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22 de novembro de 2018
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Energia

Sócios já gastaram R$ 13 bilhões com Belo Monte, o dobro do previsto

E ainda deve necessitar de mais recursos
Fonte: Folhapress/Estadão

Desde que foi iniciada em junho de 2011, a construção da Hidrelétrica Belo Monte já exigiu R$ 13 bilhões de aportes de seus sócios --o dobro do previsto inicialmente: R$ 6,5 bilhões. Até o fim do ano que vem, quando a maior usina em obra no país será concluída, é possível que a administração da hidrelétrica precise de mais recursos para finalizar o projeto.

Além do bloco estatal (49,98%), formado por Eletrobras, Chesf e Eletronorte, Belo Monte tem como sócios a Cemig, Light, JMalucelli Energia, Vale, Sinobrás, Neoenergia e os fundos de pensão Petros (de funcionários da Petrobras) e Funcef (da Caixa).

Para construir a hidrelétrica, além dos R$ 13 bilhões aportados pelos sócios, o BNDES financiou outros R$ 27 bilhões, que serão pagos pela concessionária com a receita da hidrelétrica.

O custo da usina, no entanto, foi subindo ao longo da obra por questões ambientais e sociais e não teve contrapartida do banco de fomento. Por isso, os sócios tiveram de colocar mais dinheiro na obra. O custo total até agora, corrigido pela inflação e com juros, é de R$ 40 bilhões.

Agora, na reta final, a empresa ainda tem de resolver questões importantes para o equilíbrio financeiro da usina, de 11.233 megawatts (MW), no rio Xingu (PA). No mês passado, a Norte Energia (concessionária que administra a hidrelétrica) perdeu uma arbitragem contra a Eletrobras que envolve mais de 2.000 MW.

Os sócios da usina entendiam que a estatal tinha a obrigação de comprar os 20% de energia destinada ao mercado livre por todo o tempo da concessão, por R$ 130 o MWh (hoje atualizados para R$ 217).

A Eletrobras, sob o comando de Wilson Ferreira Jr., não concordou com essa condição. O processo, então, foi parar numa câmara de arbitragem, que deu decisão favorável à estatal, em outubro. Agora a Norte Energia precisa encontrar um rumo para essa capacidade disponível.

"Neste momento estamos fazendo estudos, simulações e definindo políticas de comercialização dessa energia no mercado", afirma o presidente da concessionária, Paulo Roberto Ribeiro Pinto.

Isso significa decidir quanto a empresa vai vender agora, por quanto tempo e se algum sócio vai querer parte dessa energia. Segundo o executivo, não é fácil colocar energia no mercado livre no longo prazo --às vezes, nem é conveniente por causa das fortes oscilações. Ele garante, no entanto, que até o fim do ano o assunto estará resolvido.