essas companhias passaram a investir fortemente na reconstrução das suas equipes técnicas e na capacitação dos seus profissionais para superar o déficit decorrente de recessões de períodos anteriores. São especialistas que enfrentam desafios inclusive em outros países, competindo no mesmo patamar que empresas internacionais.

Não podemos negar que o enfrentamento da crise hídrica pelo Governo do Estado, especialmente pela Sabesp, contou com a expertise indiscutível do corpo técnico formado por engenheiros dos seus quadros internos. Porém é importante lembrar que as soluções emergenciais adotadas formam extraídas de um planejamento recém-concluído a época e elaborado por uma das empresas associadas da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente), além do ágil apoio de profissionais das empresas de consultoria no suporte às soluções das obras emergenciais. Sem estes dois componentes, o impacto desta seca histórica poderia ser catastrófico para população e para o país, tendo em vista que a Macrometrópole do Estado de São Paulo representa parcela significativa do PIB Nacional.

Infelizmente, o principal legado da crise hídrica para o setor de Consultoria em Saneamento Ambiental não foi o impacto nas curvas pluviométricas, e sim a redução drástica na contratação de projetos e consultoria, provocando o encolhimento radical na ordem de 60% das equipes técnicas e impactando inclusive no fechamento de algumas empresas do setor. Decisões como essa acarretam a perda de uma mão de obra altamente qualificada, construída ao longo de anos de muito trabalho, dedicação e investimento por parte dos empresários do setor.

A velocidade da redução de investimentos nos trabalhos ofertados pela Sabesp chegou a 95% em valor no ano de 2016, se compararmos com o período de 2012 e 2013. Os recursos financeiros licitados pela companhia alcançaram cerca de R$ 103 milhões no ano de 2012, mantendo-se em R$ 105 milhões no ano de 2013. Em 2014, o valor licitado em projetos caiu para R$ 73 milhões e despencando para apenas R$ 12 milhões no ano de 2015, no ápice da maior crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo. No ano passado, a Sabesp licitou apenas R$ 5,3 milhões nessa rubrica.

O enfretamento da crise hídrica não é uma exclusividade brasileira. Muito pelo contrário, outras nações se depararam com falta de água em regiões metropolitanas, mas as soluções foram diferentes das aplicadas no Brasil. Em julho de 2015, por exemplo, visitamos Los Angeles (EUA), que investiu fortemente em consultoria para superar a falta de água. O Estado norte-americano não mediu esforços e investimentos para elaborar um planejamento detalhado da situação.

O legado da crise hídrica precisa ser visto como um importante aprendizado. A população não pode ficar à mercê das condições climáticas, com sérios riscos de afetar a economia e a saúde dessas regiões afetadas pela falta de água. As empresas de consultoria também não podem ser relegadas nesse momento, provocando marcas profundas e um impacto indiscutivelmente negativo com a perda de mão de obra altamente qualificada, que será de difícil recuperação na retomada dos investimentos do setor.

(*) Luiz Roberto Gravina Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e membro da Diretoria da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).