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20 de dezembro de 2018
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Saneamento

Relatório aponta opções para Bacia do Guandu, no estado do Rio

Restauração florestal de áreas degradadas pode gerar economia
Fonte: Agência Brasil

A restauração florestal de áreas degradadas ao redor dos rios da Bacia do Guandu, no estado do Rio de Janeiro, poderia gerar uma economia significativa em custos com produtos químicos e energia necessários para o tratamento da água que abastece a região metropolitana do Rio. A conta considera os benefícios causados pelas florestas e foi feita por pesquisadores que lançaram hoje (13) o relatório Infraestrutura Natural para Água no Sistema Guandu.

A conservação de florestas ao redor dos rios reduz a erosão, contém o escoamento de fertilizantes usados por agricultores e equilibra o fluxo de água em períodos de enxurradas e secas.

O economista Rafael Barbieri, que coordenou a pesquisa feita pelo instituto WRI Brasil, explicou que a Bacia do Guandu tem 290 mil hectares de áreas de pastagens, sendo a maior parte delas degradada. A restauração de apenas 3 mil hectares desse total, a um custo de R$ 103 milhões em 10 anos, traria uma economia de R$ 259 milhões no tratamento de água.

"A restauração, principalmente das áreas em torno dos rios, é extremamente importante para manter a qualidade da água, manter o fluxo hídrico para a conservação do solo e para reter o fertilizante que os produtores utilizam", disse Barbieri.

"Da mesma forma que a gente pode, como consumidor, exigir uma agricultura com menos agrotóxico, ou comer carne com menos hormônio, por que não consumir água com menos produtos químicos? A floresta promove isso", acrescentou.

A economia poderia chegar a 4 milhões de toneladas de produtos químicos. O reflorestamento reduziria também a quantidade de lodo que é gerado com a limpeza da água e atenuaria o desgaste dos equipamentos usados no tratamento.

A Bacia do Guandu já conta hoje com 35% de áreas de floresta, porém, somente a metade delas é de mata nativa em boas condições. A outra parte é composta por espécies exóticas, eucaliptos ou floresta degradada. "As áreas que ainda têm florestas são de extrema relevância. É muito mais barato conservar do que reflorestar", afirmou.

Mananciais

O estudo foi lançado em um debate no Museu do Amanhã, no centro do Rio, em conjunto com o Atlas dos Mananciais de Abastecimento Público do estado, produzido pelo Instituto Estadual do Ambiente. O atlas traz informações sobre os 199 mananciais que abastecem os municípios fluminenses.