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29 de outubro de 2012
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Matéria de Capa - Logística - Aeroportos

Modelo brasileiro exigiu baixo nível de qualificação técnica

O consórcio Inframérica, que ganhou a concessão do aeroporto de Brasília, espera que a ampliação do novo terminal de passageiros, prevista para até abril de 2014

O consórcio Inframérica, que ganhou a concessão do aeroporto de Brasília, espera que a ampliação do novo terminal de passageiros, prevista para até abril de 2014, permita elevar em 50% a receita comercial obtida com cada passageiro. Hoje, essa receita gira em torno de R$ 6. “A demanda insatisfeita é muito grande”, disse Daniel Ketchibachian, diretor comercial do consórcio formado pelo grupo argentino Corporación America e a empresa brasileira Infravix.

O plano de consórcio prevê uma ampliação de 43 mil m² no terminal, o que deve permitir a duplicação da área comercial, que hoje se restringe a seis restaurantes e cafés e cerca de 20 lojas. De acordo com executivos, o número de lojas deve ser mantido, mas os espaços devem ser completamente reformulados. Já a quantidade de áreas de alimentação deve dobrar. Ele disse que a Inframérica já está conversando com os locatários dos espaços no aeroporto.

Segundo o executivo, a estratégia comercial para o aeroporto se baseia em quatro pilares principais: comércio/entretenimento, serviços, tecnologia e “futebol”. Com relação a esse último item, ele diz que o consórcio tem grandes expectativas de receita com publicidade relacionada à Copa do Mundo.

O diretor de Projetos da alemã Fraport, Felix Von Berg, criticou a baixa exigência com relação aos operadores aeroportuários no leilão de Guarulhos, Campinas e Brasília, realizado em fevereiro. O edital de licitação exigia experiência em aeroportos com pelo menos 5 milhões de passageiros por ano, bem menor do que o próprio movimento já registrado atualmente no aeroporto de Guarulhos, que gira em torno de 30 milhões de passageiros por ano. “O Brasil é o único exemplo no mundo em que a exigência da capacidade do operador é tão abaixo da capacidade atual”, afirmou.

No caso do consórcio que ganhou a concessão do aeroporto de Viracopos, a operadora aeroportuária que integra o grupo, a francesa Egis, está bem perto do limite mínimo exigido: o maior aeroporto sob sua administração é o de Chipre, com movimento de 5,5 milhões de passageiros por ano. Além da Egis, o consórcio é formado pela Triunfo e pela UTC.

Segundo Von Berg, a qualificação dos interessados devia ter sido mais rigorosa. “No Brasil, todos os interessados se qualificaram para a disputa. Na privatização do aeroporto de Nova Deli (Índia), dos 10 interessados, apenas dois se qualificaram”, disse.

Na sua avalia


O consórcio Inframérica, que ganhou a concessão do aeroporto de Brasília, espera que a ampliação do novo terminal de passageiros, prevista para até abril de 2014, permita elevar em 50% a receita comercial obtida com cada passageiro. Hoje, essa receita gira em torno de R$ 6. “A demanda insatisfeita é muito grande”, disse Daniel Ketchibachian, diretor comercial do consórcio formado pelo grupo argentino Corporación America e a empresa brasileira Infravix.

O plano de consórcio prevê uma ampliação de 43 mil m² no terminal, o que deve permitir a duplicação da área comercial, que hoje se restringe a seis restaurantes e cafés e cerca de 20 lojas. De acordo com executivos, o número de lojas deve ser mantido, mas os espaços devem ser completamente reformulados. Já a quantidade de áreas de alimentação deve dobrar. Ele disse que a Inframérica já está conversando com os locatários dos espaços no aeroporto.

Segundo o executivo, a estratégia comercial para o aeroporto se baseia em quatro pilares principais: comércio/entretenimento, serviços, tecnologia e “futebol”. Com relação a esse último item, ele diz que o consórcio tem grandes expectativas de receita com publicidade relacionada à Copa do Mundo.

O diretor de Projetos da alemã Fraport, Felix Von Berg, criticou a baixa exigência com relação aos operadores aeroportuários no leilão de Guarulhos, Campinas e Brasília, realizado em fevereiro. O edital de licitação exigia experiência em aeroportos com pelo menos 5 milhões de passageiros por ano, bem menor do que o próprio movimento já registrado atualmente no aeroporto de Guarulhos, que gira em torno de 30 milhões de passageiros por ano. “O Brasil é o único exemplo no mundo em que a exigência da capacidade do operador é tão abaixo da capacidade atual”, afirmou.

No caso do consórcio que ganhou a concessão do aeroporto de Viracopos, a operadora aeroportuária que integra o grupo, a francesa Egis, está bem perto do limite mínimo exigido: o maior aeroporto sob sua administração é o de Chipre, com movimento de 5,5 milhões de passageiros por ano. Além da Egis, o consórcio é formado pela Triunfo e pela UTC.

Segundo Von Berg, a qualificação dos interessados devia ter sido mais rigorosa. “No Brasil, todos os interessados se qualificaram para a disputa. Na privatização do aeroporto de Nova Deli (Índia), dos 10 interessados, apenas dois se qualificaram”, disse.

Na sua avaliação, isso ocorreu porque no Brasil “só interessava o preço”, ou seja, quem pagaria o maior valor de outorga. O ágio médio pago pela outorga dos três aeroportos foi de cerca de 350%.

Ele também criticou a exigência de a primeira fase das obras ter de ser concluída em 22 meses. Em sua opinião, é um prazo apertado, apesar de reconhecer que essa é uma necessidade em razão da Copa do Mundo de 2014. “É desafiador e não ajuda no que se refere aos custos de construção”, disse.

A Fraport disputou o leilão dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos realizado em 6 de fevereiro em parceria com a EcoRodovias. O consórcio formado pelas duas empresas ficou em segundo lugar na disputa de Guarulhos, com uma oferta de R$ 12,9 bilhões. O consórcio vencedor, com lance de R$ 16,213 bilhões, é formado pela Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura) e a ACSA, operadora da África do Sul.

Von Berg disse que se o governo optar pelo modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) nas próximas concessões, o interesse da Fraport no setor aeroportuário brasileiro diminui. “Depende de como seria, mas não acredito que o governo brasileiro vá fazer isso”, disse. Ele citou exemplos nos Estados Unidos de PPPs onde a área comercial ficou com o setor privado. “Há outras empresas mais qualificadas que nós para assumir apenas a área comercial. Nós somos operadores de aeroportos.”

A Fraport disputou o leilão dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos, realizado em 6 de fevereiro, em parceria com a EcoRodovias. O consórcio formado pelas duas empresas ficou em segundo lugar na disputa de Guarulhos, com uma oferta de R$ 12,9 bilhões.