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27 de julho de 2018
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Mineroduto

Grandiosidade sob suspeita

Vazamento e paralisação da operação impõem novos desafios operacionais para o Mineroduto Minas-Rio, da Anglo American, orgulho da Engenharia brasileira
Por Mariuza Rodrigues

Passada a fase dos grandes projetos, o Brasil tem a oportunidade de avaliar os resultados e os reflexos de empreendimentos que mobilizaram um alto volume de recursos e demandaram grandes desafios tecnológicos. O mineroduto do complexo minerário Minas-Rio é um deles. O empreendimento foi matéria de capa da Revista Grandes Construções, edição 25 (Cortando o Brasil do centro ao litoral), em maio de 2012. Enaltecido por se tratar de uma das maiores obras já colocadas em prática, com 525 km de extensão, hoje esse gigantismo pode ser a causa de seus maiores problemas. Depois de dificuldades de licenciamento e de construção, o empreendimento começou a operar com atraso apenas em 2014 e no início de 2018, após dois vazamentos, teve a operação paralisada por prazo indefinido, até o presente momento. O episódio trouxe grande apreensão mas também, há que se destacar, mostrou o comprometimento da empresa com a segurança. Ela agiu rápido para sanar o problema e alertar as autoridades e vem empreendendo recursos para detectar as causas e garantir a segurança da operação. Tem-se uma nova oportunidade de aprendizado para antever desastres ambientais, sobretudo depois da tragédia de Mariana, da Mineradora Samarco, ocorrida em 5 de novembro de 2015 -  o rompimento da barragem de Fundão atingiu várias comunidades e gerou grandes danos ambientais e a perda de vidas humanas.

O Minas-Rio inaugurou uma nova etapa dos projetos de mineração no país, idealizado como projeto integrado mina-porto. O projeto inclui uma mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, em Minas Gerais, além do sistema de mineroduto responsável pelo transporte do minério até a o Porto de Açu, onde é embarcado.  O ponto chave do projeto é justamente o transporte da polpa de minerio por meio de um mineroduto que conectaria a mina, em Minas Gerais, até o Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

Iniciado pela MMX, do empresário Eike Batista, o empreendimento foi adquirido pela Anglo American em 2007 como um dos principais projetos de mineração ja colocados em prática no mundo. A expectativa inicial previa o inicio das exportações até o fim de 2010, mas a obra do mineroduto foi atropelada por obstáculos para obter as licenças necessárias, o que aconteceria somente em 2009.

Além disso, a obra precisou enfrentar danos causados pelas chuvas, e sofreu aumento dos custos além da resistência de moradores das áreas afetadas. O início da operação, em 2014, coincidiria com a queda do valor das commodities e o recuo do mercado global de mineração, resultando em perdas acionárias para o grupo e seus acionistas. Este era apenas mais um capítulo da história da construção do projeto Minas-Rio, uma das obras mais representativas da era Lula/Dilma.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral