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11 de setembro de 2014
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Artigo

O irreversível crescimento de São Paulo pode ser ordenado

Por Luiz Augusto Pereira de Almeida

Em 2013, foram lançadas, na cidade de São Paulo, 33 mil unidades residenciais, com um volume geral de vendas superior a R$ 19 bilhões. Se considerarmos a Região Metropolitana, o número cresce para 58 mil moradias e a comercialização ultrapassa R$ 26 bilhões. Ademais, o setor respondeu por 3,4 milhões de empregos formais no Brasil. Tais resultados demonstram a boa recuperação do mercado imobiliário, que na capital paulista, nos últimos dois anos, havia estacionado na média de 27 mil lançamentos anuais.

Alguns fatores contribuíram para a retomada, a começar pela oferta de crédito.  Em 2013, foram emprestados R$ 109 bilhões para financiamentos ao consumidor final da casa própria e para construtoras investirem em obras. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), esse número é 32% maior do que o de 2012. E, pelas notícias que chegam, anunciando saldos recordes da caderneta de poupança, que em 2013 encerrou o ano com R$ 467 bilhões, 20% maior do que em 2012, não se espera uma contração do crédito em curto prazo.

Não menos importantes foram a taxa de juros e o índice de inflação.  Em 2013 tivemos a menor taxa histórica de juros do Brasil, com 7,25% ao ano. Mesmo com aumentos sucessivos, iniciados a partir de maio, a Selic na casa de um dígito favoreceu a expansão do mercado. A inflação, em que pese ter ficado em seu teto, de 5,90%, ainda não tem  provocado a fuga dos consumidores.

A revitalização de bairros periféricos, com obras de infraestrutura realizadas pelo poder público, principalmente aquelas vinculadas à mobilidade urbana, como sistemas viários, corredores de ônibus e metrôs, dentre outras, e também da iniciativa privada, com shoppings e edifícios comerciais, tem criado novos nichos de mercado, com grande oferta imobiliária. Além disso, a inclusão desses novos bairros no mercado imobiliário vem acompanhada de preços bem convidativos. Se não dá para comprar na Vila Mariana, adquire-se na Saúde por 25% a menos. Se o Morumbi é caro, encontram-se excelentes apartamentos na Vila Andrade, bem mais em conta. Também é relevante o baixo índice de desemprego no Brasil, o qual se mantém como forte aliado do mercado imobiliário e, também, o índice de confiança na economia, que em 2013 ainda permaneceu em níveis razoáveis.

O fator “Remuneração dos acionistas” deve ser considerado nessa puxada de lançamentos. O mercado imobiliário da capital paulista está muito concentrado nas mãos de aproximadamente 11 empresas incorporadoras/construtoras listadas em bolsa. Nos últimos dois anos, houve uma diminuição de lançamentos dessas companhias, por força de problemas orçamentários de custos de construção, com desdobramentos em descumprimento de prazos e entregas de obras. Essa situação está sendo normalizada e, assim, retomam-se os trabalhos de lançamentos, com maior produtividade, com vistas a aumento de faturamento e melhor remuneração dos acionistas.