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16 de maio de 2013
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Concreto Hoje

Concreto faz história na construção de pontes por balanço sucessivo

Material começou a ser usado nesse tipo de obra na década de 1930 e continua ativo em projetos recentes como o do Complexo Anhanguera em São Paulo

A metodologia de construção de pontes de concreto por balanço sucessivo não é novidade no Brasil. Remonta à década de 1930, quando o engenheiro Emílio Baumgart adotou a tecnologia na obra sobre o Rio do Peixe (SC). Aliás, seria a primeira desse tipo no País. O grande diferencial da técnica é avançar em duas frentes e sem depender de uma estrutura montada no solo para a construção de pontes. No projeto de Baumgart, o desafio era vencer os 130 metros que separavam as duas margens do rio catarinense. Hoje, o balanço sucessivo também é um potencial aliado para a adoção de pontes em locais de grande movimentação urbana.

A construção do Complexo Anhanguera, obra de remodelação viária da concessionária Autoban, na capital paulista, exemplifica bem os novos tempos. Finalizada em 2009, ela incluiu as pontes de acesso entre a rodovia, o bairro da Lapa e a Marginal do Tietê. A remodelação criou uma nova dinâmica para o escoamento de tráfego naquele entroncamento, onde antes apenas existia a ponte Atílio Fontana. Com isso, a solução desafogou o acesso por onde passavam mais de 100 mil carros diariamente.

Ponto para a metodologia de balanço sucessivo e para um de seus principais componentes, o concreto. Independente de a ponte ser realizada sobre as águas ou em ambiente de intensa movimentação urbana, o material tem sido um dos grandes protagonistas do método de balanço sucessivo. Na década de 1950, o uso do concreto protendido permitiu a otimização da metodologia. Nos tempos mais recentes, a adoção do concreto de alto desempenho. O papel do material é tão decisivo que permite o uso personalizado de aduelas, os segmentos que compõem a ponte.

Fernando Rodrigues dos Santos, engenheiro e diretor técnico da ULMA Construcción no Brasil, empresa fabricante de formas de concreto e sistemas trepantes, ajuda a entender essa "personalização", ao destacar que as aduelas são produzidas de acordo com a adequação de cada projeto. Elas podem ser concretadas no local, utilizando uma forma móvel, conectada à própria treliça, ou serem pré-moldadas. No segundo caso, as peças precisam ser erguidas do solo (ou balsa, se for acima da água) e conectadas por meio de cabos de protensão e de cola à base de epóxi.

O especialista também resume a sistemática do balanço sucessivo, ao destacar que a metodologia consiste na construção da estrutura de vigas e do tabuleiro da ponte a partir dos pilares de sustentação. “Para isso, utiliza-se uma estrutura treliçada móvel, que apoiada na aduela zero, pode ser movimentada a cada seção transversal executada”, diz ele. As treliças são acopladas sempre nas partes anteriores já protendidas e todos os esforços provenientes da concretagem são transferidos e resistidos pela mesma. Ao final, as aduelas se encontram a partir de cada pilar e a estrutura é completada acima do vão.