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15 de maio de 2019
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ESPECIAL INFRAESTRUTURA

Déficit em saneamento é desafio para o país

Debate infindável sobre a participação da iniciativa privada paralisa os investimentos no setor, que desde a década de 1970 vem perdendo recursos e tornou-se a área com o maior déficit de atendimento da infraestrutura brasileira
Fonte: Assessoria de Imprensa

A infraestrutura de saneamento no Brasil está em situação crítica e uma reforma do atual modelo é indispensável para o país alcançar as metas de universalização dos serviços de água e esgoto. Levantamento da consultoria KPMG realizado para a Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto) revela que, devido aos parcos recursos destinados ao setor nos últimos anos, o Brasil precisa investir R$ 615 bilhões até 2033 para garantir a universalização dos serviços. O valor é 47,5% maior do que o estimado pelo Plansab – Plano Nacional de Saneamento Básico (de R$ 417 bilhões).

A situação no setor segue dramática. Cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e metade da população não tem acesso aos serviços de coleta de esgoto. “Ou seja, 99 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta dos efluentes produzidos”, observa o vice-presidente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira.

Segundo o Instituto Trata Brasil (ITB), o cenário avançou timidamente nas últimas décadas. “Em 2010, a coleta de esgoto era de 46%”, destaca Édison Carlos, presidente executivo da entidade. “Quando se fala de tratamento de esgoto, em 2010 o país apresentava um índice de 37% e, hoje, apresenta 44%.”

Sem falar na perda de água potável nos sistemas de distribuição, de 38%. “Isto é um absurdo, se lembrarmos de que esta água já foi quimicamente tratada e é de alta qualidade”, comenta o especialista, para quem é fundamental que o Brasil se inspire na experiência de outros países. “Só assim podemos observar o que eles estão fazendo ou já fizeram para alcançar a universalização do saneamento básico.”

Mas é preciso agir rápido. Nos últimos levantamentos realizados por organizações internacionais, o Brasil aparece na 112ª posição no quesito de saneamento básico, em um ranking com 200 países. “Isso é vergonhoso, se considerarmos que o Brasil é uma das maiores economias mundiais”, lamenta Carlos. “E, ao compararmos com os vizinhos, estamos indo de mal a pior, basta ver os índices de Chile, Argentina e Uruguai, todos superiores aos nossos.”

Para Rogério Tavares, vice-presidente de relações institucionais da Aegea, concessionária do setor de saneamento, o Brasil realmente está em posição desfavorável em termos mundiais. “É importante que a população saiba que, de acordo com comparações feitas em 2015 pela Unicef (Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), na área de esgotamento sanitário o país encontra-se em posição bastante desfavorável, atrás de 105 países”, reforça. “O Brasil registra, por exemplo, os piores índices entre os países da América Latina, considerando tanto a rede coletora quanto outras modalidades, como fossas.”

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