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26 de agosto de 2013
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Concreto Hoje

Concreto pode ser reparado com luz solar

Uma solução totalmente química pode ser borrifada para autorregenerar rachaduras pequenas quando a estrutura é exposta à luz solar

O projeto está em desenvolvimento por pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, e chama a atenção pela capacidade de autorreparar microrrachaduras em concreto. O responsável pelos estudos, Chan-Moon Chung, diz que o reparo rápido e eficiente em pequenas avarias é essencial para evitar prolongamento de rachaduras, que irão causar maiores problemas na estrutura futuramente.

O pesquisador sul-coreano reconhece que há outros desenvolvimentos com o propósito de autorregeneração, mas pondera que muitas dessas pesquisas levam microcápsulas de autorreparo que utilizam um agente de cura menos acessível. Ele explica que o custo desses agentes pode tornar as soluções menos rentáveis e disponíveis. “Diferente da luz solar, que é um recurso natural e abundante”, pontua.

Segundo o especialista, nesse processo – que ainda está em fase de desenvolvimento – há uma camada protetora aplicada na superfície do concreto. Ela é formada por microcápsulas de polímero e contém substâncias químicas que reagem em contato com a luz solar. Assim, quando a microrrachadura é exposta, a composição se transforma em uma camada sólida e impermeável, protegendo a estrutura.

Durante a primeira fase de testes em laboratório, a equipe constatou que ao combinar um pré-polímero líquido (polidimetilsiloxano, metacriloxipropil terminado) com um fotoiniciador (um éter de benzoína), o composto age formando um polímero protetor. O desafio, no entanto, tornou-se impedir que a reação ocorresse sem a ação de rachaduras. Para isso, a solução encontrada por Chung e sua equipe está em uma cápsula protetora capaz de impedir a ação do Sol sobre a mistura até que haja uma fissura no concreto e rompa as microcápsulas que estão próximas.

Para produzir as cápsulas foi criada uma solução de água, ureia e cloreto de amônio, bem como resorcinol, que é um derivado de benzeno responsável por estimular a formação da cápsula. Chung conta que a solução foi preparada a 55 C°, durante quatro horas e meia, para que ficasse pronta para ser aplicada.

Nos primeiros testes, utilizando blocos de concreto de 666 gramas cada, alguns foram borrifados com a “capa” protetora e expostos por quatro horas à luz solar. Para testar a eficiência dos resultados, os blocos ficaram 24 horas submersos em água e depois foram pesados para registrar a quantidade de água infiltrada. Em média, o concreto não tratado acumulou 11,3 gramas de água, enquanto os blocos com revestimento de microcápsulas tiveram apenas 0,4 gramas de infiltração.