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20 de fevereiro de 2013
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Especial Ceará - Energia

No Ceará, uma completa cadeia produtiva

Além de figurar como maior produtor isolado de energia eólica no Brasil, o estado do Ceará é também o que concentra a maior cadeia produtiva do setor. É um grande número de fábricas de pás, torres e montadoras de autogeradores, próximas aos parques geradores. Entre as vantagens desta estratégia está o barateamento com os custos de logística e transporte dos componentes. Nessa posição, o Ceará só fica atrás de São Paulo, que não produz energia eólica.

Os custos de logística do setor são muito altos, fazendo com que as fábricas procurem se instalar próximo aos parques eólicos. Quanto mais ventos, mais usinas e mais fabricantes de equipamentos. Como são equipamentos de dimensões avantajadas, os custos de logística praticamente bancam a planta. Uma única torre para geração eólica precisa de dois caminhões para ser transportada. Segmentada em quatro partes, um caminhão leva apenas duas delas

Para instalação de um parque eólico com potência de 30MW, é necessário investimento a partir de R$ 110 milhões. Um aerogerador pode custar até R$ 7 milhões, cabendo ao fornecedor do equipamento a montagem e assistência técnica durante período de vigência do contrato, em média de 20 anos. Cabe ao dono do parque eólico o supervisionamento da instalação e a construção civil, obedecendo as especificidades do fabricante dos equipamentos.

Dependendo das negociações entre comprador e fornecedor, geralmente cabe a esta última arcar com os custos de logística do seu equipamento, o que acaba impactando no preço final do produto. Assim, vende mais barato quem produz mais perto.

Pás brasileiras ganham mercado

Em agosto de 2012, a Suzlon Energia Eólica do Brasil e a Aeris Energia entregam a primeira pá para aerogeradores modelo Suzlon S95 da família S9X, produzida no Complexo Industrial de Pecém, no Ceará. A pá foi enviada a um dos parques da Queiroz Galvão Energias Renováveis, em fase de implantação no litoral do estado, com 122 MW de capacidade.

Com oito toneladas e 46 m de comprimento, a pá foi 100% fabricada por mão de obra nacional, originária principalmente dos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, no Ceará. O processo envolveu transferência de tecnologia cedida pela Suzlon por meio de uma equipe de engenheiros indianos, que acompanhou todas as etapas de produção.

A peça foi fabricada a partir do primeiro de dois moldes de 53 metros de comprimento e 50 toneladas de peso, trazido pela Suzlon da Índia, e que integra hoje a linha industrial montada pela Aeris. A turbina S95 é a mais moderna da companhia para ventos de velocidade média e pode ser adotada com opções de torres de 80, 90, 100 e 120 metros de altura.