17 de maio de 2017
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Aço na Construção

Brasil perde 4% do PIB com corrosão

Um estudo recente da empresa norte-americana CCTechnologies mostra o impacto da corrosão do aço na economia. A pesquisa avaliou que entre 1% e 5% do PIB dos países é consumido pela corrosão. No Brasil, o número é de 4%, o equivalente a R$ 236 bilhões em 2015, conforme aferiu a entidade International Zinc Association (IZA), com apoio da USP.

O impacto é maior nas áreas litorâneas, onde os níveis de corrosão podem ser até 150 vezes superiores aos da zona rural. “Em um país como o Brasil, com extensão litorânea de mais de 7 mil Km, o impacto é bastante significativo”, afirma Ricardo Suplicy de Araújo Góes, gerente executivo do Instituto Brasileiro de Metais Não-Ferrosos (ICZ).

O relatório indica que a corrosão poderia ser facilmente atenuada com as tecnologias já existentes para proteção de estruturas metálicas. A proporção de ganho x custo de investimento para aplicação reduziria o impacto na economia em cerca de 25%. A construção de uma ponte ou viaduto em um ambiente de nível moderado de corrosão (em uma cidade como São Paulo, por exemplo), utilizando-se vergalhões galvanizados por imersão a quente, isto é, revestidos com zinco, poderia se chegar a uma obra com vida útil estendida em 110 anos. O custo de manutenção seria muito menor e mais econômico, mesmo com um acréscimo de 3% no custo inicial do projeto.

Para o executivo do ICZ, existe um gap no conhecimento sobre as tecnologias, principalmente em relação às obras públicas. “Considerando que os municípios brasileiros localizados na faixa litorânea concentram 95% PIB, e que mais de 70% da população brasileira vivem em cidades a até 200 km da praia, todas as obras expostas deveriam ter sistemas de proteção mais eficientes”, explica. “A tomada de preço das obras públicas deveria considerar não apenas o investimento inicial, mas também a durabilidade e o ganho de investimento ao longo do tempo”.

O aumento da vida útil das obras com a utilização de sistemas de proteção contra corrosão vem na esteira da evolução do setor na busca de menor impacto ao meio ambiente. Muitas certificações internacionais para obras de infraestrutura já exigem aplicação de alguma tecnologia para evitar a ferrugem, e a indústria vem investindo para desenvolver sistemas mais acessíveis. “Boa parte dos vergalhões utilizados em estruturas expostas a intempéries ainda utiliza aço sem proteção. A galvanização a fogo t


Um estudo recente da empresa norte-americana CCTechnologies mostra o impacto da corrosão do aço na economia. A pesquisa avaliou que entre 1% e 5% do PIB dos países é consumido pela corrosão. No Brasil, o número é de 4%, o equivalente a R$ 236 bilhões em 2015, conforme aferiu a entidade International Zinc Association (IZA), com apoio da USP.

O impacto é maior nas áreas litorâneas, onde os níveis de corrosão podem ser até 150 vezes superiores aos da zona rural. “Em um país como o Brasil, com extensão litorânea de mais de 7 mil Km, o impacto é bastante significativo”, afirma Ricardo Suplicy de Araújo Góes, gerente executivo do Instituto Brasileiro de Metais Não-Ferrosos (ICZ).

O relatório indica que a corrosão poderia ser facilmente atenuada com as tecnologias já existentes para proteção de estruturas metálicas. A proporção de ganho x custo de investimento para aplicação reduziria o impacto na economia em cerca de 25%. A construção de uma ponte ou viaduto em um ambiente de nível moderado de corrosão (em uma cidade como São Paulo, por exemplo), utilizando-se vergalhões galvanizados por imersão a quente, isto é, revestidos com zinco, poderia se chegar a uma obra com vida útil estendida em 110 anos. O custo de manutenção seria muito menor e mais econômico, mesmo com um acréscimo de 3% no custo inicial do projeto.

Para o executivo do ICZ, existe um gap no conhecimento sobre as tecnologias, principalmente em relação às obras públicas. “Considerando que os municípios brasileiros localizados na faixa litorânea concentram 95% PIB, e que mais de 70% da população brasileira vivem em cidades a até 200 km da praia, todas as obras expostas deveriam ter sistemas de proteção mais eficientes”, explica. “A tomada de preço das obras públicas deveria considerar não apenas o investimento inicial, mas também a durabilidade e o ganho de investimento ao longo do tempo”.

O aumento da vida útil das obras com a utilização de sistemas de proteção contra corrosão vem na esteira da evolução do setor na busca de menor impacto ao meio ambiente. Muitas certificações internacionais para obras de infraestrutura já exigem aplicação de alguma tecnologia para evitar a ferrugem, e a indústria vem investindo para desenvolver sistemas mais acessíveis. “Boa parte dos vergalhões utilizados em estruturas expostas a intempéries ainda utiliza aço sem proteção. A galvanização a fogo traz resultado muito mais perene”, afirma.

Ameaça invisível

“Quando se trata de vergalhão de aço em concreto armado – estrutura aplicada em obras elevadas como pontes, viadutos etc. – a corrosão é uma ameaça silenciosa, pois ocorre de dentro para fora e só é percebida quando já atingiu outros elementos da obra. “É o que ocorre quando estruturas de grande porte desabam, o que seria evitado se o vergalhão fosse galvanizado a fogo”, diz Góes.

Em algumas cidades os equipamentos públicos de aço galvanizado são comuns, como é o caso das academias ao ar livre localizadas em alguns parques no município de São Paulo. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, instalou algumas das academias ao ar livre – que são de uso público – de aço galvanizado, sem a pintura final. A ação aconteceu em parceria com o Instituto Brasileiro de Metais Não-Ferrosos (ICZ) e a empresa GINAST, para que futuramente possa ser percebido que não houve corrosão desses equipamentos. “Em muitos parques públicos a corrosão é maquiada pela pintura. Brinquedos que crianças utilizam acabam severamente corroídos, o que é justificado pela falta de manutenção. Isso não aconteceria com o aço galvanizado, já que a manutenção poderia ser programada para mais de 40 anos adiante”.

Na vanguarda, o Estado de Santa Catarina, que tem boa parte da sua população vivendo em cidades litorâneas, lançou edital via Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (SOL) para instalação de academias ao ar livre com a exigência da tecnologia de aço galvanizado. O certame demanda 50 academias, com detalhamento completo dos equipamentos em função, cor e medidas, e indicação da tecnologia seguindo a norma da galvanização: a ABNT NBR 6323/2007, “com função de proteção contra intempéries climáticas / corrosão”.

Entenda o que é a Galvanização

A galvanização por imersão a quente é um dos mais eficientes processos para a proteção de aço/ferro fundido contra a corrosão, oferecendo maior resistência e durabilidade a estes metais. O processo compreende a imersão de aço/ferro fundido em um banho de zinco fundido a 450ºC. Após a remoção da estrutura de aço/ferro fundido, uma camada de zinco, mais as camadas intermetálicas de zinco/ferro subsequentes, passa a recobrir sua superfície, produzindo uma coloração acinzentada. A camada de zinco sob a estrutura impede a corrosão do aço com o passar do tempo.

O processo reduz os custos de médio e longo prazo das estruturas porque diminui a necessidade de manutenção ao longo do tempo e contribui com menores riscos de impactos ambientais advindos da corrosão do aço, uma vez que tanto o zinco quanto o aço são 100% recicláveis.

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