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16 de março de 2015
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Artigo

BIM nas obras públicas

Por Marcus Granadeiro

A tecnologia BIM está disponível, os preços muito acessíveis, os fornecedores capacitados e muita experiência pronta para ser absorvida. Nesta época eleitoral é inevitável não pensar em como tudo isto poderia ser utilizando em termos das obras públicas, já que há tanto registro de atrasos, orçamentos estourados ou mesmo obras prontas que se nota claramente uma grande ineficiência no resultado final.

Abstraindo questões como corrupção, interesses classistas e eventuais amarras legais, como poderíamos usar toda esta tecnologia em benefício do Brasil ? A seguir estão colocados alguns pontos sobre este pensamento.

Com informações sobre tempo de deslocamento, tempo de atendimento, previsão de demanda é possível realizar a otimização do layout e maximizar resultados na operação. Uma vez concebido o projeto inicial, o órgão rodaria diversas simulações com softwares matemáticos para otimizar os layouts de hospitais, postos de atendimento, escolas e estações de transportes, sendo que só aceitaria que avançassem projetos já otimizados. Uma simples mudança de processo como esta traria um enorme benefício à população, pois nasceriam apenas projetos bem concebidos, com operações mais eficientes e menos onerosas. O fluxo de discussão desta fase deveria envolver os usuários finais, que interagiriam dinamicamente com os modelos matemáticos, permitindo ajustes e ratificando ideias. Uma vez definido o layout, modelos simplificados poderiam rodar na internet e ser acessível por qualquer cidadão, explicitando de maneira transparente o objetivo e capacidade final do empreendimento. Teríamos milhões de fiscais atuantes e cobrando o desempenho final em termos de operação.

O estudo de viabilidade nasceria de um conceito já validado e adequado. Um segundo nível de detalhamento seria aplicado para a fase de concorrência. Quão maior o projeto, mais detalhada deveria ser esta fase. Complexidade e riscos aumentam com o tamanho e devem ser melhor analisados. Não se pode continuar em mente que tempo de projeto é tempo perdido, quão melhor e detalhado estiver o modelo, menor risco e melhores preços. As licitações teriam como base um modelo BIM e não simples desenhos bidimensionais. Licitações, concorrências públicas baseadas em projetos mais maduros, completos, resultando menos espaço para manobras de corrupção.

Haveria como exigência a apresentação do modelo BIM na proposta dos concorrentes, evidenciando o planejamento de execução através de simulações 4D, apresentando o fluxo de caixa através do 5D, e utilizando todos os elementos para demonstrar uma análise de risco envolvida na execução do serviço. Não importa se o empreendimento é um edifício, uma estação de tratamento de água, uma usina de energia ou uma estação de trem, ter o modelo digital de informações completo, ter realizado análises sobre ele garante uma melhor avaliação pelo contratante, vai fornecer subsídios para quem for desempenhar o papel de gerenciador além de diminuir o risco de aditivos e atrasos por mal planejamento.