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08 de outubro de 2020
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Setor imobiliário tem melhor resultado em 6 anos

A melhora nas negociações de imóveis de médio e alto padrão garantiram ao setor da incorporação o melhor mês em vendas desde maio de 2014
Fonte: Folha de S. Paulo

Balanço da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que o total de unidades vendidas nesse segmento, em julho, foi 34,8% maior do que no mesmo mês em 2019. Quando se considera somente o resultado líquido, sem os distratos, o aumento foi de 43,2%.

“Começamos a verificar que as pessoas que estão no médio e alto padrão começaram a realmente sair para buscar imóveis, procurar oportunidades”, diz Luiz Antonio França, presidente da Abrainc.

O setor já vinha registrando números positivos desde maio, mas a melhora nas vendas era puxada principalmente pelo segmento econômico, que inclui empreendimentos das faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida, e que é considerado mais resiliente às crises.

Agora, porém, a reação pode ter chegado aos imóveis mais caros e também aos lançamentos. Somados todos os segmentos, 13.023 imóveis foram vendidos em julho, resultado que superou em 58% o total comercializado no mesmo mês do ano passado. As vendas líquidas ficaram em 10.103 unidades, uma alta de 56,2%.

O recorde anterior, segundo a Abrainc, tinha ocorrido com a marca de 14.116 imóveis comercializados em maio de 2014, quando, após os distratos, o mercado concluiu a vendas de 9.043 unidades.

Outros fatores, com...


Balanço da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que o total de unidades vendidas nesse segmento, em julho, foi 34,8% maior do que no mesmo mês em 2019. Quando se considera somente o resultado líquido, sem os distratos, o aumento foi de 43,2%.

“Começamos a verificar que as pessoas que estão no médio e alto padrão começaram a realmente sair para buscar imóveis, procurar oportunidades”, diz Luiz Antonio França, presidente da Abrainc.

O setor já vinha registrando números positivos desde maio, mas a melhora nas vendas era puxada principalmente pelo segmento econômico, que inclui empreendimentos das faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida, e que é considerado mais resiliente às crises.

Agora, porém, a reação pode ter chegado aos imóveis mais caros e também aos lançamentos. Somados todos os segmentos, 13.023 imóveis foram vendidos em julho, resultado que superou em 58% o total comercializado no mesmo mês do ano passado. As vendas líquidas ficaram em 10.103 unidades, uma alta de 56,2%.

O recorde anterior, segundo a Abrainc, tinha ocorrido com a marca de 14.116 imóveis comercializados em maio de 2014, quando, após os distratos, o mercado concluiu a vendas de 9.043 unidades.

Outros fatores, como a demanda parada nos primeiros meses de pandemia e os juros baixos têm colaborado para a melhora nos resultados, bem como as necessidades despertadas pelo confinamento. “Você tem demanda reprimida, juros baixos e a expectativa que cada pessoa criou, depois de passar tanto tempo na própria casa, em buscar uma moradia diferente”, diz França.

O custo menor dos financiamentos facilita o acesso ao crédito, ampliando o número de pessoas e famílias que conseguem o dinheiro para a compra da casa própria. Ao mesmo tempo, reduz os ganhos dos investimentos tradicionais, obrigando os poupadores a diversificar ainda mais suas carteiras.

Para o presidente da Abrainc, há dois tipos de investidores buscando imóveis, os que veem nesses empreendimentos ativos seguros e os que querem rentabilizar aluguéis.

O bom resultado de vendas animou os incorporadores, que voltaram a fazer lançamentos. Em julho, as 4.561 unidades lançadas foram 38,2% superiores às colocadas no mercado no mesmo período do ano passado. Na mesma comparação, a incorporação, em junho, ainda estava menor em 2020.

Coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Ana Maria Castelo diz que o desempenho da indústria da construção e do mercado imobiliário foi surpreendente, uma vez que os efeitos econômicos da crise do coronavírus ainda persistem.

A pesquisadora questiona, porém, se a redução dos juros será suficiente para segurar o fôlego do setor, uma vez que o crescimento do país ainda patina. “A grande questão é saber qual é a sustentação disse se não tiver uma economia com vigor”, afirma. “O movimento de retomada está claro, mas não a manutenção dele.”