Energia
Valor
26/10/2011 10h58
Como parte de um pacote de medidas que estão sendo tomadas até hoje a partir da análise dos dados do blecaute de 10 de novembro de 2009, que atingiu grande parte do país, especialmente a região Sudeste, as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 não irão mais desligar automaticamente em caso de perturbações fortes do abastecimento elétrico. Segundo Paulo Gomes, assessor da diretoria de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as usinas ficarão gerando energia apenas para alimentar seu funcionamento interno, providência que agilizará a retomada de sua operação plena, ajudando a reduzir o tempo de religação total do sistema no Rio de Janeiro, junto com São Paulo, o Estado que mais demora nessa retomada. Com todas as medidas
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Como parte de um pacote de medidas que estão sendo tomadas até hoje a partir da análise dos dados do blecaute de 10 de novembro de 2009, que atingiu grande parte do país, especialmente a região Sudeste, as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 não irão mais desligar automaticamente em caso de perturbações fortes do abastecimento elétrico. Segundo Paulo Gomes, assessor da diretoria de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as usinas ficarão gerando energia apenas para alimentar seu funcionamento interno, providência que agilizará a retomada de sua operação plena, ajudando a reduzir o tempo de religação total do sistema no Rio de Janeiro, junto com São Paulo, o Estado que mais demora nessa retomada. Com todas as medidas previstas, espera-se que a retomada no Rio seja reduzida de até quatro horas para duas horas e meia.
Hoje, as usinas nucleares param automaticamente quando há blecaute, mantendo suas funções essenciais alimentadas de fonte auxiliar, sendo o processo de retomada da operação muito demorado por conta de exigências técnicas obrigatórias. O novo modo de reação a blecautes chama-se “house load operation” e, segundo Gomes, foi estudado na França pelos técnicos do setor elétrico brasileiro após o blecaute que completa dois anos no próximo mês.
Desde a ocorrência, segundo o técnico, cerca de 80 providências para impedir ou mitigar os efeitos de futuros blecautes foram sugeridas a partir das análises feitas e quase todas já implementadas, segundo o técnico do ONS. Ele apresentou trabalho no 21º Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica que começou ontem e termina amanhã, em Florianópolis, resumindo as providências que foram e que serão tomadas. O blecaute de 2009, segundo as conclusões oficiais, foi causado pelo desligamento quase simultâneo, em São Paulo, de três linhas de 765 kilovolts (kV) de potência vindas da hidrelétrica de Itaipu em decorrência de fortes descargas atmosféricas.
Outra medida que será tomada para reduzir o tempo de religamento no Rio de Janeiro será a construção de linhas diretas entre as usinas hidrelétricas existentes no próprio Estado, como Simplício, no rio Paraíba do Sul, e as principais termelétricas que existem também no próprio Estado. Essas térmicas, que ficam normalmente paradas à espera de ordens para serem ligadas em um demorado processo de partida, passarão a ser acionadas, em caso de emergência, pela energia transmitida pelas hidrelétricas locais que, por sua vez, serão religadas após o blecaute por um sistema rápido denominado “Black start”. A técnica é decorrente de um estudo feito na Itália, também após o blecaute de 2009. A construção dessas linhas “dedicadas” deve demorar de um a dois anos, segundo o técnico.
Gomes disse que tanto as mudanças nos sistemas de acionamento das nucleares como das usinas térmicas convencionais fazem parte de um estudo que está sendo concluído pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e que incluirá outras providências.
De acordo com o técnico, medidas também já foram e estão sendo tomadas para melhorar o tempo de recomposição de São Paulo, incluindo melhoria nas comunicações, reavaliação dos corredores de recomposição e outras. Além de redução do tempo de retomada, as medidas já tomadas e em implantação buscam prevenir a ocorrência de novos blecautes e a propagação dos problemas para o conjunto do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em novembro de 2009 a retomada em São Paulo demorou 256 minutos e no Rio de Janeiro, 232 minutos.
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