02 de junho de 2015
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Concreto Hoje

Enxofre ganha nova chance na produção de concreto

Material é a base do polímero adotado para produção de concreto e recicla resíduos de refinarias e usinas térmicas a carvão. Método, criado há 30 anos, ganha nova rota tecnológica

O enxofre tem uma reputação negativa desde a antiguidade, sendo repetidamente associado ao diabo. Segundo o escritor Hugh Aldersey-Williams, autor do livro Histórias Periódicas (editora Record), o elemento químico é mencionado catorze vezes na Bíblia. Em nenhuma delas de forma positiva. Subproduto do refino de petróleo e gasolina, assim como das usinas térmicas a carvão, o enxofre representa um fardo pesado para o meio-ambiente. Há 30 anos, o Bureau of Mines, agência estatal dos Estados Unidos especializada em mineração, desenvolveu um concreto com uso de polímero baseado no elemento. A solução seria o coringa para resolver um problema antigo. Como o diabo está nos detalhes, o concreto com uso de polímero baseado em enxofre, apesar de viável tecnicamente, enfrentava várias barreiras, inclusive o alto custo do aditivo diciclopentadieno (DCPD).

Para a norte-americana Sulfcrete, quanto mais restrições, melhor. A empresa afirma ter superado as barreiras, uma vez que sua rota tecnológica dispensa o uso do DCPD. Com isso, o mercado estaria preparado para usar – de forma viável – uma imensa pilha de resíduos de enxofre que já chegaria a 21 milhões de toneladas métricas. Com a marca registrada Sulfcrete, o material pode ser aplicado em várias linhas de produção, de artefatos de concreto pré-fabricado até pavimentação de estradas, passando pelo mercado de agricultura. Os usos incluem ainda a utilização em plantas de processamento de minérios e outros ambientes agressivos, para os quais os concretos convencionais não são uma opção adequada. O avanço técnico, inclusive, permite enfrentar a legislação ambiental punitiva. A atual do governo Obama, por exemplo, tornou-se ainda mais restritiva e exige que a quantidade de enxofre presente nos combustíveis refinados passe de 30 partes por bilhão (PPB) para apenas 10 partes.

Baseada no estado de Nova York, a Sulfcrete pode ser classificada como uma start up, empresa com perfil tecnológico inovador, que recebe a atenção de investidores interessados em novas fronteiras de desenvolvimento. No caso de seu produto, ela recuperou uma tecnologia com mais de três décadas e a modificou, resultando em um novo produto com diferencias como o dobro da resistência do concreto fabricado com cimento tipo Portland. A lista de características positivas – de acordo com a fabricante – inclui ainda a alta resistência a ambientes salinos e com presença de ácidos que possam provocar corrosão. A ultrabaixa permeabilidade é outro benefício, além do tempo rápido de cura e da reciclabilidade elevada (até 75% do material que o compõe).