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08 de agosto de 2019
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RESULTADOS / Uma indústria sem espaço

Condenada a mais um ano de estagnação, a indústria brasileira paga um preço muito alto por duas crises.

No mercado interno, milhões de famílias cortam o consumo, o comércio fraqueja e as dificuldades do varejo desembocam nas fábricas. Do lado externo, a recessão na Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, limita severamente as importações e contamina o setor industrial no Brasil.

As exportações totais do Brasil ficaram em US$ 129,9 bilhões entre janeiro e julho, com recuo de 4,7% em relação a um ano antes. Na mesma comparação, as vendas externas de manufaturados diminuíram 6,5% e ficaram em US$ 45 bilhões.

O valor vendido ao mercado argentino despencou a enormidade de 39,9% e chegou a modestíssimos US$ 6 bilhões. Mais de 80% dessas vendas são de produtos elaborados.

Os embarques de manufaturados proporcionaram 34,7% da receita obtida com a exportação de bens nos primeiros sete meses de 2019.

Essa participação havia sido de 35,3% no período de janeiro a julho do ano passado. Já esteve na casa de 50% por um longo período, mas diminuiu sensivelmente nos últimos 10 a 15 anos.

A indústria estaria em melhor estado se tivesse uma participação maior no com&eacut...


Condenada a mais um ano de estagnação, a indústria brasileira paga um preço muito alto por duas crises.

No mercado interno, milhões de famílias cortam o consumo, o comércio fraqueja e as dificuldades do varejo desembocam nas fábricas. Do lado externo, a recessão na Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, limita severamente as importações e contamina o setor industrial no Brasil.

As exportações totais do Brasil ficaram em US$ 129,9 bilhões entre janeiro e julho, com recuo de 4,7% em relação a um ano antes. Na mesma comparação, as vendas externas de manufaturados diminuíram 6,5% e ficaram em US$ 45 bilhões.

O valor vendido ao mercado argentino despencou a enormidade de 39,9% e chegou a modestíssimos US$ 6 bilhões. Mais de 80% dessas vendas são de produtos elaborados.

Os embarques de manufaturados proporcionaram 34,7% da receita obtida com a exportação de bens nos primeiros sete meses de 2019.

Essa participação havia sido de 35,3% no período de janeiro a julho do ano passado. Já esteve na casa de 50% por um longo período, mas diminuiu sensivelmente nos últimos 10 a 15 anos.

A indústria estaria em melhor estado se tivesse uma participação maior no comércio internacional. Disso resultariam, certamente, benefícios para toda a economia nacional.

Mas, a indústria brasileira continua pouco aberta – para exportações e importações – e, embora venda a muitos países, é muito dependente de poucos mercados. Os Estados Unidos são um dos mais importantes.

Tendo como exemplo os dados de um ano “normal”, com a economia global em crescimento e firme recuperação, nos principais mercados, depois da crise financeira de 2008.

Em 2012, Estados Unidos e Argentina proporcionaram cerca de um terço da receita de exportações brasileiras de manufaturados.

Além de ser, em condições normais, o terceiro maior mercado para exportações brasileiras, a Argentina tem uma posição muito especial na composição do comércio.

Em nove anos, no período de 2008 a 2018, 90% ou mais do valor faturado com as vendas à Argentina resultaram das exportações de manufaturados.

No mesmo período, manufaturados garantiram mais de 50% da receita em dez anos, no comércio com os Estados Unidos. Em seis anos a parcela foi superior a 55%. No caso da Alemanha, outro grande mercado, essa participação tem ficado na faixa de 30% a 40%.

O quadro é muito diferente quando se trata do maior parceiro comercial do Brasil, a China.

Em nove anos, no período de 2008 a 2018, o Brasil obteve mais de 80% da receita com as vendas de produtos básicos – minérios e matérias-primas agrícolas. Raramente os manufaturados proporcionam mais de 2% do valor faturado. A pequena parcela restante corresponde às vendas de semimanufaturados.

Os grandes mercados para a indústria brasileira, portanto, são alguns emergentes, como a Argentina e outros latino-americanos, e algumas potências capitalistas avançadas, com destaque para Estados Unidos e Alemanha.