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11 de setembro de 2014
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Artigo / O irreversível crescimento de São Paulo pode ser ordenado

Acresça-se a proliferação de melhorias urbanas, como novos espaços públicos, ciclovias, escolas, hospitais, universidades, restaurantes, teatros e eventos, que tornam São Paulo cada dia melhor para se viver, trabalhar e investir. Isso acarreta mais interesse das pessoas em se mudar para a cidade. Trata-se de uma verdadeira bola de neve. Não é à toa que a Capital cresce uma São Caetano do Sul por ano (140 mil habitantes).

Os sinais são, portanto, muito claros: a expansão da cidade, salvo algum descontrole da economia, continuará em ritmo forte. Assim, é crucial nos preocuparmos em saber como esse crescimento ocorrerá. Nos últimos dez anos, foram lançadas na Capital cerca de 300 mil unidades habitacionais, não se tendo notícia de empreendimento que não vendeu, o que vem comprovar a necessidade do mercado imobiliário no planejamento e desenvolvimento da metrópole.

Vivemos um período em que se multiplicam os planos públicos e privados para tornar São Paulo uma cidade mais sustentável. Desde a despoluição dos nossos rios Tietê e Pinheiros, à descentralização da cidade, com novos polos de desenvolvimento nas regiões Leste e Norte,  contribuindo para fixar a população nos bairros e diminuir a necessidade de locomoção entre eles. Os planos de expansão da rede metroviária e o próprio Plano Diretor da prefeitura, que está em gestação e deverá ser aprovado em 2014, apresentam significativos avanços nos conceitos de desenvolvimento urbano sustentável e confirmam as perspectivas de crescimento.

Entretanto, se, por um lado, as expectativas de uma cidade melhor para se viver ganham força e retroalimentam a indústria imobiliária, por outro, elas não favorecem uma diminuição dos preços dos imóveis. Em localidades com melhor qualidade de vida tudo é mais caro. Os exemplos espalham-se pelo mundo, como Nova York, Tóquio, Paris, Roma e Dubai.

Estamos diante de uma nova realidade habitacional, cujas tendências apegam-se a habitações cada vez menores e mais caras; melhor aproveitamento do solo urbano, com maior adensamento por força da escassez de terrenos; uso intenso da tecnologia combinada com home offices; revitalização e maior utilização de espaços públicos; e população mais consciente de suas responsabilidades cívicas. Não há como impedir o contínuo crescimento de São Paulo, mas com diretrizes e conceitos urbanísticos atuais e desvinculados de preconceitos ideológicos, poderemos ter uma cidade mais moderna e adequada àqueles que a habitam.