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Arena das Dunas ganha 35 dias no cronograma

Para sair do atraso, estádio de Natal para a Copa de 2014 antecipa demolição do Machadão

Portal 2014

06/12/2011 13h58 | Atualizada em 06/12/2011 16h35


Entre as obras de estádio das cidades-sede para a Copa de 2014, a Arena das Dunas é a mais atrasada. Os trabalhos de construção do novo estádio potiguar tiveram início em agosto deste ano, com 15 meses de atraso.  Para vencer a defasagem, no dia 25 de novembro passado os responsáveis demoliram o estádio Machadão e o ginásio Machadinho, antecipando uma etapa e com isso ganhando uma "folga" de 35 dias no cronograma.

De acordo com o engenheiro Charles Maia, diretor da Arena das Dunas Concessões e Eventos e também da construtora responsável, a OAS, a obra já avançou em 11%. Cerca de 80% da terraplanagem já foi concluída: “Até o fim deste ano concluiremos a terraplanagem e

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Entre as obras de estádio das cidades-sede para a Copa de 2014, a Arena das Dunas é a mais atrasada. Os trabalhos de construção do novo estádio potiguar tiveram início em agosto deste ano, com 15 meses de atraso.  Para vencer a defasagem, no dia 25 de novembro passado os responsáveis demoliram o estádio Machadão e o ginásio Machadinho, antecipando uma etapa e com isso ganhando uma "folga" de 35 dias no cronograma.

De acordo com o engenheiro Charles Maia, diretor da Arena das Dunas Concessões e Eventos e também da construtora responsável, a OAS, a obra já avançou em 11%. Cerca de 80% da terraplanagem já foi concluída: “Até o fim deste ano concluiremos a terraplanagem e iniciaremos as fundações”, revela Maia.

As antigas edificações ocupavam uma área de 13 hectares, no bairro da Lagoa Nova, o mesmo local onde será erguida a nova arena. O Machadão e o Machadinho foram demolidos com rompedores hidráulicos, e todo o material proveniente da demolição, no momento sendo tratado, será reaproveitado na obra. Para Maia, embora a demolição seja um marco e mais uma etapa cumprida, o prazo para entrega da Arena das Dunas permanece o mesmo, previsto para dezembro de 2013.

Cobertura menor e arquibancadas móveis

O estádio terá capacidade para 42 mil espectadores durante a Copa, mas, contrariando o projeto original, que previa cobertura total da arquibancada, 10 mil lugares (5 mil por trás de cada gol) ficarão descobertos, e serão móveis. Depois do Mundial, dois lances de arquibancada serão retirados, reduzindo a capacidade da arena para 32 mil lugares.

A mudança foi feita do primeiro para o segundo edital da obra, "com anuência da Fifa e do Comitê Organizador Local”, justifica o secretário Extraordinário da Copa, Demétrio Torres, que compara as arquibancadas móveis do novo estádio de Natal às utilizadas nas etapas do mundial de Vôlei de Praia.

Ainda segundo o secretário, essa foi a principal alteração do projeto inicial e teve como objetivo reduzir custos para atrair novos investidores, já que a primeira licitação da Arena das Dunas não teve interressados. No projeto original, o custo estimado era de R$ 420 milhões. Com os ajustes, o valor foi reduzido em R$ 20 milhões, passando para R$ 400 milhões.

Outra mudança importante foi o deslocamento do novo estádio dentro da área de 13 hectares. A Arena das Dunas será implantada rente à marginal da rodovia BR-101, e ocupará apenas 20% da área onde ficava o antigo Machadão. O espaço restante será quase totalmente usado na construção de um estacionamento. “Foi preciso rever a localização do estádio, para evitarmos a demolição de dois prédios localizados no Centro Administrativo do Estado, que fica ao lado do estádio”, disse Torres.

Empréstimo não saiu

Se por um lado o ritmo da construção da arena foi retomado, o mesmo não se deu com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que não foi liberado ainda. A 1ª parcela do empréstimo, prevista para setembro passado, não saiu, e por enquanto quem investe na obra é a própria construtora OAS.

Charles Maia não revela o valor investido até agora: “Por enquanto, a OAS toca a obra com recursos próprios. Mas a qualquer momento o dinheiro  pode sair. O processo está sendo finalizado e até o próximo dia 15 de dezembro deve sair a primeira parcela”, avalia.

Embora o custo estimado para a construção da Arena das Dunas seja de R$ 400 milhões, o valor do negócio está sendo calculado em até R$ 540 milhões. Segundo Demétrio Torres não há nada a se estranhar nesta reavaliação, considerada normal em negócios com infraestrutura de megaeventos e atribuída à projeção da taxa de juros. Assim, o BNDES vai emprestar 75% desse valor (R$ 540 milhões), ou seja, R$ 396 milhões.

“Esse dinheiro será liberado em parcelas equivalentes a 10% do valor total, sendo a primeira parcela um pouco maior - de 20% do valor total”, explicou o secretário, acrescentando que o que garante a liquidez do negócio é o Fundo Garantidor da PPP, composto por imóveis do governo do RN, avaliados em R$ 300 milhões, e um colchão financeiro de R$ 70 milhões, oriundos dos royalties de petróleo e gás extraídos no RN.

O governo, por sua vez, deve investir durante os próximos 20 anos da concessão o equivalente a R$ 1,2 bilhão, em parcelas fixas. Segundo Torres, se o estado fosse administrar a arena durante estes mesmos 20 anos sem o parceiro privado gastaria muito mais.

“A primeira prestação, a ser paga daqui a quatro anos, no valor de R$ 9,2 mi, já estará desvalorizada pela inflação desse período. Então, imagine daqui a 15 anos o quanto estará desvalorizada. Para fazer essa conta temos de somar esses valores levando em consideração a depreciação do Real frente à inflação”, arriscou dizer Torres.

Ele explica que “as prestações são decrescentes e, com o passar do tempo, vão reduzindo para valores reais. Neste caso, não podemos realizar uma simples operação aritmética, uma vez que as prestações só começarão a ser pagas daqui a quatro anos. É mais ou menos como uma pessoa que compra um apartamento financiado em prestações fixas”, comparou.

PPP e o atraso das obras

Sem dinheiro para construir um novo estádio, mesmo com empréstimo do BNDES, e sem a “expertise” para manter uma arena multiuso, o governo do RN optou pela Parceria Público-Privada. Quem venceu a licitação da primeira PPP foi a OAS, em março último.

O processo levou mais tempo do que o esperado, e também atrasou o projeto. Duas razões: falta de experiência no RN na produção de licitação no modelo PPP, e alteração no projeto inicial da Arena das Dunas. Para Torres, entretanto, o tempo “perdido” com as discussões sobre a Arena das Dunas acabou beneficiando a obra, já que o projeto não tem pendências na Justiça nem nos órgãos fiscalizadores. “Natal é a única cidade-sede em que todo o processo licitatório está de acordo. Aproveitamos os erros dos outros para corrigir os nossos”, orgulha-se o secretário.

Para gerenciar a nova arena, foi firmada uma parceria com a empresa Amsterdã Arena, sócia da OAS no negócio. “Eles já começaram a estudar o mercado local e a elaborar uma consultoria de operação para a Arena das Dunas no pós-Copa”, revelou Charles Maia. Além disso, diz o diretor da OAS, pretende-se elaborar um projeto para beneficiar o futebol local, principalmente o América e Alecrim, dois clubes de Natal que ficaram sem estádios com a demolição do Machadão.

 

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